A Igreja e o Relativismo Pós-Moderno

“Ser ou não ser, aí está o ponto”, essa frase bastante conhecida da peça Hamlet, de Willian Shakespeare, não fala é claro sobre relativismo, mas com certeza expressa um dos pensamentos mais presente nas discussões sobre ideologia de gênero, por exemplo, em nossos dias. E a própria filosofia de gênero, ou reconstrução de gênero é algo derivado de muitos outros pensamentos, até que chegamos por fim, no relativismo, que também é fruto de outras discussões e divagações filosóficas, entre elas podemos destacar como movimento histórico: o iluminismo.

Danilo Marcondes, traçando uma conceituação tanto histórica quanto descritiva acerca do que foi o iluminismo, afirma em seu livro:

O iluminismo, ou Século das Luzes, foi um movimento do pensamento europeu característico basicamente da segunda metade do séc. XVIII. Abrange não só o pensamento filosófico, mas também as artes, sobretudo a literatura, as ciências, a teoria política e a doutrina jurídica.

O iluminismo, surge no cenário histórico em resposta à idade média, ou idade das trevas, como é (erroneamente) chamado o período de mil anos (500 a. D. à 1500 a. D), onde a igreja católica dominou todo o cenário através da religião. É atribuído a isso, uma estagnação que bloqueou a humanidade de progredir numa escala evolutiva intelectual, que mergulhou o mundo em “trevas”, ou seja, a religião algemou os homens à escravidão da ignorância por meio dos dogmas e superstições.

Os principais objetivos do iluminismo consistiam em libertar o homem dessas amarras, iluminando-o através do estimulo ao uso de sua razão, capacidade de que é dotado exatamente para proporcionar a ele independência e autonomia. Ele fará isso a partir do momento em que se empenhar em conhecer o real, interagir com o mundo de forma que possa apreender conhecimento, e suas principais armas são a ciência e a educação.

O teor individualista do iluminismo é fortemente enfatizado nas obras de seus diversos pensadores como: Hume, Voltaire, Kant, Goethe e outros, que através de suas criações (literatura, tratados científicos e etc), lutaram por colocar o homem como o objeto mais importante de análise, algo que pode ser percebido na célebre frase do poeta inglês Alexander Pope: “O objeto de estudo apropriado para o ser humano é o homem”.
Por isso, esse movimento, como exposto anteriormente, é adverso à religião. A medida que a esta submete o homem a crença no irracional (não alcançável pela razão) e à uma autoridade, o homem torna-se escravo desta e o lança em uma zona de caos, a parte do conhecimento. “O pensamento iluminista é laico e secular e até mesmo, em alguns casos, abertamente anticlerical. As obras de Voltaire e Diderot são exemplos disso”.
Alguns países, que adotaram mais fortemente o pensamento iluminista, incluíram o referencial ideológico do mesmo em suas constituições ou declarações de direitos humanos, como é o caso da França, em sua declaração dos direitos do homem:

Os representantes do povo francês, reunidos em Assembléia Nacional, tendo em vista que a ignorância, o esquecimento ou o desprezo dos direitos do homem são as únicas causas dos males públicos e da corrupção dos Governos, resolveram declarar solenemente os direitos naturais, inalienáveis e sagrados do homem, a fim de que esta declaração, sempre presente em todos os membros do corpo social, lhes lembre permanentemente seus direitos e seus deveres; a fim de que os atos do Poder Legislativo e do Poder Executivo, podendo ser a qualquer momento comparados com a finalidade de toda a instituição política, sejam por isso mais respeitados; a fim de que as reivindicações dos cidadãos, doravante fundadas em princípios simples e incontestáveis, se dirijam sempre à conservação da Constituição e à felicidade geral.

E em seu artigo primeiro afirma: “Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem fundamentar-se na utilidade comum”.

Essa ênfase no individuo proporcionou coisas boas de fato, como o avanço das ciências, que se desenvolveu com muito mais velocidade nesse período, um conhecimento mais apurado sobre o homem, e sua capacidade cognitiva, sendo elevado o conceito da investigação e por usa vez, a busca por ele, e o aprimoramento das artes. Por outro lado, toda essa carga de observação voltada para o homem, estimulou uma relativização dos absolutos que até então faziam parte do universo. Agora, “o homem é livre e senhor de si também no sentido de que deve exercer controle sobre si e agir sempre de acordo com sua vontade e decisão racional” .

A desconstrução desses absolutos, como a existência de Deus, a verdade, a beleza, agora preenchidos pela “autonomia” do homem por meio da razão, proporcionou uma redefinição de diversos conceitos, distorcendo-os sempre que for válido ao ser humano na sua busca pela satisfação pessoal e particular fazê-lo.

Citamos no início a discussão sobre reconstrução de gênero, que é uma ideologia que orbita em volta deste epicentro que é o relativismo, sendo este fruto do iluminismo, como já dissemos.

O grande foco dessa discussão é a proposta de reconstruir um conceito genérico, com base na vontade humana de usufruir de uma nova experiência existencial que está relacionada a sua identificação sexual.

Numa que os absolutos foram derrubados, os limites para a razão humana se tornam “ilimitados”. Com a relativização destes, tudo é como uma página escrita à lápis, podendo ser facilmente apagada e reescrita da forma como o indivíduo desejar. O homem, não é mais um ser que possui uma identidade sexual inerente a sua constituição biológica, mas uma construção social que pode ser rapidamente alterada, bastando apenas que ele não se identifique mais desta forma. A mulher do mesmo modo, se ela não se sente mais confortável em seu “invólucro feminino”, pode optar por ser considerada da forma que desejar, segundo o pensamento que ela tem de si mesma.
Não é preciso ir muito mais adiante em exemplificações para demonstrar o quanto essa perspectiva é antagônica e grotescamente vil ao padrão criador por Deus.

O próprio livro de gênesis, nos aponta um caminho avesso a esse pensamento. No primeiro verso, do primeiro capítulo, uma mensagem é exposta, apontando para a existência do primeiro absoluto: Deus: “No princípio criou Deus o céu e a terra”. O primeiro pressuposto do autor é a existência de Deus, e Este como o criador de toda as coisas. Para Moisés, o universo não foi criado pelo acaso, não veio à existência por uma contingência descontrolada, mas por intermédio de um criador pessoal e superior, que dá forma e cadência a sua criação. No verso 27, ele continua sua descrição da criação, apontando para o pressuposto que se choca diretamente com o pensamento relativo da ideologia de gênero: “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. A criação de apenas dois gêneros, encerra a possibilidade de existência da raça humana, em termos de identificação sexual; ou se é homem, ou se é mulher. Moisés não apresenta estes dois sexos como sendo uma opção que pode ser alterada, é uma determinação do Deus soberano que criou todas as coisas.

A igreja precisa estar atenta a isso, para que não se veja enlaçada por essas ideologias diabólicas. No cenário atual, cada vez mais jovens flertam com esse pensamento relativista, e quando damos conta, militam uma causa que fere princípios bíblicos tão explícitos como no exemplo anterior.

A ideologia de gênero, é apenas uma ponta do iceberg que é o relativismo de nossa sociedade. A pós-modernidade, enfatizou princípios que o iluminismo havia levantado, e deu origem ao seu filho mais velho: o relativismo.

A igreja de Deus deve-se empenhar em conhecer o que a Escritura fala acerca de realidades como Deus, o homem, e o mundo, e como cada um destes se relaciona. Diferentemente do que propôs o iluminismo, o cristão tem uma lente de observação do mundo que não é determinada por si mesmo, mas pela Escritura. Ela dirá como devemos nos relacionar com os absolutos criados por Deus, e o mais importante, apontará que estes não servem para aprisionar-nos a uma existência medíocre ou paupérrima.

Vale a ressalva de que o cristianismo genuíno não é antagônico ao desenvolvimento da sociedade através das ciências, da arte ou da educação, muito pelo contrário, se observamos o movimento da reforma protestante, que aconteceu pouco depois do estopim do iluminismo, veremos na cidade de Genebra na suíça, que João Calvino, foi um dos que mais instigou os cristãos a desempenharem suas vocações para benefício da sociedade.

Ser ou não ser, nas discussões atuais, tem sido o ponto, mas não a questão, pois, esta não tem a ver como uma “compreensão” nova, mas com a reminiscência de uma ideia relativista antiga, com raízes no iluminismo. A igreja precisa manter-se no sólido terreno da Palavra de Deus, para que não se engane frente aos ideais mundanos, do contrário, continuaremos a ser bombardeados por toda as ideologias que pretendem destruir os princípios bíblicos.

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