Aprendendo com Jonas: ao Senhor pertence a Salvação!

 

“E orou Jonas ao SENHOR, seu Deus, das entranhas do peixe. E disse: Na minha angústia clamei ao Senhor, e ele me respondeu; do ventre do inferno gritei, e tu ouviste a minha voz. Porque tu me lançaste no profundo, no coração dos mares, e a corrente das águas me cercou; todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado por cima de mim. E eu disse: Lançado estou de diante dos teus olhos; todavia tornarei a ver o teu santo templo. As águas me cercaram até à alma, o abismo me rodeou, e as algas se enrolaram na minha cabeça. Eu desci até aos fundamentos dos montes; a terra me encerrou para sempre com os seus ferrolhos; mas tu fizeste subir a minha vida da perdição, ó Senhor meu Deus. Quando desfalecia em mim a minha alma, lembrei-me do Senhor; e entrou a ti a minha oração, no teu santo templo. Os que observam as falsas vaidades deixam a sua misericórdia. Mas eu te oferecerei sacrifício com a voz do agradecimento; o que votei pagarei. Do Senhor vem a salvação. Falou, pois, o Senhor ao peixe, e este vomitou a Jonas na terra seca.” Jn 2.1-10

Jonas, creio eu, é o profeta mais mal compreendido em toda a história da Bíblia. Em todos os casos, nos mais diversos servos de Deus que viveram durante o antigo testamento, acredito não conhecer um que tenha suas vontades, desejos, orações e súplicas tão confundidas quanto aos de Jonas, o “profeta fujão”.

Filho de Amitai, “minha verdade”, este profeta tem uma das missões mais inusitadas. Temos que todo profeta deve fazer exatamente o que Deus mandar. Desde atar-se à cordas, clamar contra reis e sacerdotes e condenar o pecado, era dever “do boca de Deus” fazer exatamente o que o Senhor ordenava. No caso de Jonas não era diferente.

Como nos narra o livro de 2Rs 14.25, este homem já era profeta anteriormente, quando proclamou bênçãos sobre o reinado de Jeroboão II, do Norte. Agora, Deus o ordena que vá à cidade de Nínive, da Assíria, pregar o arrependimento e a salvação. Indignado com o propósito salvador do Senhor, por ser Ele “Deus clemente, e misericordioso, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e que se [te] arrependes do mal”,  (Jn 4.1-5), Jonas decide esconder-se. Decide por fugir.  Neste momento, o que motivava o profeta não era o medo dos assírios. Não o temor ao Senhor. Era a ira. Raiva. Ódio. A mão sombria do mal encobre o coração do homem de Deus, que se esquece de algumas coisas básicas que todo profeta conhecia.

  • Jonas esqueceu que não podia fugir de Deus: “Para onde me irei do teu Espírito” disse Davi, “ou para onde fugirei da tua face?” (Sl 139.7). Quando pecamos, quando fazemos algo que desagrada a Deus, a tendência natural de nossa carne é fugir do Todo Poderoso, esconder-se dAquele que “tem os olhos como chamas de fogo” (Ap 19.12). Desejamos encobrir nossa nudez (Gn 3.10-14) e ansiamos por encontrar outros que sejam culpados por nossas falhas. No caso de Jonas, tentou fazer algo ainda pior, quis por culpar a Deus! Como nos narram os versículos 1 à 5, do capítulo 4, Jonas diz ao Senhor que não foi pregar à Nínive pois sabia ser Deus alguém misericordioso, como quem diz “Ah, Senhor, a culpa é sua por eu não ter ido. Quem sabe, se não fostes assim tão bom, eu iria”.
  • Jonas tenta ir contra o Senhor: Para chegar à cidade de Nínive seria necessário que o profeta Jonas fizesse uma peregrinação de mais ou menos 1000 km ao oriente do Rio Tigre. Em sua tentativa de fugir, então, e num ato de pura rebeldia contra Deus, pois tentou fazer algo que ia de oposto à vontade do Senhor, Jonas vai à Jope em busca de um navio que o levaria à Társis, na Espanha (aproximadamente 3.500 km do porto de partida). Jonas não queria simplesmente fugir de Deus. Queria, também, “desafiá-lo”, “tentá-lo”. E quantas vezes não fazemos isso? Quantas e quantas oportunidades temos de obedecer ao Senhor, mas tornarmo-nos à nossa velha natureza carnal, e desafiamos a Deus através de nossas atitudes?

Então, tomando rumo à oeste do destino por Deus marcado, o profeta zarpa em um navio. Dado momento, creio que não muito longe da costa de Jope, o Senhor manda uma tempestade à embarcação, que acaba por atemorizar o coração daqueles marinheiros experientes. No meio desta tempestade, os homens desfizeram-se das cargas, dos mantimentos que possuíam, e no estopim da tempestade resolvem por clamar a seus deuses. Jonas, entretanto, dormia profundamente. O capitão, notando que faltava alguém, corre a Jonas e interroga-o, tencionando conhecer a quem era Jonas, e a qual “deus” este homem servia. Após apresentar-se e confessar sua culpa, decide o profeta que é certa sua punição. Jonas oferece sua vida como sacrifício para acalmar a tempestade. Ainda que relutantes, os marinheiros lançam Jonas ao mar e veem que a fúria desse cessou.

Vemos, então, duas situações que ocorrem neste momento de pavor, medo e incerteza.

Em primeiro lugar, o nome do Senhor foi glorificado pelos marinheiros. Antes de lançarem Jonas ao mar, os homens oraram ao Deus dos hebreus dizendo que o “Senhor fez como lhe aprouve” (Jn 1.12). Ironicamente, quem entendeu em primeiro lugar a vontade do Senhor não foi o mensageiro, o porta voz dos céus. Foram os marinheiros, incrédulos e pagãos. Homens que não conheciam a Deus, mas que entenderam que nada foge da vontade do Senhor. Ele comanda tudo, como quer e da maneira que bem entender certo. Ele está, mesmo nos momentos de dificuldade, “assentado sobre um alto e sublime trono” (Is 6.1).

Em segundo lugar, a vontade do homem está submissa à vontade de Deus. Jonas queria fugir e, assim, dizimar uma cidade inteira através da ira divina. O que aconteceu? O homem teve de ir à Nínive pregar o arrependimento e a salvação através deste. Deus nos coloca na exata posição que Ele quer. E se nós não quisermos? Bem, Ele dá um jeito. Ele é Deus. Como exemplo, uso minha própria vida. Por diversas vezes utilizei de desculpa para encobrir minha displicência com o evangelismo os textos que narram, no Novo Testamento, sobre a diversidade de dons e ministérios. Sim, bem sei que cada um de nós é uma ferramenta, que tem sua utilidade própria, mas o básico todos nós devemos fazer. Isto posto, entendia eu que “meus púlpitos” eram os das igrejas e, mais frequentemente, os diversos blogs e sites da internet. Seguindo minha vida com este tipo de pensamento, Deus permite que eu bata meu carro (como já narrado em outro texto exposto em meu blog). Do acidente saí com o nariz quebrado e sem meu veículo, que foi dado por totalmente perdido. O Daniel, entretanto, que naquela sexta-feira entrou no carro, é totalmente diferente daquele que, no mesmo dia, após o acidente, saiu dele. Entendi, ao abrir a porta do veículo e ver que estava bem, o quão irrelevante é minha vida quando não é vivida para anunciar o Evangelho (At 20.24).

Jonas, então, é levado pelas águas. No capítulo 2 deste livro, em uma oração do homem quando já dentro do ventre do peixe, nos é narrado todo o sofrimento que o profeta teve de passar. Vemos, no versículo 3, que Jonas sentia-se próximo à morte. Era levado pelas correntezas, onde, no “coração dos mares”, rumava para lugares que não queria ir. A esperança foge de seus olhos quando começa a se perguntar “tornarei, porventura, a ver teu [de Deus] santo templo?”. O profeta imaginava-se cada vez mais próximo das garras da morte. Nos narra, ainda, o capítulo, que este homem desceu aos níveis mais profundos em que era possível, e que além de sentir o ar esgotando-se em seus pulmões, percebia as algas enroscando-se em sua cabeça, aumentando o sufoco e a sensação de enforcamento. Prestes a morrer, sentindo os ferrolhos da sepultura lhe abraçando o corpo, Jonas lembra-se do Senhor. A Palavra nos conta que subiu a Deus a oração do profeta. Ele sente-se agradecido, pois o Senhor providenciou sua salvação – as entranhas de um peixe. Termina, então, declarando o que pode servir de resumo para o livro inteiro em questão.

“Ao Senhor pertence a salvação!”

Assim, analisando os versículos apresentados anteriormente, podemos perceber alguns pontos.

Primeiro lugar, a tendência de nossa natureza. Ante à situações que nos trazem desespero, medo, pavor ao coração, agimos de forma a tomarmos nossas próprias atitudes, para só depois orarmos. Precisamos entender que tudo deve ser feito em oração, precedido por oração. “Orai sem cessar”, é a ordem de Paulo aos de Tessalônica (1Ts 5.17), determinação esta que estende-se a todos nós. Em todos os momentos, que tenhamos cada vez mais intimidade com o Senhor. Não podemos nos esquecer disto. Orar não deve ser a nossa última resposta ante ao cotidiano, mas sim a primeira. Ore antes de agir.

Em segundo lugar, somos responsáveis pelos nossos atos. Não podemos culpar a Deus pelas consequências de nossas atitudes. Jonas teve de passar pelo ventre do peixe, e lá ficar por três dias e três noites, pois negou-se ir à Nínive quando ordenado pelo Senhor. Podemos até nos perguntar o “porquê” de todas as coisas, de todo o sofrimento que passamos, e colocar isso contra a soberania de Deus, pois Ele é quem decidiu o rumo de nossas histórias, mas ainda assim teremos de ter noção de que a responsabilidade pelas consequências de nossos erros são culpa nossa – nós erramos, não Deus.

Em terceiro lugar, a própria soberania de Deus. Nada, e exatamente nada, foge do controle de Deus. Observando o Salmo de n.º 139, vemos que Deus é onisciente, onipresente e onipotente. Ninguém está sobre Deus, e não há poder maior que o de Deus. Ele criou, Ele formou, Ele decidiu, Ele salvou. Como já citado anteriormente, Deus está em “um alto e sublime trono” (Is 6.1). Ele é Soberano e Rei.

Em quarto lugar, não importa onde estejamos, a mão de Deus sempre pode nos alcançar – seja para salvar ou condenar. Quer num navio a caminho de qualquer lugar que jugamos longe do Altíssimo, quer caminhando na trilha proposta por Deus, a mão do Senhor está sobre nós.

Em quinto lugar, nosso passado pouco importa para o julgamento de Deus. Jonas já profetizara em Israel anteriormente, e podia-se chamar de “profeta por profissão”, mas ao se deparar com uma nova ordenança, quando o Senhor fala com ele novamente, pouco importa o que havia feito de positivo. Devemos estar dispostos a obedecer sempre. O que fizemos de bom, é mérito de Cristo. O que fizemos de errado, é perdoado em Cristo.

Em sexto lugar, que o Senhor deve ser louvado e glorificado sempre. Antes de jogar Jonas ao mar, os marinheiro reconheceram que o Senhor é Deus. Que em nosso dia a dia tenhamos a clareza e certeza de mostrar que existe um Deus nos céus. Em Hebreus, capítulo 12 e versículo 1, aprendemos que estamos “rodeados de uma mui grande nuvem de testemunhas”. Todos nos observam, e a todos nosso testemunho deve glorificar a Deus – seja morrendo pelo Senhor, ou vivendo por Ele.

Em sétimo lugar, que “ao Senhor pertence a Salvação”. Deus salva a quem quer, e condena da mesma forma. A salvação estende-se a todos os povos, com a condição de que só serão salvos os que crerem (Jo 3.16; Rm 1.16). Jonas não entendeu isso. Deus não é “só” nosso. Ele era o Deus salvador dos judeus, e depois de Cristo, dos gentios também. Não é Senhor somente dos assembleianos, por exemplo. O é também dos presbiterianos, luteranos, batistas e afins. É de todo aquele que crê.

Em último lugar, que a história narrada pelo livro do profeta Jonas é, sem sombra de dúvidas, uma analogia à de Cristo. O nosso Mestre, o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29), encontrou-se morto por três dias e três noites (Mt 12.40), e veio à terra com uma missão singular: através de sua vida, morte e ressurreição, anunciar a salvação mediante a fé em seu sacrifício, em seus méritos, a todo o mundo. Independente de Sua vontade, Jesus fez a vontade do Pai (Lc 22.42). O foco da “trama” narrada neste livro, de um dos profetas menores, é a Cruz de Cristo. O foco da vida cristã é a Cruz de Cristo. O foco de toda a História é a Cruz de Cristo. Ele é o centro de tudo.

Que aprendamos com Jonas,e vivamos de modo a saber que, acima de tudo, “ao Senhor pertence a Salvação”.

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