Bíblia vs Mundo Gospel

“[…] e disse aos que vendiam as pombas: “Tirai essas coisas daqui; não façais da casa de meu Pai. Casa de comércio”. João 2:16

Infelizmente na atualidade, é perceptível a influência do que se denominou “gospel” sobre a cultura cristã da maioria das igrejas, para não falar dos próprios cristãos em si. Ao que parece, toda a carga valorativa do cristianismo foi reduzida à artistas que compõem músicas que não falam do evangelho e suas verdades, mas que são escritas com o único fim de junto com um belo arranjo musical, levar o público ao êxtase emocional, que é chamado muitas vezes de “adoração”. Também tem feito parte da tendência gospel, palestras e workshops promovidos por mega-igrejas com pastores que, sob o pretexto de falar de forma mais prática ou inteligível à jovens, sobem aos púlpitos fantasiados, promovendo “loucuras por Jesus”, na tentativa de passar a ideia de que essa “radicalidade” é o suprassumo do evangelho, e a apresentam como a última novidade do momento.

A soma de tudo isso é uma movimentação absurda no mercado gospel, que é aquecido pelas produtoras de CD’s, e até mesmo marcas patenteadas de produtos que recebem essa designação, bem como camisas; bijuterias e demais acessórios. Tudo isso com o fim de demarcar uma nova cultura dentro do cristianismo. Veremos com o texto citado no título que na verdade tudo isso não é nenhuma novidade, e que há muito tempo atrás o nome de Deus já era usado como fonte de lucro, por parte de usurpadores da fé.

No texto citado, percebemos que o contexto se assemelha muito ao que vemos acontecer em nossos dias. Umas das festas mais importantes dos judeus estava se aproximando; a páscoa, onde em alusão ao grande resgate que Deus operou no êxodo do povo hebreu do Egito, e mais especificamente ao livramento da última e pior praga que o SENHOR enviou para assolar os egípcios, a morte dos primogênitos, como consta no capítulo 12 do livro do Êxodo, cordeiros eram sacrificados no templo para atender as ordenanças que o próprio Deus havia determinado: “Esse dia , portanto, será para vós um memorial, e o celebrareis como uma festa perene para o SENHOR; nas vossas gerações o celebrareis por decreto perpétuo”. Êxodo 12:14 – King James.

Aproveitando o ensejo, e percebendo que a demanda poderia ser lucrativa, muitos comerciantes se dirigiram exatamente para o templo com cordeiros e outros animais que poderiam servir como sacrifício nesta data, como bois e pombas, afim de vendê-los. Dois pontos aqui já merecem nosso destaque; Primeiro –  movidos pelo interesse nos negócios, eles não tiveram o menor respeito para com a festa sagrada que fazia parte de seu próprio calendário, sendo esta como fora dito antes, uma das mais importantes na nação judaica. Segundo – não tiveram respeito pelo templo que fora dedicado ao serviços sacerdotais em culto ao SENHOR.

Diante disto a reação de Cristo não poderia ser outra, senão a ira. Ao perceber o que a casa de seu Pai, estava sendo usada como trampolim financeiro para aqueles homens desrespeitosos, que estavam se valendo do contexto festivo e mobilização popular para lucrar em cima disso, Jesus os expulsa a chicotadas exigindo respeito.

Depois de feito uma breve análise deste texto, começa a ficar claro as semelhanças e aplicações para a questão do “mundo gospel” em que vivemos. Devido à grande demanda causada por cristãos que estão em busca de uma experiência mais “profunda”, ou mesmo de maior “liberdade” com Deus, comerciantes da fé começam a se aproveitar para ganharem com isso. Com a procura por um cristianismo mais “light”, ou mais “radical” como é procurado por muito jovens de nossas igrejas, os cambistas gospel armam as tendas para receberem seus clientes e venderem seus produtos, ao passo que o verdadeiro cristianismo é deixado de lado, sendo rotulado como ultrapassado ou retrogrado.

Por debaixo de toda essa podridão de blasfêmias e desrespeito ao nome sagrado de Cristo, se esconde tanto a intenção de busca por fama e lucro destes artistas, quanto a busca por um Cristo que pactue com a experimentação de um evangelho que se molde ao gosto daqueles que o querem seguir a seu modo, sem qualquer compromisso com uma vida de santificação, tendo que abnegar os pecados que se escondem por baixo de seus gritos e canções emotivas que tanto fazem em seus shows e reuniões. Usando uma máscara de “pastores, profetas e levitas” (desconsiderando o significado real do termo), esconde-se uma face negra que vislumbra apenas a plateia e os aplausos, que tenciona apenas a aquisição financeira.

Parte da culpa de tudo isso recai sobre estes ditos “evangélicos”, pois como sabemos bem, sem demanda ou procura não há oferta, logo, se estes que se dizem evangélicos estivessem verdadeiramente apegados a escritura sagrada como afirmam estar, se dobrariam a ela em obediência buscando o evangelho genuíno deixado pelo Senhor Jesus, e se apartariam dessa herética tendência gospel, que têm o fim apenas de perverter a verdade do evangelho.

Tudo isso nos lembra as palavras do apóstolo Paulo a seu filho na fé Timóteo: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas”. 2 Timóteo 4:3,4. Não há como negar que a palavra de Deus inspirada por Seu Espírito, descreve com precisão o que está acontecendo hoje, principalmente levando em consideração esta praga que têm se alastrado pelas igrejas com o nome de “gospel”.

Como verdadeiros cristãos herdeiros das sagradas letras, devemos seguir aquilo que nosso Santo Cristo nos deixou como regra de fé e de conduta, em todas as áreas de nossa vida, e sendo instruídos na verdade, devemos permanecer firmes nela, pois do contrário, tanto quanto os adeptos dessa tendência gospel, seremos levados por todo vento de doutrina contrário a escritura. Esse mal que têm infectado nossas igrejas, nada mais é do que o ego dos homens em busca de tornarem-se senhores de si mesmos, abraçando a fama e autopromoção, e para tal não medirão esforços, se valendo até mesmo do nome sagrado de Cristo como produto de negócio$.

Cristo triunfa!

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