Chapeuzinho Vermelho Para Universitários

Uma armadilha. Não há melhor palavra para descrever o ambiente acadêmico no Brasil hoje do que esta. Quando afirmamos isso, não estamos pensando no conhecimento que (bom ou precário) servirá de alguma forma para o desempenho de muitos jovens em seus futuros empregos, mas, levamos em consideração o tipo de ensino que com certeza é transmitido para esses mesmos jovens, ensino esse, que com certeza formará o conceito moral/ético deles, para não dizer que formará toda a sua cosmovisão.

Inevitavelmente, sabemos que isso é uma realidade, apesar de também sabermos que o ambiente acadêmico não tem esse fim como objetivo último.

Segundo o site EBC – Agência Brasil, um cálculo feito em 2014 aponta que 58,5% dos jovens entre 18 e 24 anos estão cursando algum curso superior. Dez anos antes essa taxa era de 32,9%, um crescimento de 25,6%. Talvez isso signifique pouco para alguns, mas dada a realidade do Brasil, sem dúvidas é um número expressivo.

Nossa intenção não é falar de algum tipo de avanço ou maturação do pensamento dos jovens na busca por um futuro melhor, apesar de esse ser o slogan usado por muitos para defender o ingresso dos jovens na faculdade, mas queremos refletir sobre um problema muito mais sério e alarmante que tem chamado nossa atenção.

Ao invés de ser um ambiente que incentiva o debate e o progresso rumo ao conhecimento e assim, à uma melhoria que viria de uma sociedade mais capaz de fazer por si só julgamentos e cálculos que proporcionariam uma melhoria significativa para toda a mesma, as universidades, faculdades e demais espaços acadêmicos no Brasil, têm se tornado verdadeiras fábricas de pessoas que apenas replicam a pauta disseminada pela agenda esquerdista, que dispensa apresentações em se tratado de todo tipo de ultraje à moral e aos princípios cristãos sobre os quais nossa sociedade fora construída (aliás, não só a nossa, mas muitas outras em todo o mundo). E antes que se pense em recorrer a laicidade estatal, tão advogada por muitos militantes que defendem essa mesma agenda, os princípios morais de uma sociedade podem estar diretamente atrelados à sua cultura, o que implica em uma identidade, que não depende de qualquer incentivo ou regulamentação do estado, além do mais, se esses não agridem ou ferem qualquer princípio da lei, o Estado não tem qualquer jurisdição nesse âmbito.

Adentrando um pouco mais na proposta desse artigo, o que é perceptível é que o ambiente universitário parece ter passado por uma profunda mudança. O que antes era um espaço de aprendizado, tornou-se um lugar de “transformação” (usando um eufemismo para suavizar a ideia). Não são raros os testemunhos de familiares, amigos ou até mesmo de muito alunos, alegando a alteração no modo de pensar, ver o mundo e agir de muitos que entram nos espaços acadêmicos no Brasil, fato que até virou meme na internet, basta pesquisar sobre “o antes e depois do feminismo”, “antes e depois da universidade”, e assim por diante. Citamos aqui um movimento, ou a frente de um “movimento social” para exemplificar e trazer a mente do leitor um paradigma sobre o que estamos falando.

O que motiva os jovens se impulsionarem em busca de participar de movimentos ou grupos de pessoas, que muitas vezes defendem ideias totalmente avessas aos princípios com os quais foram criados, não sabemos e nem arriscaremos delinear uma lista, temendo omitirmos algum que seja mais importante em detrimento de outros, porém, há com certeza uma receptividade maquiavélica nesses movimentos que acabam atraindo muitos jovens ao ingresso na defesa de sua pauta.

Os gritos são os mais diversos: “igualdade de gênero”, “valorização ao direito por escolha”, “justiça”, “paz e liberdade a toda forma de amor”, enfim, como dissemos antes, inúmeros são os itens, porém o que esses jovens não percebem é que esses gritos além de esconderem uma tentativa de (cunharemos um termo que talvez já tenha sido usado) “idiotização”, pervertem completamente aquilo que é bom e reto aos olhos de Deus, e a partir daqui já estreitamos o alcance de nossa reflexão.

Não obstante a toda essa tragédia no meio jovem universitário, os jovens cristãos têm sido cada vez mais fisgados por esses movimentos ou filosofias de pensamento, o que é de se espantar, ou não, numa que quando paramos para investigar o tipo de “igreja” que esses frequentam, percebemos a pobreza do evangelho que é pregado, a falsidade e adulteração da mensagem de Cristo, deixando-os completamente vulneráveis.

De repente o que parecia ser algo estranho, nas universidades, por meio do convívio com pessoas que a todo momento alegam que isso é normal, aquilo é normal, que isso é uma construção social, aquilo é produto de uma imposição ideológica opressora, acabam cedendo e, receando serem “diferentes” se misturam, seguindo a corrente.

Há cinco, talvez dois anos, eles defendiam a família tradicional, a pecaminosidade da relação homossexual, o emprego da justiça em favor da vítima e condenação do criminoso, mas agora, depois de um ano de uma intensa lavagem cerebral, as coisas mudaram. Usar drogas é só a expressão de um traço da juventude, “o amor” não segue um padrão, aliás, não existe padrão, viva a diferença!

Vídeos e mais vídeos na internet mostram não somente a existência do que estamos tratando, mas também a veemência com que isso acontece. Estudantes que pensam diferente são hostilizados. Moças que não aderem ao feminismo são consideradas como “esquisitas”, chamadas de machistas e são obrigadas a suportar todo o tipo de agressão verbal (quando não, física), rapazes são constrangidos a se manterem ou favoráveis ou no mínimo quietos frente a algum tipo de demonstração desses valores, ficarem quietos enquanto outros usam drogas, por exemplo.

Porém, a parcela de culpa não recai somente nos cidadãos de modo geral, como dissemos, a igreja está diretamente envolvida nessa decadência.

O papel da igreja aqui é primordial. Se nossas comunidades cristãs de fato, prezassem pela pregação genuína do Evangelho, com certeza, teríamos jovens capazes de conformarem suas mentes às Escrituras, levando-as cativas a Cristo, evitando pensarem como o mundo pensa, e combatendo essas ideologias através do destemido testemunho cristão que demonstra a verdade de Deus. Mas o que vemos muitas vezes, são igrejas que abrem as portas para essas filosofias satânicas, ou no mínimo se omitem, pregando sofrivelmente um cristianismo ralo e superficial.

E ainda, os pais, cada vez mais omissos ao dever de educarem seus próprios filhos, enviam estes às escolas para serem preparados para a vida, mal sabendo que lá, essas mesmas ideologias os aguardam. Mais preocupados com o trabalho do que com qualquer outra coisa, pois é através do salário que poderão trocar de carro, comprar uma boa casa, ou se vestir mais elegantemente, os pais deixam inteiramente a cargo das escolas o trabalho que era deles; ensinarem seus filhos sobre os valores que os farão bons homens e boas mulheres. Mas até isso fora afetado, pois não faz muito tempo que uma série sobre ideologia de gênero transmitida na globo exibia pais concordando com esse tipo de filosofia.

Em último lugar, nós cristãos estamos confortáveis demais em nossas poltronas para nos intrometermos em qualquer discussão. Nossa vida está tranquila demais, e não precisamos nos meter em qualquer debate político/social, afinal de contas igreja é igreja, Estado é Estado, contanto que essas coisas não se misturem, está tudo certo. Assim caminha a cristandade, a passos de formiga e sem vontade.

As faculdades e universidades do Brasil são verdadeiras “casas da vovó”, onde muitos pensando que encontraram uma boa velhinha que lhes ensinará o saber necessário para desempenharem suas vocações acadêmicas, encontram na verdade um lobo travestido de boa idosa, mas a história aqui não acaba com um caçador vindo em favor da menininha, e sim, com um lobo, pondo seu plano em prática; devorando sem piedade pobres estudantes, que agora servirão para lhes dar ainda mais força, com vistas a dominarem não somente a universidade, mas todo o país.

Ou assumimos a responsabilidade de ensinarmos nossos jovens a pensarem como Cristo pensa, ou eles serão atraídos para a casa da vovó, e lá serão devorados.

Cristo Triunfa!

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