Exortação Cristã e Disciplina Eclesiástica

 

O mundo como o conhecemos hoje passa por uma época chamada de pós modernidade, de acordo com os estudiosos. A cosmovisão predominante é o relativismo e, juntamente com ele, o infeliz “politicamente correto”. Como se não bastasse o mundo estar contaminado com essa doença terrível, a Igreja de Cristo está adoecida fatalmente.

Essa vã filosofia tem influenciado perniciosamente a forma como nos relacionamos dentro da comunidade da fé, especialmente no que se refere às exortações e à disciplina cristãs. Os ensinamentos do nosso Senhor deixam muito claro como a convivência entre irmãos deve ser realmente desenvolvida. Certamente não há espaço para um comportamento politicamente correto. Veja o que diz o evangelho de Mateus 18:15-17:

“Se teu irmão pecar [contra ti], vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano”

É realmente muito triste que esse ensinamento seja tão desprezado na Igreja moderna. Nós não compreendemos mais que comunhão verdadeira não é meramente um evento social, tal como reunião de jovens ou almoço da Igreja (apesar dessas coisas serem excelentes). Mas significa uma disposição de ajudar o irmão a progredir no seu relacionamento com Cristo (por exemplo, Davi e Jonatas em 1Sm 23:15-18). Para isto, é necessário confrontação com o pecado.

Todos nós temos mil desculpas para não confrontar alguém. Seja a “boa convivência”, “o respeito ao espaço e opinião do próximo” ou, como na maioria dos casos, “falta de intimidade”. As formas de racionalização são muitas.

Isso é resultado do espírito mundano do politicamente correto dentro da Igreja. A palavra pecado tornou-se praticamente um tabu. Não posso dizer que o irmão está em pecado, isso é muito “radical”. Não posso fazer nada que ponha em risco o “conforto” e o “bom” relacionamento da comunidade. Exortar a irmã por suas vestes nada modestas é puritanismo e censurar o irmão por seu julgo desigual é excesso de zelo. Somente pecados muito difíceis de serem aceitos socialmente, como o adultério, podem ser confrontados.

Disciplina eclesiástica então… nem se fala. Expulsar um membro por causa de um “pecadinho” impenitente? Mas esse é o ensinamento do Senhor. Se o crente já passou por todas as etapas de advertência descritas em Mateus 18 e continua impenitente, sua excomunhão é inevitável. Repare que Cristo não está limitando o pecado a questões específicas, tais como adultério ou assassinato. A expressão é bem genérica: “se teu irmão pecar contra ti”. Assim, qualquer pecado confrontado sem arrependimento está sujeito à disciplina eclesiástica (1 Co 5:11-13).

Veja como o livro de Hebreus relata o perigo dessa negligência:

“Vede, irmãos, que nunca se ache em qualquer de vós um perverso coração de incredulidade, para se apartar do Deus vivo; antes exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado;   porque nos temos tornado participantes de Cristo, se é que guardamos firme até o fim a nossa confiança inicial;” Hebreus 3:12-14

A exortação é um instrumento importantíssimo para que os crentes não sejam endurecidos pelo engano do pecado e não tenham coração perverso e incrédulo que os afastem do Deus Vivo. Isto é, Deus elegeu a confrontação como um meio pela qual Ele mantém a Igreja firme e pura.

A pureza é uma consequência natural de uma comunidade cristã que pratica esse ensino. Dificilmente os incrédulos ficarão no seio da Igreja se forem frequentemente confrontados com seus pecados. Naturalmente o joio irá sair, pois não aguentará a exortação e a santidade exigidas pela Palavra de Deus.

Agora pare e pense um pouco na seriedade disso. Pense na quantidade de pessoas que aos poucos se envolvem com o mundo e se afastam de Deus. Sabe por quê? Porque não exortamos uns aos outros, estamos muito confortáveis no nosso lugar. Não queremos problemas.

Entretanto, não podemos esquecer que o amor vem antes de tudo isso. Se sua intenção é exortar uma pessoa por pura vingança ou raiva, você não está cumprindo Mateus 18. O objetivo de toda confrontação ou disciplina é a restauração da pessoa (1 Co 5:3-5), conforme disse o Senhor, “ganhaste teu irmão“. A exortação é um instrumento de amor e não uma forma de “jogar na cara” do seu irmão o pecado que ele cometeu contra você ou outros. Isso é confirmado pelo ensino do livro de Provérbios 27:6:

“Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos.”

Antes de apontar o erro siga as instruções de Cristo. Analise seu próprio coração e tire a trave do seu olho (Mt 7:5), para que assim esteja habilitado a ajudar o próximo.

Vale notar também que tudo isso que foi dito possui um apoio confessional. Veja o que diz a Confissão de Fé de Westminster, capítulo 30, parágrafo 3.

“As censuras eclesiásticas são necessárias para chamar e ganhar para Cristo os irmãos ofensores para impedir que outros pratiquem ofensas semelhantes, para purgar o velho fermento que poderia corromper a massa inteira, para vindicar a honra de Cristo e a santa profissão do Evangelho e para evitar a ira de Deus, a qual com justiça poderia cair sobre a Igreja, se ela permitisse que o pacto divino e os seios dele fossem profanados por ofensores notórios e obstinados.”

Além de ganhar os ofensores para Cristo, impedir que outros pratiquem os mesmos erros e purificar a Igreja, a disciplina eclesiástica (assim como a exortação mútua), impede que a ira de Deus caia sobre a Igreja que está mantendo aquele pecador confortável. Veja a seriedade. A Igreja funciona como uma nação cujo magistrado civil deve punir o mal e louvar o bem (Rm 13:1-4; 1Pe 2:13-14). Quando isso não acontece, a ira de Deus cai sobre a nação por causa dos pecados não punidos. Assim também acontece na Igreja e na família (veja o exemplo de Eli em 1 Sm 2:12-17,22-24).

Que o Senhor derrame sobre nós sua graça para que exortemos uns aos outros fielmente.

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