Os Mais Miseráveis

 

“Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens” – 1Co 15.19.

 

Ao olharmos para o contexto da primeira carta de Paulo à igreja de Corinto, notamos que o apóstolo trata de assuntos e questões muito sérias. Conseguimos, mesmo com uma olhada simples e rápida, superficial, reparar que era uma igreja abençoada com todos dos mais diversos dons do Espírito (1Co 1.7). Uma congregação poderosa, bem capacitada para o trabalhar de Deus.

Entretanto, ao continuarmos a leitura pela carta, observamos que, mesmo sendo uma “igreja destaque” no quesito dons, os coríntios sofriam com no mínimo duas coisas muito perigosas quando no seio da igreja. Neste texto, desejo tratar sobre a segunda, que hei de expor.

Em primeiro lugar, então, é o que vemos contrastando o capítulo 13 da carta. Neste, Paulo dedica seus mais belos versos à declaração da magnificência do amor. Usando diversas figuras de linguagem, comparações das mais belas, o apóstolo declara que sem o amor, tudo o mais nos é inútil. Assim o faz, pois, dentro do contexto dos demais capítulos, observamos que Corinto era uma igreja que permitiu, em seu cerne, a entrada do orgulho, inveja, intrigas e discussões sem fim. O pecado tomou conta da comunhão desses irmãos, ao passo que até mesmo a finalidade dos dons espirituais estava sendo corrompido e distorcido.

Isso, infelizmente, vemos com muita frequência em nossas igrejas. Nunca encontraremos uma igreja, no sentido de instituição, perfeita e sem máculas, porém devemos lutar para que a comunhão de nossos irmãos, conosco ou com terceiros, seja regada do Fruto do Espírito, e não das Obras da Carne, como dito pelo apóstolo Paulo aos Gálatas:

 

“Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor. Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais também uns aos outros. Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis. Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei. Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, impureza, lascívia, Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito. Não sejamos cobiçosos de vanglórias, irritando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros.” (Gl 5.13-26)

 

Devemos zelar e cuidar de nossos irmãos e de nossa comunhão com cada um. Entenda, o foco deste texto ainda não foi alcançado, haja vista que pretendo trabalhar com mais afinco no que identifiquei como sendo o segundo problema da igreja de Corinto, porém não posso “pecar pela omissão” e deixar de afirmar que a comunhão de todos aqueles que fazem parte do Corpo de Cristo deve ser preservada, mantida e cuidada. O amor que vincula tudo de forma perfeita (Cl 3.14) deve estar presente no convívio “intra-eclesiástico”. Aliás, não apenas “dentro da igreja”, como também “entre as igrejas”.

Vemos, por exemplo, no Credo Apostólico, a menção à Igreja Católica, no sentido mais puro de seu significado: de todos, para todos, universal. Devemos nos livrar destes laços institucionais que nos restringem muitas vezes à crença que apenas uma denominação possui a verdade absoluta. Afirmo veementemente a necessidade de congregarmos, e creio ser completamente equivocado o entendimento dos “desigrejados”, mas não podemos viver o outro extremo e acreditar que apenas a “Igreja Fulana de Tal” preserva a Sã Doutrina.

Seguindo então o explorar destes problemas encontrados na igreja de Corinto, descrevo agora o que creio ser o mais sutil deles: o ensinamento das falsas doutrinas. Ao observarmos as cartas no Novo Testamento, vemos que quase em sua totalidade os autores enfrentaram barreiras no tocante aos ensinamentos deixados por Cristo. Se na Galácia os judaizantes, aqueles que se prendiam à Lei, eram o problema, em Corinto Paulo teve de tratar com aqueles que afirmavam não existir ressurreição, ou que Cristo não ressuscitou.

Avistado este problema, o apóstolo dos gentios trata de narrar à igreja de Corinto toda a base da Fé Cristã: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras (1Co 15.3-4). De tais pontos, então, nos é necessário entender alguns quesitos mais detalhados sobre estas afirmações. Nestes dois versículos, Paulo afirma que Cristo morreu por nós, pagando assim a nossa dívida, carregando o peso de nossos pecados e falhas. Ainda, que o Senhor Jesus ressuscitou ao terceiro dia, justificando-nos destes mesmos erros, fazendo-nos apresentáveis aos olhos do Pai. Como escreve o mesmo apóstolo, porém à igreja que estava em Roma, Cristo “foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Rm 4.25). E, pondo fim a este “parêntese” aberto, todo este ensinamento que o apóstolo traz à igreja é baseado nas Escrituras. Não há doutrina cristã que possa ser válida se não for estruturada na Palavra de Deus.

Então, digo que estes “falsos ensinos” são um problema sutil, pois o pior inimigo é o que está do lado de dentro. Estes falsos mestres, marionetes nas mãos do inimigo, afirmavam de forma perspicaz que não havia razão de crer na ressurreição. A estes, Paulo então separa parte de sua carta para os refutar. Aborda, de forma clara, alguns pontos, a saber (1 Co 15.14-19):

1) Se não há ressurreição, Cristo não ressuscitou;
2) Se Cristo não ressuscitou, a pregação do Evangelho é vã, da mesma forma que a Fé;
3) Se Cristo não ressuscitou, todo aquele que prega o Evangelho é falsa testemunha de Deus, pois afirma que Ele fez algo que, em tese, não o fez;
4) Se Cristo não ressuscitou, ainda permanecemos no pecado, e, por isso, somos dignos e merecedores de toda a condenação Divina;
5) Se Cristo não ressuscitou, aqueles que morreram crendo na ressurreição, em vão morreram e apenas dormem;
6) Se Cristo não ressuscitou, somos os mais miseráveis de todos os homens.

Vê, leitor? A simples afirmação de que não há ressurreição “põe em xeque” toda a esperança do Cristianismo. Graças ao Pai que, ao analisarmos as Escrituras, vemos ser falsa esta afirmação, e que nossa esperança não é vã!

É exatamente por isso que Paulo afirma, no versículo 19, que seríamos os mais infelizes de todos os homens, se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida. Quer dizer que, se assim o crêssemos, teríamos expectativa de que nossas obras nos salvariam, bem como que nossa obediência à Lei nos justificaria. Não apenas isto, mas que o alto preço que foi pago pela fé professada por nossos irmãos teria sido em vão. Como nada.

Esta, amado leitor, não é a realidade.

Nossa esperança não é vã, e não somos os mais miseráveis dentre todos os homens, pois cremos que Cristo morreu e ressuscitou por nós. Nossa esperança não se limita a esta vida, mas vai além. Nossa esperança está em Cristo Jesus, que há de nos buscar. Pois, nas palavras de Paulo,

 

“Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo.” (1 Co 15.22)

 

Sob a Graça,

Daniel Rodrigues Kinchescki

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