Perseverando na Doutrina

Autor: Arlley Pereira

 

Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho.
2 João 1:9

Quando falamos na doutrina da Perseverança dos Santos, de forma geral, imediatamente enfatizamos a continuidade da obra de Cristo na vida dos santos, para mantê-los praticantes das boas obras que Deus mesmo preparou que eles andassem nelas (Ef 2:10). Embora tal ênfase seja de vital importância, não podemos deixar de relatar igualmente a obra que Cristo opera nos Seus filhos para mantê-los firmes na compreensão verdadeira da doutrina.

No dia em que fomos alcançados e chamados pelo Espírito Santo de Deus, nossos corações foram mudados. Nós fomos unidos a Cristo e à Sua verdade. Nesse momento, Deus abriu os nossos olhos para que pudéssemos apreender e compreender a verdade sobre os nossos pecados, a justificação feita por Cristo e a comunhão outrora perdida que, mediante sua obra, Ele restabeleceu conosco.

Uma das evidências para que tenhamos certeza de que somos de Cristo é que Ele nos preserva em Sua verdade. Se em dado momento seus filhos se desviam da Verdade, Cristo inevitavelmente os trará de volta à palavra. Mas se permanecem crendo no erro finalmente, depois de haverem sido exortados e não manifestarem arrependimento, nunca, de fato, O conheceram. Por isso, uma vez que a correta crença na doutrina de Cristo foi o que nos trouxe para Ele e que Ele preserva os Seus na verdade, segue-se que, passar a acreditar em doutrinas erradas sobre Cristo é crer em outro evangelho e, por consequência não ter parte com Deus.

Na segunda carta de João, ele nos adverte quanto a esse fato. Todo o que prevarica, isto é, todo o que falha no cumprimento daquilo que lhe foi confiado e não se mantém fiel à doutrina de Cristo, não tem a Deus. Visto que Cristo é o próprio Deus encarnado, não crer corretamente em Cristo é não crer corretamente em Deus Pai. E, se só podemos ser unidos a Deus por meio de Cristo, não ter a Cristo é não ter o Pai. Ampliando o conceito, de forma igualmente válida, considerando que Espírito Santo é a terceira pessoa da trindade, crer incorretamente acerca do Espírito Santo é crer incorretamente sobre Deus Pai e, por consequência, não ter comunhão com o Deus trino. O texto segue reafirmando o mesmo ponto, mas de forma positiva: Perseverar na doutrina de Cristo é ter comunhão com o Deus trino.

A pergunta que fazemos de imediato é sobre qual doutrina especificamente o apóstolo João em sua carta estaria tratando. Isto é, em qual ou em quais doutrinas a respeito de Cristo precisamos perseverar de tal forma que o desvio delas significaria não ter a Deus?

Considerando de forma restritiva, o apóstolo poderia estar se referindo especificamente às doutrinas sobre a pessoa de Cristo. Se fosse o caso, assim como defende o teólogo batista John Gill em seu comentário dessa carta, a referência do apóstolo seria

“[…] a doutrina que trata de sua pessoa como o Filho de Deus, e como verdadeiramente Deus, e a união das duas naturezas, divinas e humanas, em sua única pessoa; E quanto ao seu ofício, como mediador, fiador e mensageiro da aliança, e como profeta, sacerdote e rei de sua igreja; E sobre sua encarnação, obediência, sofrimentos, morte, ressurreição, ascensão ao céu, estando à direita de Deus, intercessão pelo seu povo e segunda vinda ao julgamento; A respeito da paz e do perdão pelo seu sangue, a expiação pelo seu sacrifício, a justificação pela sua justiça e a completa salvação por ele” [1]

Tal rol de doutrinas já perpassaria, de forma direta ou indireta, boa parte de doutrinas tratadas nas Escrituras. Mas visto que a doutrina sobre a pessoa de Cristo revela Sua autoridade e divindade, e que não podemos separar as ações de Cristo e quem Ele foi daquilo que Ele ensinou, segue-se que, se o apóstolo se refere apenas a doutrina sobre a pessoa de Cristo, então ele se refere também necessariamente a toda a doutrina ensinada por Cristo. Assim, teríamos a totalidade de doutrinas aqui inclusas. Cristo não só ensinou diretamente sobre inúmeras doutrinas por meio de parábolas, milagres e Sua vida perfeita. Ele também vindicou e reafirmou todos os preceitos do Antigo Testamento (Mt 5:16,17; Lc 24:25-27) – alguns Ele cumpriu, outros foram cumpridos nEle – e dos apóstolos que seriam lembrados e instruídos pelo Espírito Santo a explicarem as doutrinas de Cristo aos que haveriam de crer (Lc 14:26).

Em resumo, afastar-se final e irreversivelmente da fiel doutrina, e ser levado por “todo vento de doutrina” sem arrependimento, é uma evidência de alguém que nunca conheceu realmente a Cristo. Mas não desanimemos, Cristo promete preservar os Seus. Confiamos e descansamos em Suas promessas. Mas não negligenciemos nosso dever de buscar diligentemente o conhecimento de Cristo nas Escrituras, principalmente nos regozijando com a verdade, mas também aprendendo a nos protegermos de falsas doutrinas, “derribando raciocínios e toda a altura que se levanta contra a ciência de Deus, e levando a cativeiro todo o pensamento para a obediência a Cristo” (2 Co 10:5).

 

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REFERÊNCIAS

[1] http://www.biblestudytools.com/commentaries/gills-exposition-of-the-bible/2-john-1-9.html

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