Pressupondo as Escrituras

A Bíblia é o ponto de partida do cristão. Ela contém, não apenas diretrizes específicas acerca do viver cristão e sobre o relacionamento do homem com Deus, mas todas as proposições principiológicas necessárias para que alguém seja perfeitamente preparado para a vida no mundo criado por Deus. Não poderia ser diferent. Visto que Deus é o Criador do mundo, Ele também é Aquele que possui todo o conhecimento necessário para a viabilidade da vida humana. Esse conhecimento, na totalidade daquilo que se faz necessário, foi-nos revelado nas Escrituras.

Dizer que a Escritura é o ponto de partida do cristão, é igualmente dizer que ela é o seu pressuposto inicial. Um pressuposto, ou um conjunto de pressuposições, é um elemento proposicional a partir do qual alguém examina os fatos a sua volta. Assim, um pressuposto inicial é aquele por meio do qual alguém interpreta sua vivência no mundo, ou, dizendo de outra forma, um pressuposto inicial é o princípio definidor da cosmovisão de um indivíduo.

Como princípio definidor da cosmovisão de um cristão, a Escritura é pressuposta mediante a operação sobrenatural do Espírito Santo. Embora a conversão não possa ser exclusivamente definida como um assentimento intelectual, no momento em que Deus chama os Seus filhos à salvação Ele os revela e os leva a assentir racionalmente às proposições sobre a obra de Cristo na cruz para justificação, a realidade da natureza caída do homem, a necessidade de arrependimento, entre outras. Aceitar tais verdades, dado que são reveladas mediante a pregação do evangelho contido nas Escrituras, requer uma aceitação consciente ou inconsciente das Escrituras que as revelam. Assim, o cristão é levado pelo Espírito Santo de Deus à submissão ao conteúdo pressuposicional das Escrituras.

Dessa forma, a Escritura não precisa de princípios externos, sejam eles científicos ou derivados da experiência pessoal para justificá-la. Seu conteúdo é necessariamente verdade por força revelacional. Visto que Deus revelou seu conteúdo aos homens, ele necessariamente assegurou a eficácia dessa transmissão, bem como a inalterabilidade de suas verdades ao longo da história. A Escritura é verdadeira porque Deus assim o diz e Ele revela essa autoridade última aos Seus filhos. Isso não significa que a palavra revelada não possa interagir com argumentos históricos e científicos e ser reforçada por eles. Mas significa que a autoridade da Escritura é, antes de tudo, epistemológica.

Alguém pode objetar que tal informação não é suficiente para justificar a veracidade das Escrituras por ser uma argumentação circular. Uma argumentação circular é identificada por um conjunto de proposições fixas que se autojustificam com base um entendimento prévio não provado. Dessa forma, a justificativa apresentada para a veracidade das Escrituras seria baseada numa argumentação circular, pois pressupõe a existência de um Deus onipotente que se revela por meio de proposições contidas na Escritura, mas que tal informação só pode ser reconhecida dentro da própria Escritura. Objetariam, assim, que os cristãos extraem a veracidade do escopo por meio de proposições contidas no mesmo escopo que pretendem provar. Essa oposição é frágil. Conquanto ela sorrateiramente tenta remover o contexto sobrenatural da revelação da veracidade das Escrituras à mente do cristão no momento de sua regeneração, ela também ignora que toda pressuposição inicial deve ser necessariamente provada por algum tipo de argumentação circular.

O pressuposto inicial de uma cosmovisão é sempre provado por argumentação circular, pois se houvesse um princípio externo que o justificasse, seria este o pressuposto inicial e não aquele. Ou seja, se o primeiro princípio é provado por alguma premissa anterior, então ele não é um primeiro princípio de fato, mas a premissa que o justificou sempre foi o primeiro princípio. Dessa forma, um pressuposto, pela sua própria natureza, deve ser sempre assumido e nunca deduzido de proposições anteriores. Assim, seja assentindo à capacidade racional (racionalismo) ou à capacidade sensorial (empirismo) de obter o conhecimento como elemento pressuposicional – ou mesmo a afirmação da proposição auto-contraditória de que não é possível conhecer (irracionalismo) – todos, necessariamente, se sujeitam a pressupostos assumidos e não justificados por evidências anteriores. Por exemplo, um empirista pressupõe necessariamente a validade, capacidade e eficácia apenas da experiência sensorial para apreender a verdade. Mas o seu primeiro princípio não é provado por meio de premissas externas. Esse primeiro princípio, a experiência sensorial, é apenas assumido com base no mesmo pressuposto que se pretende provar, isto é, a eficácia da sensação humana.

Entretanto, embora pressupostos sejam sempre assumidos, isso não significa que eles não possam ser postos à prova. Um pressuposto inicial deve preencher requisitos lógicos para ser um método epistemológico confiável, tais como, ser auto-autenticador, ter coerência, responder satisfatoriamente as questões últimas do conhecimento e não ser contraditório. Somente a Escritura preenche todos estes requisitos, e não só se justifica, mas fundamenta sua autoridade na inspiração divina. Ela se justifica quando revela um Deus soberano que força a necessidade dos pressupostos iniciais que Ele mesmo determina e que comunica à mente dos eleitos a veracidade de suas palavras. Como cristãos, devemos ousadamente afirmar a superioridade da cosmovisão bíblica. Nós temos a mente de Cristo; temos a revelação infalível de Deus em mãos. Em oposição a nós há apenas homens caídos que tentam subverter o conhecimento de Deus e trocá-lo por suas próprias convicções pecaminosas. Lembremos que o reinado de Cristo é absoluto e Ele reivindica o senhorio sobre tudo e todos, sobre palavras e ações, e também sobre pensamentos e pressupostos.

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