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A Doutrina do Arrependimento (2)


Nesta série, vamos debruçar em torno da doutrina do arrependimento com Thomas Watson. Todo conteúdo está postado numericamente em ordem subsequentes, para ter amplo e completo entendimento em torno da doutrina do arrependimento é necessária que siga as dispensações nas quais os artigos foram publicados aqui no site. Este texto é o segundo artigo da série, visite todos os artigos da série clicando aqui.


Para descobrir o verdadeiro significado do arrependimento, mostrarei primeiro o que não é arrependimento. Há vários falsos arrependimentos que sugerem a afirmação de Agostinho, que “o arrependimento condena muitos”, isto é, um falso arrependimento; uma pessoa pode se iludir nisso.

1. O primeiro engano do arrependimento é o pavor legal.

Um homem passou muito tempo no pecado, por fim, Deus o converte, mostra-lhe o perigo terrível que esse homem correu, ele está cheio de pavor. Dentro de um momento, a tempestade da consciência é iniciada e ele então se aquieta. Então, ele conclui que essa experiência foi um sinal do verdadeiro arrependimento porque sentiu alguma amargura no pecado. Não se deixe enganar: Isso não é arrependimento. Acabe e Judas tiveram experiências parecidas como essa. Uma coisa é ser um pecador apavorado e outra é ser um pecador arrependido. Senso de culpa, de fato, é suficiente para gerar um pavor. A infusão da graça produz arrependimento. Se o pavor e suas consequências forem suficientes para se alcançar o arrependimento, então os condenados no inferno devem ser os mais penitentes, pois estão em muito apavorados. O arrependimento depende de uma mudança de coração. Portanto, é possível que haja o pavor, mas não haja a mudança do coração.

2. Outro engano sobre o arrependimento é a resolução¹ contra o pecado.

Uma pessoa pode propor e fazer votos, mas não ser contrito. “(…) dizias tu: Nunca mais transgredirei” (Jr 2:20a). Aqui está uma resolução; mas veja o que segue: “(…) contudo em todo o outeiro alto e debaixo de toda a árvore verde te andas encurvando e prostituindo-te (Jr 2:20b). Apesar de seu voto solene, usou-se de barganha para com Deus, pois quebrou o voto e se prostrou diante de seus ídolos. Vemos, por experiência, que uma pessoa em seu leito de doença pode fazer votos, para que Deus a recupere novamente; mas, ainda assim ela quebrará tais votos piorando sua situação. Assim, se mostra seu antigo coração em cada nova tentação.

Resoluções contra o pecado podem surgir:

A. De uma situação extrema; não porque o pecado é maligno, mas por ser algo doloroso [ou desconfortável]. Essa resolução desaparecerá.

B. Do medo do mal futuro, uma apreensão da morte e do inferno: “E olhei, e eis um cavalo amarelo, e o que estava assentado sobre ele tinha por nome Morte; e o inferno o seguia (…)” (Ap 6:8). Um pecador faria qualquer coisa, qualquer voto, quando ele sabe que deve morrer e ficar diante do tribunal. O amor próprio gera um voto no leito de enfermidade e o amor ao pecado prevalecerá contra ele. Não confie em uma resolução apaixonada; é levantada em uma tempestade e desaparecerá quando a tempestade ir embora.

3. O terceiro engano sobre o arrependimento é a partida de muitos caminhos pecaminosos.

É uma grande questão, confesso, para deixar o pecado. Então, querido é o pecado para o homem que prefere ter parte com a luxúria do que com um filho: “Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu ventre pelo pecado da minha alma?” (Mq 6:7b). O pecado pode ser deixado, mas mesmo assim sem o arrependimento.

  1. Um homem pode deixar alguns pecados e manter outros, pois Herodes reformou muitas coisas que estavam erradas, mas não pôde deixar seu incesto.
  2. Um velho pecado pode ser deixado para entreter um novo, pois você adia um antigo em troca de outro. O pecado pode ser trocado e o coração permanece inalterado. Aquele que foi pródigo em sua juventude, torna-se usurário na sua velhice. Um escravo é vendido a um judeu; o judeu o vende a um turco. Aqui o mestre é mudado, mas ele ainda é um escravo. Então um homem se move de um vício para outro, mas permanece no pecado ainda.
  3. Um pecado pode ser deixado não pela força da graça, mas por razões de interesses próprios. Um homem vê que, embora tal pecado seja para seu prazer, ainda assim não é de tudo favorável. Ele vai prejudicar o seu status, sua saúde, seus bens. Portanto, por razões de interesses, ele rejeita o pecado. A verdadeira saída do pecado é quando os atos dele cessam por meio do poder da graça, como a atmosfera deixa de ser escura por meio do poder da luz.

NOTAS:
[1] Resoluções são ‘propostas’ ou ‘votos’ que nos tempos antigos pessoas faziam tendo o intuito de se purificarem e servirem a Deus. Era comum que, na época do autor, pessoas escrevessem suas próprias resoluções a fim de não pecarem contra Deus. Thomas Watson, talvez, se viu na obrigação de expor as falsas resoluções que muitos faziam na época, embora tinham uma finalidade boa, ficavam somente na teoria e não eram colocadas em prática.

2019 © Traduzido por Amanda Martins, revisado por Elnatan Rodrigues. Áudio por Sérgio Cavazzoni.

Thomas Watson

Thomas Watson

Thomas Watson (1620-1686) foi um pregador puritano no século XVI. Watson é autor de diversas obras teológicas, destacando-se a obra "A Body of Divine".

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