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A Doutrina do Arrependimento (3)


Nesta série, vamos debruçar em torno da doutrina do arrependimento com Thomas Watson. Todo conteúdo está postado numericamente em ordem subsequentes, para ter amplo e completo entendimento em torno da doutrina do arrependimento é necessário que siga as dispensações nas quais os artigos foram publicados aqui no site. Este texto é o terceiro artigo da série, visite todos os artigos da série clicando aqui.


Mostrarei agora o que é o arrependimento fundamentado no evangelho. O arrependimento é uma graça do Espírito de Deus, através do qual um pecador é interiormente humilhado e visivelmente reformado. Para melhor dizer, o arrependimento é como um remédio espiritual, composto de seis ingredientes especiais:

  1. Visão do pecado (tratado neste artigo);
  2. Tristeza pelo pecado (tratado neste artigo) ;
  3. Confissão do pecado (próximo artigo);
  4. Vergonha pelo pecado (próximo artigo);
  5. Ódio pelo pecado (próximo artigo);
  6. Desviando do pecado (próximo artigo).

Se alguma dessas virtudes é deixada de fora, o arrependimento perde sua veracidade.

Ingrediente 1: visão do pecado

A primeira parte trabalhada em nós, por Cristo, no arrependimento é a visão (At 26:18). Esta é uma grande evidência no arrependimento do filho pródigo: “tornando em si” (Lc 15:17). Ele se viu pecador e nada além de um pecador. Antes que um homem possa vir a Cristo, ele deve primeiro tornar a si mesmo. Salomão, em sua descrição do arrependimento, considera isso como o primeiro ingrediente: “E na terra aonde forem levados em cativeiro caírem em si” (1 Rs 8:47). Um homem deve primeiro reconhecer e considerar qual é o seu pecado, e conhecer a praga do seu coração, antes que ele possa ser devidamente humilhado por isso. A primeira criação de Deus foi a luz, assim, a primeira coisa em um penitente é a iluminação: “mas agora sois luz no Senhor” (Ef 5: 8). O olho é feito tanto para ver como para chorar. O pecado deve primeiro ser visto antes que possa ser chorado.

Por isso, deduzo que onde não há visão do pecado, não pode haver arrependimento. Muitos são capazes de encontrar as falhas nos outros, mas não veem nenhuma em si mesmos. Eles choram dizendo ter um bom coração. Não é estranho que dois vivam juntos, comam e bebam juntos, mas não se conheçam? Tal é o caso de um pecador. Seu corpo e alma vivem juntos, trabalham juntos, mas ele não está familiarizado consigo mesmo. Ele não conhece seu próprio coração, nem o inferno que ele carrega em si. Um véu oculta seu rosto deformado. As pessoas estão encobertas e disfarçadas com a ignorância e o amor próprio; portanto, eles não veem as almas deformadas que têm. O diabo faz com eles como o falcoeiro faz com o falcão, cegando e levando para o inferno: “a espada cairá sobre o seu olho direito” (Zc 11:17). Os homens têm discernimento suficiente em assuntos mundanos, mas o olho de sua mente é ferido.

Ingrediente 2: Tristeza pelo Pecado

“afligir-me-ei por causa do meu pecado”
(Sl 38:18b)

Ambrósio chama a tristeza de amargura da alma. A palavra hebraica “ficar triste” significa “ter a alma crucificada”. Isso deve ser verdadeiro no arrependimento: “e olharão para mim, a quem traspassaram; e prantearão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito” (Zc 12.10), como se sentissem os cravos da cruz grudados em seus lados. Assim como uma mulher não pode esperar dar à luz sem dores, o arrependimento não pode ser efetivo sem a aflição de alma. Aquele que pode se arrepender sem se entristecer, suspeite desse arrependimento.

Os mártires derramaram sangue por Cristo e os penitentes derramaram lágrimas pelo pecado: “E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas” (Lc 7:38). A tristeza de seu coração correu para fora em seu olho. A pia de bronze para os sacerdotes lavarem (Ex 30:18) tipificava uma pia dupla: a pia do sangue de Cristo que devemos lavar pela fé, e a pia de lágrimas que devemos lavar pelo arrependimento. Um verdadeiro penitente luta para trabalhar seu coração em arrependimento sincero. Ele abençoa a Deus quando ele pode chorar; Ele está contente com um dia chuvoso, pois ele sabe que é um arrependimento que ele não terá motivos para se arrepender. Embora o pão da tristeza seja amargo ao paladar, ele fortalece o coração (Sl 104:15; 2Co 7:10).

Essa tristeza pelo pecado não é superficial: é uma santa agonia. É chamado na Escritura de partir o coração: “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” (Sl 51:17); e um rasgar do coração: “E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor vosso Deus” (Jl 2:13). As expressões de “ferir na coxa” (Jr 31:19), “bater no peito” (Lc 18:13), “vestir-se de saco” (Is 22:12), “arrancar os cabelos” (Ed 9: 3) são apenas sinais exteriores de tristeza interior. Essa tristeza é:

  1. Para tornar Cristo precioso. Quão desejável é um Salvador para uma alma perturbada! Agora, Cristo é realmente Cristo, e misericórdia é misericórdia. Até que o coração esteja cheio de compunção, não é adequado para Cristo. Quão bem-vindo é um cirurgião para um homem que está sangrando em suas feridas!
  2. Expulsar o pecado. O pecado gera tristeza e a tristeza mata o pecado. A santa tristeza é o meio para purificar a alma dos maus humores. Dizem que as lágrimas dos ramos da videira são boas para curar a lepra. Certamente as lágrimas que caem do penitente são boas para curar a lepra do pecado. A água salgada das lágrimas mata o verme da consciência.
  3. Para abrir caminho para o conforto sólido: “Os que semeiam em lágrimas colherão em alegria” (Sl 126:5). O penitente tem um tempo úmido de semente, mas uma colheita deliciosa. O arrependimento rompe o abscesso do pecado, e então a alma fica à vontade. Ana, depois de chorar, foi embora e não ficou mais triste (1Sm 1:18). A preocupação da alma de Deus pelo pecado é como a angustiante inquietude do anjo (Jo 5:4), que abriu caminho para a cura.

Mas nem toda tristeza evidencia verdadeiro arrependimento. Há tanta diferença entre a verdadeira e a falsa tristeza quanto entre a água na primavera, que é doce, e a água no mar, que é salgada. O apóstolo fala de uma aflição “segundo Deus” (2Co 7: 9). Mas o que é essa tristeza piedosa? Existem seis qualificações:

Primeiro, a verdadeira tristeza divina é interior. É para dentro de duas maneiras:

  1. É uma tristeza do coração. A tristeza dos hipócritas está em seus rostos: “eles desfiguram seus rostos” (Mt 6:16). Eles fazem um semblante azedo, mas sua tristeza não vai além, como o orvalho que molha a folha, mas não encharca a raiz. O arrependimento de Acabe estava em aparente demonstração. Suas vestes eram rasgadas, mas não seu espírito (1Re 21:27). A tristeza divina é profunda, como uma veia que sangra interiormente. O coração sangra pelo pecado: “compungiram-se em seu coração” (At 2:37). Como o coração tem função e culpa importante no pecado, assim deve estar em tristeza.
  2. É uma tristeza pelos pecados do coração, os primeiros surtos e levantes do pecado. Paulo sofreu pela lei em seus membros (Rm 7:23). O verdadeiro enlutado chora pelas agitações; de orgulho e concupiscência. Ele sofre pela “raiz da amargura”, embora nunca floresça em ação. Um homem perverso pode ter problemas por pecados escandalosos; um verdadeiro convertido lamenta os pecados do coração.

Segundo, a tristeza segundo Deus é sincera

  1. A tristeza é gerada por conta da ofensa a Deus, e não pela punição de Deus. A lei de Deus foi violada, seu amor abusado. Isso derrete a alma em lágrimas. Um ladrão sente muito quando é levado, não porque ele roubou, mas porque ele tem que pagar a penalidade. Os hipócritas se afligem apenas pela amarga consequência do pecado, quando são pegos. Existe uma fonte que envia córregos apenas na noite antes de uma fome. Da mesma forma, os olhos do hipócrita nunca derramam lágrimas, exceto quando os julgamentos de Deus estão se aproximando. O faraó ficou mais preocupado com os sapos e o rio de sangue do que com seu pecado. Tristeza divina, no entanto, é pelas amargas transgressões contra Deus, de modo que mesmo se não houvesse consciência para ferir, nenhum diabo para acusar, nenhum inferno para punir, nenhum homem a apanhar o culpado, ainda assim a alma ainda seria entristecida por causa do pecado feito a Deus. “Meu pecado está sempre diante de mim” (Sl 51: 3); Davi não diz: “A espada punitiva está sempre diante de mim”, mas “meu pecado”. Aquilo o que ofende a Deus quebra o meu coração!
  2. A tristeza segundo Deus mostra-se sincera porque, quando um cristão sabe que está fora do alvo do inferno e jamais será condenado, ainda assim sofre por pecar contra a graça que o perdoou.

Terceiro, a tristeza segundo Deus é confiante.

É misturada com fé: “o pai da criança clamou e disse com lágrimas: Senhor, eu creio” (Mc 9:24). Aqui estava a tristeza pelo pecado cheio de fé, como vemos um arco-íris brilhante aparecer em uma nuvem aquosa. A tristeza espiritual afundará o coração se a polia da fé não o elevar. Como o nosso pecado está sempre diante de nós, a promessa de Deus deve estar sempre diante de nós. Quando sentimos o nosso aguilhão, devemos olhar para Cristo, nossa serpente de bronze. Alguns têm rostos tão inchados de pesar mundano que mal conseguem olhar para fora de seus olhos. O pranto que cega a fé não é bom. Se não há sinais de fé na alma, não é a tristeza da humilhação, mas do desespero.

Quarto, a tristeza segundo Deus é uma grande tristeza

“Naquele dia haverá um grande luto, como o luto de Hadadrimmon” (Zc 12: 9). Dois sóis se puseram no dia em que Josias morreu e houve um grande luto fúnebre. A tal altura deve pesar o coração pelo pecado. “Pectore ab imo suspiri” a [‘Suspiros do fundo do coração’].

Perguntas em torno da tristeza pela pecado

Pergunta 1: Todos têm o mesmo grau de tristeza?

Resposta: Não, alguns tem maior ou menor tristeza. No novo nascimento, todos têm dores, mas alguns têm dores mais agudas do que outros.

(i) Alguns são naturalmente de uma disposição mais rude, de espíritos mais elevados, e não são facilmente levados a inclinar-se. Estes devem ter maior humilhação, pois uma peça nodosa de madeira deve ter mais cunhas nela.

(ii) Alguns foram mais ofensores hediondos, e sua tristeza deve ser adequada ao seu pecado. Alguns pacientes têm suas feridas tratadas com uma agulha, outros com uma lança. Alguns pecadores devem ser mais feridos com o martelo da lei.

(iii) Alguns são designados e cortados para um serviço mais elevado, para serem eminentemente instrumentais para Deus, e deve haver uma obra de humilhação mais poderosa que fira. Aqueles a quem Deus pretende fazer colunas em sua igreja devem ser mais bem entendidos. Paulo, o príncipe dos apóstolos, que deveria ser o portador da bandeira de Deus para levar seu nome diante dos gentios e reis, deveria ter seu coração mais profundamente lançado pelo arrependimento.

Pergunta 2: Mas quão grande deve ser o sofrimento pelo pecado em todos?

Resposta: Deve ser tão grande que supere qualquer perda mundana. “Eles olharão para mim a quem eles trespassaram, e se lamentarão como por um filho único” (Zc 12.10). A tristeza pelo pecado deve superar a tristeza mundana. Devemos nos afligir mais por ofender a Deus do que pela perda de relações queridas. “E o Senhor DEUS dos Exércitos, chamou naquele dia para chorar e para prantear, e para raspar a cabeça, e cingir com o cilício” (Is 22:12): isso era para o pecado. Mas no caso do enterro dos mortos encontramos Deus proibindo as lágrimas e a calvície (Jr 22:10; 16:6), para evidenciar que a tristeza pelo pecado deve exceder a tristeza no túmulo; e com razão, pois no sepultamento dos mortos é apenas um amigo que parte, mas em pecado, é Deus quem parte.

(i) A tristeza pelo pecado deve ser tão grande a ponto de engolir todas as outras tristezas, como quando a dor da pedra e da gota se encontram, a dor da pedra engole a dor da gota. Devemos encontrar maior amargura no choro pelo pecado do que sempre encontramos doçura ao nos rendermos a ele. Certamente, Davi encontrou mais amargura no arrependimento do que jamais encontrou consolo em Bate-Seba.

(ii) Nossa tristeza pelo pecado deve ser tal que nos faça querer abandonar os pecados que trouxeram a maior renda de lucro ou deleite. O físico mostra-se forte o suficiente quando expurgou nossa doença. O cristão chegou a uma medida suficiente de tristeza quando o amor do pecado é eliminado.

Quinto, a tristeza segundo Deus em alguns casos se une à restituição

Quem quer que tenha ofendido os outros em seus bens por meio de um trato fraudulento e injusto, deve, em consciência, recompensá-los. Existe uma lei expressa para isso: “ele deve pagar a sua transgressão com o seu principal, e acrescentar-lhe a quinta parte, e dá-lo a quem ele tem transgredido” (Nm 5:7). Assim, Zaqueu fez a restituição: “Se de alguma maneira eu tomei alguma coisa de homem algum por falsa acusação, o restituirei quatro vezes” (Lc 19:8). Quando Selynius, o grande turco, jazia em seu leito de morte, sendo incitado por Pirro a empregar caridosamente a riqueza que havia prejudicado os mercadores persas, ele ordenou que ele fosse devolvido aos donos certos. Não será um credo cristão melhor do que o Alcorão de um turco? É um mau sinal quando um homem em seu leito de morte deixa sua alma a Deus e seus bens ilícitos para seus amigos. Eu mal posso pensar que Deus receberá sua alma. Agostinho disse: “Sem restituição, sem remissão”. E foi um bom discurso do velho Latimer: “Se não restaurardes bens injustamente adquiridos, estareis no inferno”.

Perguntas em torno da restituição

Pergunta 1: Suponha que uma pessoa tenha prejudicado outra em sua propriedade e o homem prejudicado esteja morto. O que ele deve fazer

Resposta: Que ele restaure seus bens ilícitos aos herdeiros e sucessores daquele homem. Se nenhum deles estiver vivo, seja ele restaurado a Deus, isto é, que ele coloque seu lucro injusto no tesouro de Deus, aliviando os pobres.

Pergunta 2: E se a parte que fez o erro estiver morta?

Resposta: Então aqueles que são seus herdeiros devem fazer a restituição. Marque o que eu digo: se houver alguém que tenha propriedades recebidas, sabendo que são fruto de fraudes, então os herdeiros ou executores que possuem essas propriedades estão ligados em consciência a fazer restituição, caso contrário eles implicam a maldição de Gad sobre sua família.

Pergunta 3: Se um homem prejudicou outro e não tem condições de restaurar o prejuízo, o que ele deveria fazer?

Resposta: Que ele se humilhe profundamente diante de Deus, prometendo à parte prejudicada plena satisfação se o Senhor o capacitar, e Deus aceitará a vontade para a ação.

Sexto, a tristeza segundo Deus é permanente

Não são algumas lágrimas derramadas em uma paixão que testificará o arrependimento. Alguns cairão em pranto em um sermão, mas é como uma chuva de abril, que logo vem e cessa, ou como se uma veia se abrisse e parasse de novo. A verdadeira tristeza deve ser habitual. Ó cristão, a doença da sua alma é crônica e frequentemente retorna sobre você; portanto, você deve estar continuamente se alimentando pelo arrependimento. Essa é a tristeza que é “segundo Deus”.

Existem aqueles que nunca tiveram essa tristeza divina! Tais são:

  1. Os papistas, que deixam de fora a alma do arrependimento, fazendo todo trabalho penitencial consistir em jejum, penitência, peregrinações, nas quais não há nada de tristeza espiritual. Eles torturam seus corpos, mas seus corações não estão alugados. O que é isto senão a carcaça do arrependimento?
  2. Protestantes carnais, que são estranhos à tristeza divina. Eles não podem suportar um pensamento sério, nem trabalham suas cabeças sobre o pecado. Os pecadores passam seus dias de alegria; Eles jogam fora a tristeza e vão dançar para a condenação. Alguns viveram muitos anos, mas nunca colocaram uma gota na garrafa de Deus, nem sabem o que significa um coração quebrantado. Eles choram e torcem as mãos como se fossem desfeitos quando suas propriedades se foram, mas não têm agonia de alma pelo pecado.

Há duas tristezas: em primeiro lugar, uma tristeza racional, que é um ato da alma quando tem uma indiferença contra o pecado e escolhe qualquer tortura em vez de admitir o pecado; em segundo lugar, há uma sensível tristeza, que é expressa por muitas lágrimas. O segundo, que é uma tristeza correndo para o olho, nem todos têm. No entanto, é muito louvável ver um penitente choroso. Cristo conta como grandes beldades aqueles que têm olhos delicados; e bem pode o pecado nos fazer chorar. Geralmente choramos pela perda de algum bem grande; pelo pecado nós perdemos o favor de Deus. Se Mica chorou tanto pela perda de um deus falso, dizendo: “Vocês tiraram os meus deuses e o que eu tenho mais?” (Jz 18:24) então, bem podemos chorar por nossos pecados que nos tiraram o verdadeiro Deus.

Alguns podem perguntar se nosso arrependimento e tristeza devem ser sempre iguais. Embora o arrependimento deva ser sempre mantido vivo na alma, ainda assim existem dois de uma maneira extraordinária:

I. Antes do recebimento da Ceia do Senhor.

Esta Páscoa espiritual deve ser comido com ervas amargas. Agora nossos olhos devem ser frescos, cheios de lágrimas, e o fluxo de tristeza transborda. Um arrependimento é sacramental. Um coração partido e um Cristo crucificado se harmonizam. Quanto mais amargura provarmos no pecado, mais doçura provaremos em Cristo. Quando Jacó chorou, encontrou Deus: “E chamou o nome do lugar de Peniel, porque vi Deus face a face” (Gn 32:30). A maneira de encontrar Cristo confortavelmente no sacramento é ir chorando para lá. Cristo dirá a um humilde penitente, quanto a Tomé: “Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado” (Jo 20:27), e deixe que essas feridas sangrentas me curem.

II. Outro tempo de arrependimento extraordinário é na hora da morte

Esta deve ser uma temporada de choro. Agora é a nossa última obra a ser feita para o céu, e nosso melhor vinho de lágrimas deve ser mantido contra esse tempo. Devemos nos arrepender agora, que pecamos tanto e choramos tão pouco, que o “saco de Deus foi tão cheio e seu frasco tão vazia” (Jó 14:17). Devemos nos arrepender agora do que não nos arrependemos tão cedo, daquilo que as guarnições de nossos corações resistiram por tanto tempo contra Deus antes de serem niveladas pelo arrependimento. Devemos nos arrepender agora porque não manifestamos amor maior a Cristo, não extraímos mais virtude dEle e não Lhe trouxemos mais glória. Deveria ser nosso pesar em nosso leito de morte que nossas vidas tivessem tantos espaços em branco e manchas neles, que nossos deveres tenham sido tão arrasados pelo pecado, que nossa obediência tenha sido tão imperfeita, e nós tenhamos nos deixado tão coxos os caminhos de Deus. Quando a alma está saindo do corpo, deveria nadar para o céu em um mar de lágrimas.


2019 © Traduzido por Amanda Martins, revisado por Elnatan Rodrigues. Áudio por Sérgio Cavazzoni.

Thomas Watson

Thomas Watson

Thomas Watson (1620-1686) foi um pregador puritano no século XVI. Watson é autor de diversas obras teológicas, destacando-se a obra "A Body of Divine".

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