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A Revelação Trinitária na Criação do Homem(63 min de Leitura)

No artigo anterior pudemos encontrar “O Caminho” que a Sagrada Escritura nos revela e ao qual nos direciona, isto é, em Quem de fato encontramos o descanso de todo o nosso pecaminoso trabalho autossuficiente. Vimos que desde a primeira ordem de Deus dada a Adão Cristo fica bastante evidente, como também toda a dependência que temos de Sua maravilhosa Graça. Mas não é só por meio da ordem de Deus no Éden que podemos identificar toda a verdade referente ao que somos e porque somos – ou deixamos de ser. Logo na criação Deus afirma e reafirma a nossa identidade e, consequentemente, também a ordem inerente e intrínseca da humanidade. Vamos então por meio deste texto trabalhar um pouco mais sobre o caráter de Deus e a humanidade através da criação.

Toda Criação Revela um Criador

Em primeiro lugar destaco a importância de identificarmos o Criador através de Suas criações. Toda criação, só por ter sido criada, já aponta para a existência de um criador – alguém que a criou. Se prédios foram criados, logo identificamos que existiu pelo menos uma pessoa que teve a ideia de construí-los e também a capacidade de colocar tal ideia em prática. Se relógios foram criados, existiu alguma inteligência por trás de sua criação, um relojoeiro. Toda criação aponta para alguém que teve alguma capacidade intelectual e, não só isso, mas também uma capacidade de colocar tal ideia em prática, ainda que para isso seja detectada a presença de mais de uma pessoa na criação.

Além de toda criação requerer inteligência e capacidade de execução – e dessa forma revelar uma ou mais pessoas inteligentes e potentes para tal afazer – toda criação aponta também as intenções de seu(s) criador(es). Se alguém criou o prédio, teve alguma intenção com isso, estava pensando em algo. Se o relógio existe, alguém pensou e executou um plano com uma finalidade específica. A finalidade que um criador tem em mente aponta para as suas intenções e isso determina a ordem que a sua criação deve seguir. O relógio existe para alguma finalidade (que é exatamente a que o seu criador teve em mente, o motivo para o qual ele foi criado) e se ele não servir para a finalidade do seu criador, que é mostrar as horas, então não serve para mais nada. Se um avião não pudesse voar e a lâmpada não pudesse iluminar, o que seus criadores fariam com tais obras?

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Toda criação fala sobre o seu criador – o que ele quer, o que ele pensa, sua personalidade, sua inteligência e o seu poder. Uma tela pintada nos diz, em sua simples existência, que existe um pintor, qual a ideia desse pintor, qual a sua capacidade em pintar e o que passa pela mente desse pintor, qual o seu gosto pessoal artístico. Se uma tela não disser nada sobre o seu autor, então o artista não se vê satisfeito em sua arte e ela para nada presta, não alcançando o seu objetivo principal. É por isso que as Escrituras afirmam:

Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.

Romanos 1:20-23

Deus, sendo Criador de tudo o que foi criado, se expressa através de cada uma de Suas obras, inclusive na maneira como criou e formou cada uma delas. A maneira como Deus criou e formou cada uma de Suas obras determina a ordem e a finalidade de cada uma delas. É por isso que o homossexualismo é absolutamente contrário a Deus, começando por negar a forma e a finalidade das Suas criações, tentando assim corromper a Sua própria Imagem.

Se Deus criou as plantas, Ele teve o poder criativo e executivo para tal. Não só isso, criou com uma finalidade e, portanto, com determinada ordem. Não o bastante, essa ordem fala sobre o Seu caráter. Com a criação do Homem não foi diferente, Deus teve o motivo e, portanto, uma finalidade exclusiva para nos criar (e da maneira como nos criar) a qual só poderemos encontrar quando olharmos pessoalmente para Ele. Logo, o Homem deve necessariamente dizer sobre Deus.

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Esse é o primeiro motivo da identidade humana estar em Deus e mais adiante veremos isso detalhadamente. Daremos aqui uma pequena pausa para expor a gravidade do pecado e onde ele entra em tudo isso.

Quando olhamos para os céus, por exemplo, o sol, as estrelas, ou mesmo para uma formiga ou para uma folha e ficamos admirados com a coordenação que toda a criação diz respeito, toda a intelectualidade revelada e o poder dispensado, estamos adorando a Deus reconhecendo o Seu feitio. A admiração humana deve reconhecer a sabedoria e o poder de Deus em toda a Sua excelência. A ciência está recheada de descobertas que dizem respeito aos traços do nosso Criador.

Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite. Não há linguagem nem fala onde não se ouça a sua voz. A sua linha se estende por toda a terra, e as suas palavras até ao fim do mundo.

Salmos 19:1-4

Desfrutar de toda a criação, zelando por ela, numa relação unitária com Deus, é uma ordem de Deus a nós. Vemos isso em três momentos mais específicos em Gênesis. O primeiro é quando Deus, após formar Adão, plantar todo o jardim no Éden e colocá-lo para cultivar e guardar o jardim (Gn 2:4-15), como também após Deus formar os animais da terra e dar ao homem a função de nomear todos os animais do campo e as aves do céu (Gn 2:19,20). Isso demonstra que Deus tem prazer em partilhar com o homem os Seus feitos, Suas obras, Seus atos, em uma relação sincera e unitária. Vemos Deus convocando o homem continuamente à um relacionamento íntegro e isso ainda hoje é totalmente visível, a Igreja de Cristo é a sua embaixadora, representante legal e Ele tem todo o deleite de partilhar com ela todo o Seu Ser, Seus segredos, Sua intimidade e Sua obra, tornando-a ministradora da Verdade. O chamado de Deus ao homem nunca mudou, o pecado partiu a relação e Cristo veio exatamente para reconciliá-la, pois o objetivo de Deus com a humanidade sempre foi o mesmo. Aliás, Deus fez o homem para desfrutar das Suas delícias e é adorado quando somos satisfeitos nessa relação satisfatória e suficiente que em tudo nos sacia. Por isso, o terceiro momento é quando vemos a ordem de Deus a Adão (Gn 2:16,17), deixando evidente que a criação deve saciar o homem que vive em Sua dependência e que Deus tem prazer nesse regozijo humano. Assim como um peixe é capaz de glorificar a Deus nadando, fazendo nada mais e nada menos do que foi criado para fazer, nós adoramos a Deus cumprindo com a finalidade para a qual fomos criados – revelar Sua Pessoa e nos relacionar com Ele sendo totalmente satisfeitos em Suas primícias. Mas, assim como podemos adorar a Deus reconhecendo, admirando, cuidando e andando em direção à ordem do que foi criado, também é muito fácil pecarmos contradizendo tudo isso.

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O Problema do Pecado

Quando alguém cria algo e este algo não supre as suas expectativas, de certa forma tal criador negou sua capacidade intelectual e/ou executiva, pois não foi capaz de criar exatamente o que queria para cumprir com a sua finalidade. Toda obra deve suprir a expectativa do seu autor, caso contrario será jogada ao fogo. Se eu tenho em mente criar algo com determinada finalidade e não consigo chegar em tal objetivo, tendo o resultado final contrariado a minha capacidade e expectativa, obviamente ela se tornará inútil para mim e, pior, objeto de repúdio.

Diferente disso, Deus ficou satisfeito com cada uma de Suas criações. Após criar e formar cada uma de Suas obras, elas passaram pelo “teste divino de qualidade”, e foram aprovadas. Cada vez que as Escrituras nos dizem que as obras de Deus foram por Ele mesmo avaliadas como “boas” ou “muito boa” (vemos isso em um a um dos relatos criativos de Deus logo no início de Gênesis) significa que Ele confirmou pessoalmente o sucesso de cada uma de Suas criações, reafirmando o Seu poder e sabedoria e, mais do que isso, confirmando que todas as Suas obras de fato falam sobre Ele cumprindo com a Sua finalidade. Não existe um sequer ato criativo de Deus que não tenha sido submetido ao Seu teste de qualidade e também que não tenha sido aprovado com louvor.

Aqui entra o problema do pecado: ele corrompe a ordem e a finalidade da criação de Deus. Inclusive, a finalidade principal de tudo o que foi criado – seja a natureza, a humanidade ou as instituições divinas (família, igreja e estado) – é revelar a Deus. O pecado não tem o poder de criar algo novo, mas apenas de distorcer a ordem e a finalidade de tudo o que fora criado por Deus. Se Ele criou algo/ alguém para Se revelar por meio disso e para trabalhar algo conosco em relacionamento, o pecado vem para destruir a imagem de Deus, o trabalho dEle conosco e a nossa relação para com Ele. Por isso, “matar, roubar e destruir”.

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Costumo dizer que a criação é o cenário onde se desenvolve o romance de Deus com a humanidade. Primeiro Deus cria todo o cenário e então coloca nele o seu integrante principal, a humanidade, para relacionamento em confiança. O pecado corrompe a imagem de Deus, destrói a natureza e as instituições criadas das mais variadas maneiras e separa o homem de Deus. Cristo reconstrói a relação do homem com Deus e devolve o sentido de tudo o que fora criado, sendo em Si mesmo o vínculo onde se estabelece novamente as instituições divinas e revelando em Si mesmo a ordem de todas as coisas. Em Cristo é possível adorar a Deus novamente de maneira sincera e genuína, considerando que tudo foi feito de novo por Ele.

Tudo o que Deus avaliou como “bom” o pecado visa destruir, tentando atacar assim a imagem do Deus vivo. O pecado não é capaz de suprir, melhorar, criar, mas apenas de desmoralizar, destruir, corromper, roubar, matar. Quando uma criação de Deus é usada para algo que Ele não criou, não desejou, não investiu, não revelou, não ordenou, não formou, não avaliou como “bom”, vemos então o pecado. Quando nós usamos da nossa própria vida, da vida alheia ou de qualquer criação ou instituição de Deus com um fim que não é propriamente aquele para o qual o próprio Deus criou: é pecado! E por que é pecado? Porque é a tentativa de destruição não só da obra de Deus, mas da Sua própria imagem! É por isso que o pecado que cometemos, seja qual for, é totalmente pessoal contra Deus e não pode passar impune.

Tal pecado não é revelado apenas através do homossexualismo, mas a cada fôlego meu ou seu investido em algo que não glorifica a Deus. Uma insatisfação, desordem, desajuste ou “reformulação” em uma criação/instituição de Deus e, pronto, estamos em declarado pecado! Feminismo? PECADO! Machismo? PECADO! Adultério/ prostituição/ imoralidade sexual? PECADO! Adulterar o seu corpo por motivos vaidosos? PECADO! Negligência com a sua saúde? PECADO! Luxúria? PECADO! Consumismo? PECADO! Bebedeira e glutonaria? PECADO! Controle populacional/ aborto e semelhantes? PECADO! Por que esses e tantos outros são pecados? Porque praticando tais coisas estamos usando de uma criação ou instituição de Deus de maneira contrária ao Seu caráter ou com uma finalidade contrária à qual Ele determinou. Justamente criações que devem dizer sobre Ele, usamos para ir contra Ele. É total revolta contra Deus, é rebeldia, é morte certeira, pois contradiz a ordem da vida! Todo pecado é de incredulidade e de contradição ao caráter de Deus.

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Se hoje, portanto, vemos um reflexo corrompido através do que Deus criou, certamente não é por alguma responsabilidade divina sobre a Sua criação, mas total responsabilidade do pecado, o que é condenado por Deus. É também por isso que o Autor, Todo Poderoso, não aceitando algo corrompido, que não mais cumpre com a Sua finalidade, lançará pecado e pecador no lago do inferno, dando fim a toda corrupção que tenta contra o Seu caráter. O que Deus, Santo e Justo, vendo uma criação absolutamente ingrata, corrompida, tendo prazer no pecado (na contradição do Seu caráter), fará com tais seres? Se eu criasse uma máquina com a finalidade “x” e em determinado momento ela decidisse por si própria contrariar toda a direção imposta no meu ato criativo, então por que eu ainda a sustentaria? Mas observe a diferença que agrava ainda mais o caso: as maiores criações de Deus são vivas – porque Ele é a vida -, e elas são incapazes de serem criadas pelo homem. Deus investiu a Si mesmo em Suas criações, elas foram feitas por meio da Sua Palavra e a maior das criações vivas de Deus é o homem, criado e formado de maneira ainda muito mais pessoal e com propósito ainda muito mais íntimo. E foi justamente esta a criação que se rebelou contra Ele. Não estamos falando de máquinas, estamos falando de pessoas desesperadamente corruptas, exatamente o oposto de um Deus Santo. Não é, portanto, espantoso o fato das Sagradas Escrituras afirmarem:

Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.

1 Coríntios 6:9,10

Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.

Gálatas 5:19-21

Qual então a solução para o pecador? Não existe outro caminho se não o próprio Cristo, já citado em nosso texto anterior. Isso porque, estando nós satisfeitos nEle, sendo santificados por Ele e tendo sido justificados do pecado, já não somos mais inimigos de Deus, mas Seus amigos. Isso significa que não temos mais tamanha inimizade contra o nosso Criador, pois fomos feitos Seus próprios filhos e temos prazer em revelar o Seu caráter novamente, inclusive andando em direção ao que foi criado e não contra a manifestação da Sua Imagem.

O que isso significa em nossos dias? Mulheres cristãs tem noção do motivo para qual foram criadas, estão satisfeitas em serem mulheres, andam em direção a ordem que o Criador estipulou ao criar a mulher. Homens, a mesma coisa, glorificando a Deus pela masculinidade bíblica. Casais glorificam a Deus por meio do matrimônio e leito sem mácula. Comemos e bebemos para a glória de Deus, não caindo em glutonaria ou bebedices. Não mais utilizamos das criações e instituições de Deus, seja qual e como for, de modo deturpado. Ser o que Deus fez, para a Sua Glória, reconhecendo o Seu caráter em todas as coisas e estando nEle satisfeitos: isso é um cristão, isso glorifica a Deus!

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É por esse motivo que a simples gratidão a Deus revela um coração conhecedor das Suas riquezas, satisfeito nEle e em tudo o que Ele fez (e da forma como fez), abundante em graça, não incrédulo, mas obediente. Isso transparece da alma para os rostos, falas, olhares, expectativas, obras, interesses, procuras pessoais. A simples gratidão, anulando a incredulidade, a amargura, a desfeita, a murmuração, a desobediência, a rebeldia e a insatisfação humana é o poder de Deus a nos santificar, nos trazendo de volta ao seio da fé, onde a paz com Deus reina em nós.

Dele, por Ele e para Ele

Existem alguns motivos do porquê criamos algo. Geralmente as criações humanas surgem por conta de alguma necessidade, criamos porque precisamos de algo que supra determinada falta ou para que haja alguma evolução desejada. Criamos máquinas porque elas nos servem para alguma coisa que precisamos, ainda que o motivo seja simples praticidade. Criamos prédios por necessidade, relógios, lâmpadas, carros, enfim. Nossas criações geralmente são originadas por carências. Mas também é possível criarmos algo simplesmente porque queremos este algo e, nesse caso, a nossa criação reflete absolutamente a nossa vontade e personalidade. Por exemplo, eu crio uma obra de arte simplesmente porque a quero para mim, então, se é para mim, obviamente vou fazer do meu jeito, dentro do meu gosto pessoal, revelando o meu desejo, o meu afeto, a minha personalidade. Deus criou tudo o que fora criado porque quis, não porque precisava de algo de Suas criações. Ele fez” dEle, por Ele e para Ele“. Logo, Suas criações revelam a Sua Pessoa em cada detalhe – e o que foge disso é pecado.

Aqui nós encontramos a razão de o mundo não fazer sentido para nós. Olhamos para a nossa existência, para tudo o que foi criado, para nossas obras, e pensamos “para que tudo isso?”. O homem que não conhece a Deus é um completo descontente, porque não encontra significado em nada do que faz ou é. Isso é normal, porque o mundo não foi feito para o homem, então não é para o mundo fazer algum sentido para o homem. Aliás, nem o homem foi feito para si mesmo, então não é olhando para si que encontrará algum valor, não é colocando alguma estima em si mesmo, se auto valorizando ou qualquer coisa do tipo, pois isso apenas revela a sua carência por Deus. No evangelho jamais veremos qualquer sombra apontando para auto estima, mas tão somente e completamente para a estima no alto. Se o mundo foi feito por Deus e para Ele, então é para Ele que o mundo tem sentido. É Ele quem rege todas as coisas, tudo está em Seu controle, tudo faz sentido, e o sentido é dEle, para Ele. Não cabe à criatura dizer se há ou não sentido naquilo o que o Criador fez, pois apenas o criador sabe o que fez e qual a verdadeira finalidade do que fez. Para que possamos entender o sentido e sermos contentes nele, precisamos olhar para o Criador, em amável confiança, e nunca para a criação. Ele é, em Si mesmo, o significado!

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A existência é um presente de Deus Pai para Seu Filho, Jesus Cristo, e só nEle então conhecemos os valores. Sabendo disso, se torna um privilégio saber que eu sou, e você é, participante desse significado. Isso quer dizer que a sua vida tem um motivo e a glória de Deus é este motivo!

Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.

Colossenses 1:16,17

Em Deus nós conhecemos o significado de todas as coisas e os seus respectivos valores e, assim, apenas nEle somos livres de nossas vaidades e podemos julgar todas as coisas conforme a Verdade.

Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento.

Colossenses 2:3

O que interpreta todas as coisas do universo em seu valor e significado é o que Deus vê sobre elas e a relação delas para com Ele. Em Cristo, conhecendo-O e crendo nEle, passamos a ter os Seus olhos e a Sua mente (1 Co 1:16), contemplando o sentido e a beleza real de tudo quanto há. Nele, em Cristo, conhecemos a Deus, porque Jesus se revelou em carne, viveu entre nós e nos deu de conhecer em Sua Pessoa quem é o Pai (Jo 14:9). Foi também Cristo quem reconciliou o nosso relacionamento com Deus Pai (2 Co 5:19), então, é nEle que temos acesso para conhecer a Deus intimamente e nos relacionarmos com Ele para não só conhecemos os valores, mas também desfrutarmos deles. Não há outro caminho de conhecimento da Verdade, apenas Jesus Cristo é o Caminho, a Verdade e a própria Vida (Jo 14:6).

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Se avaliarmos a vida humana e o mundo por nós mesmos, para nós e partindo dos nossos próprios valores, veremos que não há sentido. Basta visitarmos um funeral e nos deparamos com a miserabilidade da existência por si mesma. Tudo acaba, passa ou retorna para onde veio, então nada disso pode ser um lugar seguro onde podemos repousar nossos corações ou onde podemos colocar nossas expectativas. A maioria das pessoas já se perguntou pelo menos uma vez o “por que eu estou aqui? Qual o sentido da minha vida?”. Geração vai e geração vem, levanta-se o sol e se põe diariamente, o vento gira em círculos, todos os rios tornam para o mar, todas as coisas são canseiras, não há nada de novo hoje que já não tenha sido ontem, não há valor na existência por si própria.

Se não olharmos para Deus, nunca encontraremos motivo e viveremos amedrontados pela morte, porque acharemos que a vida tem uma finalidade em si mesma e não sabemos o que virá depois dela. Mas a morte nunca confunde aquele que vive para a Vida – Cristo. Se não olharmos para Deus, viveremos cansados, repletos de frustrações e seremos como inconsequentes, sem qualquer valor ético ou moral e muito menos relacional. O caráter do ser humano passa a se deteriorar, afinal, se nada aqui tem sentido, por que preciso ser fiel? Porém, olhando para Deus encontramos sentido e, por isso, nEle há ordem. Ele é a ordem! Não podemos fazer qualquer coisa conforme queremos porque a criação é dEle e para Ele, as regras são dEle, apenas dEle! E são essas regras, originadas na simples finalidade de Deus com as Suas criações segundo o Seu Caráter, que julgarão todas as coisas, ações e pessoas.

Quando não conhecemos a Deus e não temos um relacionamento sincero com Ele, vivemos nas mais perversas e variadas vaidades. Procurando satisfação, caímos nas maiores ciladas e transformamos nossas vidas em exemplos do que não se deve ser. Logo, entendemos que pecado é não revelar a Deus e não estar nEle satisfeito, pois tudo está nEle e fora dEle nada é!

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Conhecer o verdadeiro significado de todas as coisas criadas por Deus, inclusive nós mesmos, faz com que não sejamos movidos por meros prazeres e vaidades pessoais, porque o sentido está fora de nós. Se o sentido não está em mim, não sou movida por mim. Nós não somos o sentido e tentar ser é tentar tomar o lugar de Deus (nada menos do que a proposta da serpente). Nós não somos e não criamos o sentido, mas podemos conhecê-Lo e sermos participantes dEle – Cristo. Isso nos leva a anulação do ego, pois o humanismo cai por terra com todas as suas aberrações. O homem natural, não nascido de Deus (não convertido/ não conhecedor da Verdade) é descontente pois procura em si mesmo e no que faz o valor daquilo o que só pode ser encontrado em Deus. Aqui entendemos o motivo de Cristo ser chamado de “A Verdade”, Ele é em Si mesmo a ordem, a necessidade, a regra, a origem, o significado, o ato/verbo, a revelação e a salvação. Nada, absolutamente, foge dEle e é nEle onde interpretamos todas as coisas.

O humanismo faz com que pensemos que somos o centro de tudo e, portanto, que todas as coisas, situações e pessoas, inclusive Deus, devem nos servir. Com certeza você, assim como eu, já tentou usar Deus como mero realizador de seus sonhos egoistas, fazendo dEle algo mais parecido com o gênio da lâmpada mágica do que com o que Ele é – seu e meu Criador. É assim também que nós fazemos da maternidade um meio de serviço a nós mesmos, do matrimônio um ídolo, da relação sexual um alvo de satisfação egoísta, da igreja um clube social hipócrita, da religião uma auto afirmação, do estado um meio de ganhar mais, do trabalho uma ocupação para carência, das mulheres objetos, dos homens provedores de riquezas, do corpo um meio de atração de egos corruptos, assim por diante. E no momento em que qualquer uma das criações ou situações não mais nos forem convenientes é muito fácil dizer: “aborte, divorcie, procure outra mulher/homem para te satisfazer, não é tão ruim assim controlar seu próprio ventre e a existência, minta, esconda a verdade, use máscaras, adultere/ mutile o seu corpo, compre o que quiser, ser feliz do seu jeito é a sua finalidade”. Afinal, é o que o século divulga: meu corpo, minhas regras; meu casamento, minhas regras; minha sexualidade, minhas regras; meus filhos, minhas regras; meu trabalho, minhas regras; meu dinheiro, minhas regras. A lista é extensa! Mas, ao contrário disso, toda criação diz respeito ao serviço a Deus, porque é tudo para Ele, e esse simples motivo anula o nosso auto serviço (auto afirmação, auto justificação, auto saciar, etc), nos tornando seres satisfeitos, com ordem, com sentido, com paz e que sabem amar ao invés de usar. É por isso que o evangelho – o retorno do homem a Deus através de Cristo – diz sobre estar contente e servir a Deus em absolutamente todas as coisas, seja no levantar como no sentar, no trabalhar como no descansar, na igreja como em casa ou com os amigos, no comer e no beber, no lavar a louça ou no ter filhos e instruí-los na Verdade, no satisfazer o marido/ a esposa ou no ser satisfeito nele(a), no passear e brincar ou no advertir, nos momentos livres ou nos momentos de muitos afazeres, na fidelidade ao que foi instituído, no simples servir! Isso é o que significa de fato o “para Ele” e fugir disso nos traz visíveis complicações e danos perpétuos e eternos. O serviço a Deus é natural de todo aquele que tão somente O reconhece em todas as coisas e o amor a Ele se cumpre nisso. Amar a Deus e servi-Lo não é sobre muitas tarefas, mas sobre uma vida afogada em Sua Graça!

Criação e Formação

Qualquer processo criativo envolve duas etapas:

1) O projeto/ criação/ decreto. É quando colocamos todas as nossas ideias conforme a nossa finalidade. O projeto deve considerar todos os detalhes, cumprir com todas as finalidades e revelar todas as intenções da criação, planejando a sua construção. O projeto nada mais é do que o decreto da formação. O propósito da construção deve estar muito evidente em seu projeto. Uma casa primeiramente é planejada antes de ser construída e o projeto deve dizer sobre quantas pessoas irão habitar na casa, o gosto dos seus proprietários, a razão da posição de cada cômodo, quais materiais serão necessários para a sua construção, etc.

2) A construção/ formação. É quando colocamos o projeto em ação e então a criação é formada. Quando construímos uma casa, seguimos o projeto, pois no projeto está descrito a finalidade da casa. Na construção seguimos algumas etapas, não é feito tudo de uma só vez, mas sim um item após o outro. Primeiramente a fundação, depois a laje, os pilares e a viga. Depois disso a edificação interna, que é feita de outra forma, em outro tempo, com outros materiais, com outros papéis. Entretanto, ainda que a casa seja formada em etapas, todas as etapas – as de antes ou as de depois – ainda dizem sobre a mesma casa e o mesmo propósito.

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Toda criação de Deus passou por estes processos. Na criação Deus coloca algumas etapas e dispensa o Seu poder para a formação das criaturas – Ele decreta o surgimento das criaturas com o poder da Sua Palavra, o que se cumpriria na formação conforme a ordem conveniente. Por exemplo, no terceiro dia de criação Deus ordena que a terra produza relva, ervas (Gn 1:11-12), o que seria formado apenas depois da formação do homem (Gn 2:5-9), que foi criado no sexto dia (Gn 1:26,27). Vemos claramente a diferença entre criação e formação por aqui e ambos esclarecem a finalidade de Deus com a criação, exatamente pela maneira e ordem como foram criadas e formadas.

A criação do homem notoriamente passou por ambos processos também. Primeiro vemos Deus falando com a Trindade sobre a criação da humanidade, à Sua Imagem e Semelhança.

E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

Gênesis 1:26,27

E depois vemos Deus formando o homem do pó da terra e a mulher da costela do homem em momentos distintos.

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E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.

Gênesis 2:7

Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; e da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada.

Gênesis 2:21-23

Homem e mulher foram criados juntos, mas formados em momentos diferentes e de maneiras distintas. A ordem como Deus formou o homem e depois a mulher, e a forma como os fez, nos revela muito a respeito dEle. Por isso biblicamente conseguimos discernir com clareza a função distinta entre homem e mulher, sem que jamais o valor ou o propósito fundamental de qualquer parte seja aumentado ou diminuído em relação à outra parte. Isso porque estamos falando de criação e de formação, dois processos do ato criativo que, ao mesmo tempo em que revela diferenças, revela igualdade. Ser diferente não é ser desigual. Na criação homem e mulher foram criados juntos e sem diferenciação, já na formação eles foram feitos em tempos e de maneiras diferentes (mas não divergentes e sim complementares). Ou seja, quando falamos de identidade humana estamos sempre tratando da humanidade, homem e mulher (e homem e mulher, como assim foram criados).

Neste texto não iremos abordar as diferenças de função entre homem e mulher, nem mesmo o matrimônio, apesar de já termos no processo da criação ambos os temas bastante evidentes apontando o caráter de Deus em tais funções e instituição. Nosso foco aqui é trabalhar a identidade do homem, que diz respeito a homem e mulher, igualmente, pois “homem e mulher os criou” à Sua Imagem e semelhança. A diferença de homem e mulher se destaca apenas na função de cada um entre si, bem como nas características peculiares a cada gênero, mas a finalidade de ambos é exatamente a mesma, não havendo entre eles qualquer alteração de valor ou identidade.

O desconhecimento do Deus da criação e da criação ordenada de Deus traz graves problemas pessoais e sociais. A criação precisa da ordem estipulada por Deus para ser, caso contrário entra em completo conflito. Esse total desconhecimento é o que nos traz hoje o machismo ou o feminismo. Desconsiderar as diferenças da formação ou considera-las desigualdade é um erro bastante grotesco que desenvolve uma série de aberrações. Tais problemas só podem ter origem em pessoas corruptas que nunca conheceram a Deus, tendo sido completamente tomadas pelo pecado. A diferença existente e inegável de caracteristicas (físicas e psicológicas) e de funções não significa valorização ou desvalorização de qualquer gênero uma vez que Deus é glorificado nas particularidades exclusivas da masculinidade (características, necessidades e tarefas) tanto quanto nas particularidades exclusivas da feminilidade (idem). Foi assim que Ele fez, para Ele! Nenhum serviço ou características é de maior valor, uma vez que são complementares e ambos dizem respeito a um único Deus, único Criador, único Senhor, único Juiz, única obra, única fé, única identidade, única finalidade.

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Acredito que aqui já nem seja necessário apontar a evidência lógica de que qualquer gênero fora ou além de “homem e mulher”, exatamente como foram feitos biologicamente e como nasceram, é absolutamente ante bíblico, não é mesmo?! Deus fez questão de deixar claro que homem (exatamente com suas características e necessidades) e mulher (exatamente com suas características e necessidades) – não menos e não mais do que isso – foram feitos à Sua Imagem e semelhança. Deus nunca criou um ser intermediário ou sem definição, isso jamais revelou Sua Imagem, mas tão somente o pecado.

A Criação da Humanidade

É muito interessante como Deus se revela pela maneira como criou todas as coisas. Peguemos como modelo a maneira como Ele criou e formou todo o “cenário” da natureza e então comparemos com a maneira como Ele criou e formou o ser humano.

Quando Deus quis criar as ervas, Ele falou com a terra. Do solo, por Sua Palavra, Deus fez brotar as árvores. Para criar tudo quanto tem vida Deus se dirigiu diretamente à fonte da criatura que, por Sua Palavra, fez brotar/ produziu/ formou.

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E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente está nela sobre a terra; e assim foi. E a terra produziu erva, erva dando semente conforme a sua espécie, e a árvore frutífera, cuja semente está nela conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom.

Gênesis 1:11,12

Quando Deus quis répteis, animais aquáticos e aves Ele falou diretamente com “as águas”. Das águas, por Sua Palavra, Deus criou tais espécies. As aves são do céu, porém não vivem sem a água e habitam na terra. Todas essas coisas Deus estipulou na criação, tanto quanto a devida procriação de cada animal. Aqui vemos que toda a ordem da criação é dada por Deus logo no princípio.

E disse Deus: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente; e voem as aves sobre a face da expansão dos céus. E Deus criou as grandes baleias, e todo o réptil de alma vivente que as águas abundantemente produziram conforme as suas espécies; e toda a ave de asas conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom. E Deus os abençoou, dizendo: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei as águas nos mares; e as aves se multipliquem na terra.

Gênesis 1:20-22

Quando Deus quis animais terrestres, selvagens e domésticos, Ele falou novamente com a terra. Quando Deus cria as seleções de animais, já deixa especificado a função de cada um deles.

E disse Deus: Produza a terra alma vivente conforme a sua espécie; gado, e répteis e feras da terra conforme a sua espécie; e assim foi. E fez Deus as feras da terra conforme a sua espécie, e o gado conforme a sua espécie, e todo o réptil da terra conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom.

Gênesis 1:24,25

Todas as criaturas vivas Deus criou a partir de uma fonte, seja ela a água ou a terra. Ele se dirigiu diretamente a essas fontes, anteriormente já criadas por Ele, para produzir tais seres. Todos os textos deixam claro que estas foram criações de Deus, pois “Deus fez”, pelo poder da Sua Palavra, partindo de uma fonte determinada por Ele. Depois da criação, na formação, vemos que tudo foi feito conforme o decreto de Deus.

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E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, do lado oriental; e pôs ali o homem que tinha formado. E o Senhor Deus fez brotar da terra toda a árvore agradável à vista, e boa para comida; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal.

Gênesis 2:9

Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todo o animal do campo, e toda a ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome.

Gênesis 2:19

“O Senhor Deus fez brotar“, “o Senhor Deus formou da terra”. Deus criou e Deus formou, partindo de uma fonte. Foi a maneira como Ele fez as criaturas. Porém, quando Deus cria o homem, Ele fala consigo mesmo – com a Trindade. Deus não se dirige à terra para nos criar, Ele se dirige a Si mesmo.

E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

Gênesis 1:26,27

E quando Deus vai formar o homem, não é a terra quem o faz, porque Deus não ordenou a terra produzir. Foi Ele mesmo, pessoalmente, quem formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas.

E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.

Gênesis 2:7

Para formar a mulher, Deus utiliza o homem que já havia sido formado, o que nos mostra suas funções particulares.

Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; e da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada.

Gênesis 2:21-23

Existem algumas características peculiares na criação e na formação da humanidade, o que revela a maneira pessoal como Deus nos fez. Deus falou consigo mesmo e formou de maneira pessoal, com funções pessoais, revelando a Si mesmo de maneira muito mais profunda. Aliás, quando Deus falou consigo mesmo, Ele foi objetivo em Seu propósito, “Façamos à nossa Imagem, conforme a nossa Semelhança”.

É por isso que vemos biblicamente o erro grotesco de tratar animais como se fossem pessoas ou tratar pessoas como se fossem animais. Conforme as Escrituras, as criaturas devem ser cultivadas e zeladas pelo homem, mas são totalmente diferentes do homem em seu valor moral. É também esse fato que enaltece os direitos humanos, isto é, vale a pena preservar a humanidade simplesmente porque é a humanidade, tendo sido criada por Deus à Sua Imagem e Semelhança. O mesmo não acontece com o restante da criação no mesmo grau de equivalência, pois Deus criou o restante também com a finalidade de servir ao homem, inclusive muitas das criações foram dadas como alimento a ele. Aqui está a importância de considerarmos a finalidade do Criador ao criar e instituir todas as coisas. A lei de Deus deve reger toda lei humana!

Ele é a Fonte da Humanidade

Como vimos, para criar e formar o restante das criaturas, Deus se dirigiu diretamente à fonte delas. Deus não disse para a planta se formar ou o animal surgir do nada, antes Sua Palavra foi dirigida para a terra ou a água. Deus viu na água os seres aquáticos, viu na terra os terrestres e por isso elas se tornam a fonte dos seres. Se Deus viu nas águas os seres aquáticos, as águas são a sua habitação, assim também com a terra e os demais animais e plantas. Deus se dirigiu à Trindade para criar o homem e é justo dizer que da mesma forma Ele é a fonte do homem/ humanidade. Ele nos viu em Si mesmo e, portanto, Ele é a nossa habitação!

“Façamos” – Deus se dirigiu à Trindade. A Trindade criou o homem. O homem reflete a Trindade – “Imagem e semelhança”. Aqui vemos que nenhuma parte da Trindade faz qualquer coisa em segredo, em divisão, em discordância, em rixas, em separação. Não existe uma obra do Pai onde o Filho e o Espírito não tenha a Sua parte de atuação ou onde uma das Pessoas não esteja em acordo. A Trindade reflete a verdadeira unidade. Tudo o que uma Pessoa quer, a outra também quer. A humanidade foi obra da Trindade e até mesmo no resgate do homem debaixo do pecado é a Trindade por inteiro quem atua. Essa unidade é o chamado de Deus para o homem, este é o verdadeiro amor. Deus é amor porque Ele não é uma Pessoa no singular, Ele é três, mas totalmente unitário, sem qualquer resquício ou sombra de trinca relacional. É dessa maneira que Deus cria o homem e a mulher, com a mesma visão de unidade, de amor, de relação, tanto para com Ele quanto para com a instituição do matrimônio, família e demais. É também por isso que a mulher foi formada da costela do homem, apontando novamente para o “um só corpo” que reflete o Deus tri-uno. Inclusive, essa é a maneira como a igreja de Cristo é chamada: um só corpo com Ele!

A “Imagem e Semelhança” nos demonstra com nitidez que Deus criou o homem e a mulher para se relacionarem com Ele. Isso porque para haver relação de tal nível é preciso estar falando de igual para igual em determinado sentido. Não é possível eu me relacionar com um cachorro, por exemplo, de maneira tão pessoal, tão íntima, tão inteira, do que eu posso me relacionar com o meu marido. Nossas características (por exemplo, a própria capacidade de criar, que não vemos em absolutamente nenhuma outra criatura – logo Adão criou nome para as criaturas à mando de Deus) e todas as nossas necessidades são testificados da “Imagem e semelhança de Deus”. É incrível, inclusive, como fica óbvio o chamado de Deus utilizando de tais características e necessidades para nos relacionarmos com Ele.

Deus nos criou à Sua Imagem e conforme a Sua semelhança para se relacionar e, justamente por isso, o homem que não se relaciona com Deus não encontra a sua identidade. Isso demonstra também a total dependência humana de Deus, não podemos viver sem Ele, essa é a ordem imposta na criação.

Tudo isso fica ainda muito mais claro quando observamos que Deus avaliou como “bom” todas as Suas criações. Exceto a humanidade, pois ela foi avaliada como “muito bom”. Nós devemos refletir o caráter de Deus de maneira muito mais pessoal e fomos feitos para uma relação muito mais íntima com Ele. O único momento em que Deus se manifesta com “não é bom” é quando, após formar o homem, não ter ainda formado a mulher. “Não é bom que o homem esteja só”. Isso porque Deus não criou apenas o homem, mas “homem e mulher os criou”. Ambos, juntos (matrimônio) e pessoalmente, devem refletir a Deus. A criação não é completa sem a mulher, Deus não a aprova sem a mulher. A mulher manifesta o caráter de Deus como pessoa e como instituição junto ao homem (eliminando a possibilidade de união de homem com homem e mulher com mulher). Portanto, vemos aqui a identidade de homem e mulher nEle, como também das instituições formadas. Nenhuma instituição criada por Deus é alguma coisa sem Ele. A tentativa humana de viver uma instituição divina fora de Deus é, além de imunda, totalmente ineficaz e dolosa.

Ele é a Finalidade da Humanidade

Assim como os peixes vieram das águas e quando morrem voltam para às águas, e assim como as plantas foram formadas da terra e voltam para a terra, e assim como os animais também vieram da terra e quando morrem voltam a ser pó, nós fomos criados por Deus e para Deus – o nosso fim é Ele. A nossa finalidade só pode ser encontrada em Deus.

Temos em nós um clamor interno que testifica isso, um vazio que aponta para Deus como a nossa finalidade, a Quem devemos retornar. Não somos animais que tão somente têm um corpo que voltará para a terra, nós fomos criados quando Deus olhou para Si mesmo, Ele falou consigo, Ele fez para Si e Ele é o nosso fim. Não morremos simplesmente quando nossos corpos são enterrados, nossas almas ainda devem viver e voltar para Ele – se é que de fato fomos reconciliados com Ele por meio de Cristo – ou serem julgadas por Ele. Por isso, nunca veremos sentido sólido olhando para esse mundo, para nós mesmos, para a simples criação ou para qualquer outra coisa, pois é para Ele que devemos voltar!

Ele é a nossa fonte e Ele é o nosso fim.

Ele é a Necessidade da Humanidade

As plantas vieram da terra, toda a sua composição é terra. Se decompuséssemos um animal aquático veríamos que sua composição é completamente encontrada da água, porque ele foi formado por meio dela. Se estudarmos um animal terrestre, não diferente: é terra. Ele veio da terra, é composto por terra e volta para a terra. Se tirarmos os componentes da terra de um animal terrestre ou planta, eles simplesmente não existem.

Não o bastante, a planta é ligada à terra, ela depende da terra. Retire a planta do solo e ela morrerá, começando a murchar, testificando estar desligada da sua fonte, até a morte. Retire um peixe das águas e em não muito tempo ele morrerá, em sofrimento agonizante. Deixe de alimentar o animal terrestre do fruto da terra e…. morte certeira! Todas as criaturas não só foram criadas a partir de uma fonte, não só voltam para essa mesma fonte, mas também são compostos por ela e dependem dela para viver.

Tudo o que uma planta ou animal terrestre é e tudo o que eles precisam está na terra. Tudo o que um animal aquático é e precisa está nas águas. Assim, de igual forma, viemos de Deus, nossa finalidade é Ele e dependemos completamente dEle. No momento em que o pecado nos afastou dEle, morremos imediatamente. Mas Ele não deixou de ser a Vida e, voltando para Ele, religados em nossa fonte, encontramos a vida eterna. Nada do que precisamos está fora dEle, Ele nos sacia em todas as coisas!

Não adianta tirarmos um peixe das águas e tentarmos fazê-lo se acostumar na terra. Assim também, nada do que façamos, nada do que podemos fazer longe de Deus, mudará a nossa necessidade dEle. Nenhuma das alterações de função, propósito, finalidade que possamos fazer na criação de Deus mudará fatores existenciais. Baleias nunca viverão como pássaros e tentar fazer isso é uma rebelde tentativa um tanto ignorante que só poderá resultar em morte. Esta é a ordem: Deus criou todas as coisas com uma finalidade e nada do que façamos poderá mudar isso, porque a necessidade da criatura por aquilo o que Deus fez é óbvia. Tente mudar isso e não terá sucesso, certamente morrerá!

Aquele quem soprou nas narinas da humanidade é ainda o mesmo que reconcilia o relacionamento partido pelo pecado. Aquele que formou a humanidade com Suas próprias mãos ainda cuida dela pessoalmente. O Deus da criação é exatamente o Deus do evangelho. Ele nunca mudou e a nossa necessidade vital, fim e fonte também nunca mudará. Ele é a nossa identidade!

Salvador e Mantenedor

Quando criamos alguma coisa nos tornamos o maior conhecedor da nossa criação. Se eu crio uma máquina, por exemplo, conheço cada uma de suas peças, funções, capacidades e necessidades. Se em algum momento essa máquina manifestar algum problema técnico, sou eu quem vou conseguir discernir onde se encontra esse problema e também poderei solucioná-lo. Quando alguém compra uma máquina pronta, recebe o seu manual de instruções, que diz respeito às manutenções necessárias e modo correto de uso. Isso porque o criador conhece a sua criação e sabe da finalidade dessa criação e, portanto, o modo correto de uso, seus possíveis problemas e suas necessidades. Ninguém além do criador tem tamanha capacidade de entendimento, suprimento, correção e administração da sua criação.

Da mesma forma, pelas Escrituras Deus nos dá o discernimento a respeito de Suas criações e, inclusive, a respeito de nossas próprias vidas. Nelas encontramos a instrução para a vida que, se não for seguida, certamente resultará em eternos danos para as criaturas, sendo a principal delas nós mesmos. Ele sabe tudo o que Suas criações precisam, Ele mesmo criou todas as coisas para suprir as necessidades delas. Se tratando do homem, que necessita dEle de maneira ainda mais pessoal/ íntima/ relacional, Ele é a nossa necessidade e se provê a nós inteiramente, nos saciando em Si mesmo.

Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.

Colossenses 1:16,17

Ele é o criador, o mantenedor, o sustentador, o regente, o Autor, o conhecedor de todas as coisas. Para nós, é ainda A Fonte, a necessidade e a finalidade, tornando-Se, portanto, a nossa própria identidade. Nenhuma criação pode sustentar a si mesma, todas precisam de manutenção do criador, e todas elas “subsistem por ele”. Nós precisamos da manutenção e da relação com Ele, pois se a manutenção mantém a existência das criaturas conforme a Sua vontade, a relação mantém a nossa vida eterna – para a qual fomos criados.

Ele é, portanto, em Si mesmo, a única salvação para o homem perdido. Não existe outra possibilidade de salvação fora dEle. Nada e ninguém pode nos salvar, nem mesmo nós. Ele conhece as necessidades e Ele supre. Tivemos um problema com o pecado mas Ele não só sabe solucionar, como é em Si mesmo a solução, pois se o problema é um relacionamento partido, Ele mesmo reconcilia a relação – sendo que não existe nenhuma outra forma plausível de reconciliação senão a feita por Ele mesmo. Nenhuma obra, nem moralidade, nem religiosidade, nada! Nada sacia o Deus santo e justo senão a Sua própria santidade e justiça manifesta na cruz para o resgate de pecadores. Não existe outro Santo, não existe outro Justo e não existe outro Criador. Portanto, Ele se torna a nossa salvação!

Concluímos assim que através da criação Deus nos mostra todas as nossas carências, a nossa ordem e a nossa finalidade. Sendo Ele a resposta de todas as questões, o que esperamos para correr a Ele em sincero arrependimento? Ele é o Deus que se deleita na misericórdia de tomar de volta pecadores para Si, porque os criou para Si. Ele não é um Deus de braços encolhidos, mas abertos em uma cruz para nos abraçar em toda a Sua suficiência, onde somos plenos.

O pecado sempre tentará nos fazer distorcer a ordem e finalidade de todas as coisas que Deus fez, inclusive de nós mesmos. Porém, tendo nEle o conhecimento de Suas criações e estando nEle satisfeito, porque ainda recorreríamos ao pecado, tão sujo, tão imoral, tão baixo, tão impotente para nos suprir e de penalidade eterna? As consequências de uma vida afastada de Deus são muito bem vistas em nossa existência, pois precisamos dEle para tudo e fora dEle nada somos. Imagine então o reflexo disso em nossa eternidade, quando a morte confundir todo aquele que se deleita na contradição do caráter de Deus?!

Querido leitor, as Escrituras novamente nos convocam a aproveitarmos o tempo oportuno para arrependimento e fé e, a partir disso, refletiremos o caráter de Deus em santo e eterno deleite!

E disse-me mais: Está cumprido. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida.

Apocalipse 21:6

Citações escriturísticas a partir da Almeida Corrigida Fiel (ACF), Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil. 2019 © Escrito por Amanda Martins. Para o uso correto deste recurso visite nossa Página de Permissões.

Amanda Martins

Amanda Martins

Amanda Martins é escritora, autora das obras "O Dom da Maternidade" e "Aborto Explícito" publicadas pelo Reformai. Amanda também é editora e tradutora dos conteúdos do Reformai, além de contribuir com outras funções dentro do ministério.

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