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Avivamento ou Apostasia?(9 min de Leitura)

Recentemente, nós do Reformai ouvimos sugestões de nossos irmãos quanto a temas relevantes para o nosso contexto atual e, entre tantas, ouvimos a seguinte:

“Haveria necessidade de Deus enviar um avivamento, sendo a apostasia um sinal do fim?

Sabemos que por trás dessa pergunta se esconde um tema bastante discutido durante séculos e que, até a volta de Cristo, não encontraremos nenhum consenso, que é sobre o milênio. Não é proposta do autor desse texto convencer o leitor a mudar a sua linha escatológica, nem é o objetivo dele esmiuçar cada proposta de explicação sobre o milênio. Como a pergunta de nosso leitor já indica, a nossa ideia aqui agora é relacionar, de alguma forma, o avivamento com a apostasia. Há algum ponto de contato entre esses dois temas?

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Quando lemos na Bíblia sobre os “últimos dias”, tendemos a imaginar os últimos instantes ou momentos antes da volta de Cristo. Todavia, esses termos – últimos dias, últimos tempos, etc – dizem respeito a toda a história da humanidade começando na primeira vinda de Cristo até a sua segunda e definitiva volta. Uma evidência disso encontramos no discurso do apóstolo Pedro no contexto da festa de Pentecoste:

Pedro, porém, pondo-se em pé com os onze, levantou a sua voz, e disse-lhes: Homens judeus, e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo a terceira hora do dia. Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, Que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, Os vossos jovens terão visões, E os vossos velhos sonharão sonhos; E também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão. (Atos 2:14-18)

Atos 2:14-18

Notem que Pedro usa a expressão “nos últimos dias” para dizer que o evento profetizado por Joel já estava acontecendo. Nesse sentido, os “últimos dias” já havia começado. A mesma ideia sobre os últimos tempos já haver iniciado encontramos, por exemplo, em 1 Pedro 1.18-20, 1 Coríntios 10.11 e 2 Timóteo 3.1-7. Relatos sobre no fim dos tempos haver uma profusão de falsos profetas podem ser entendidos como tendo começado a ser cumprir já no início da igreja primitiva, com muitos dentro da igreja espalhando heresias gnósticas, por exemplo, e como um apontamento para os últimos instantes também, uma vez que falsos mestres sempre existirão.

Então não é impossível dizer que nos “últimos dias” já tivemos muitos avivamentos e muitas apostasias. Na verdade, a história cristã tem sido marcada por altos e baixos, com períodos belos de avivamento, onde o poder de Deus realmente agiu em sociedades inteiras, mas que posteriormente muitas dessas mesmas sociedades experimentaram grandes e terríveis tragédias e espíritos de depressão social.

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No momento em que escrevo, leio relatos sobre atentados, em um tempo recente, em locais onde no século passado houve um grande derramar do Espírito de Deus. Ao mesmo tempo, também fico sabendo do grande número de conversões em países mulçumanos, onde Cristo tem aparecido aos seus eleitos e direcionado a igrejas clandestinas. É, ao mesmo tempo, dor e alegria, sofrimento e exultação.

A parábola do joio e do trigo indica a convivência simultânea do bem com o mal através do crescimento dos cristãos juntamente com os falsos crentes:

Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao homem que semeia a boa semente no seu campo; Mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio. E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu, no teu campo, boa semente? Por que tem, então, joio? E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres pois que vamos arrancá-lo? Ele, porém, lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro.

Mateus 13:24-30

Os adeptos do pós-milenismo indicam que esse texto aponta para a prevalência dos cristãos nos últimos momentos antes da volta de Cristo, uma vez que o crescimento do trigo parece ser maior. Por outro lado, os defensores do amilenismo fazem coro com Cristo: “Quando, porém, vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Lucas 18:8).

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O meu ponto nesse texto é que, mesmo havendo uma disputa a respeito do milênio, isso não invalida a oração por avivamento juntamente com a crença numa grande tribulação final. Há quem brinque dizendo que todo amilenista de joelhos é um pós-milenista, já que sempre ora por mais do poder de Deus sobre a terra. Entretanto, somos incitados a orar por missões mesmo sabendo que Deus escolheu o número dos seus; somos incitados a orar pela salvação de alguém mesmo sabendo que é apenas Deus quem o regenera. E cremos que nenhuma oração bíblica é invalida ou irrelevante para Deus, em razão de ser a soberania do Senhor a razão de nosso clamor. Não sendo Deus soberano, toda oração torna-se sem sentido. Então, da mesma forma como os decretos de Deus quanto a salvação não eliminam orações por missões e salvação, mas estabelecem, crer que haverá apostasia não invalida orar por avivamentos e mais do poder de Deus sobre a terra.

“Restaura-nos, ó Senhor, Deus dos Exércitos; faze resplandecer sobre nós o teu rosto, para que sejamos salvos.” (Salmos 80.19)

“Acaso não nos renovarás a vida, a fim de que o teu povo se alegre em ti?” (Salmos 85.6)

“Senhor, ouvi falar da tua fama; tremo diante dos teus atos, Senhor. Realiza de novo, em nossa época, as mesmas obras, faze-as conhecidas em nosso tempo; em tua ira, lembra-te da misericórdia.” (Habacuque 3:2)

Independente do que ocorrerá no futuro, não devemos assumir uma perspectiva pessimista. Isso se assemelha às pessoas que acreditaram que o fim do mundo se daria nos anos 2000 e, por isso, juntaram tudo o que podiam no que tange a mantimentos e se esconderam em locais supostamente intocáveis na destruição final. Ora, acreditar que o fim está próximo não indica que devemos desistir de tudo para esperar esse fim. Da mesma forma, acreditar em uma grande tribulação juntamente com a apostasia não deve indicar uma desesperança quando a mais avivamentos.

Primeiro porque, historicamente, o mundo tem caminhado de forma a sempre haver períodos de grande seca espiritual e, em decorrência da oração de seu povo, grande manifestação do poder de Deus. Portanto, altos e baixos descrevem nossa caminhada. E segundo, porque não sabemos o tempo do fim. Quando chegar o período da grande tribulação, para quem acredita, aí terá chegado o tempo de cessar de orar por avivamentos.

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Enquanto não estamos no momento em que apenas uma linha escatológica fará sentido, sempre será tempo de clamar por mais e mais do poder de Deus e mais e mais da atuação de Seu Santo Espírito entre nós.

Rodrigo Caeté

Rodrigo Caete é Pós-Graduado em Teologia Bíblica pelo Centro Presbiteriano Andrew Jumper (Mackenzie); Graduado em Teologia pelo Seminário Teológico Congregacional de Niterói; Mestrando pelo Instituto Reformado Santo Evangelho; Licenciado em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; Pastor da UIECB. É autor dos livros "Púlpito Feminino", "O Cálice do Evangelho", "O cálice da ira sem mistura" e "Pregadores nas mãos de um Deus irado".

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