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Como Medir seu Crescimento em Piedade(11 min de Leitura)

Uma das perguntas que sempre me fazem sobre a vida cristã é uma variação de “como sei se estou crescendo em piedade?”. Mesmo que você esteja fazendo o melhor que pode para se atentar ao seu crescimento espiritual, pode ser difícil medi-lo, por parecer um tanto abstrato. Esta é uma preocupação comum para todos os crentes, tanto hoje como nos séculos passados. Para Thomas Goodwin, era tão comum que ele decidiu escrever um pequeno caso de consciência sobre o assunto, intitulado “O Julgamento do Crescimento de um Cristão” baseado em João 15: 1-2, onde Jesus diz: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto”. Casos de consciência, ou casuísticas, foram destinados a apresentar os detalhes da vida santa em todos áreas da atividade humana. Nesse caso em particular, Goodwin escreveu para aqueles que tinham “dúvidas e problemas sobre seus bens. . . e, assim, questionar o trabalho iniciado, porque não foi levado tão sensivelmente à perfeição como eles esperam e desejam.”[1] Para ajudá-los a avaliar seu crescimento em santidade com precisão e continuar crescendo, Goodwin comparou e contrastou os falsos sinais de crescimento com verdadeiros sinais de crescimento. No geral, ele nos ensina que crescer em graça não é tão somente sobre parecer-se santo e adequado para o uso de dons, oportunidades, experiências espirituais especiais, ofícios e tarefas. Ao invés disso, trata-se de continuamente produzir o fruto do Espírito em sua alma, em sinceridade, mesmo em circunstâncias difíceis, por amor a Deus e confiança em seu caráter, não em sua própria justiça e mérito humano, embora usando de sabedoria para fazê-lo com o melhor de sua capacidade. 

Crescimento em piedade NÃO é

1. Apenas crescimento em dons e habilidades

Embora o crescimento na piedade inclua o crescimento em dons como pregar e orar, é melhor descrito como crescimento em graça, como amor e humildade. Goodwin explica isso comparando a graça aos frutos e os dons ao meio de exposição dos frutos, como uma cesta que contempla as frutas: os dons “servem de fato para expor e adornar os frutos, além de ajudar a promover o exercício da graça; eles são bom meio para exposição de frutos. Mas se a graça não cresce com eles, não produzimos muito fruto.” [2]. Goodwin escreve sobre os dons e graça para ajudar aqueles crentes que pensam que “por não orar tão bem quanto os outros, ou fazer tantos serviços aos santos como alguns outros fazem, eles produzem menos frutos” [3]. Na realidade, explica Goodwin, a verdade é que “você pode produzir mais frutos para todos se você anda humildemente em seu chamado e ora com maior fervor, ainda que seja menos garboso ou eloquente” [4].

2. Medido pelo tamanho de suas oportunidades 

Da mesma forma, o crescimento da piedade não é medido pelo fato de você ter uma oportunidade maior ou menor de fazer o bem. Assim, quando João Batista “foi impedido em seu último período na prisão, ainda assim produziu mais fruto” [5]. Foi o mesmo com Paulo. 

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3. Medido apenas por experiências espirituais especiais

Crescimento na piedade também não é medido por experiências especiais, ou o que Goodwin chama de “graças acessórias, como alegria e arrebatamento espiritual” que trazem “conforto” [6]. De fato, Goodwin diz, “é quando não temos conforto como esse que frequentemente exercitamos mais a fé e a humildade, nos apegando mais firmemente a Deus”. 

4. Apenas aumentando seu trabalho exterior 

Assim como os dons são como cestos que contemplam as frutas, o mesmo acontece com os afazeres e ofícios, eles são como as folhas das frutas; eles não são, em si, a piedade, mas algo que a acompanha. Goodwin adverte que alguns fazem grandes profissões de fé, mas isso não reflete realmente o que está acontecendo em suas almas. Aqui, Goodwin deixa bem claro seu ponto principal sobre o crescimento da piedade: “O verdadeiro crescimento começa nos órgãos vitais; o coração, o fígado, o sangue ganha solidez e vigor, e assim todo o homem exteriormente; essa santidade do coração é a coisa pela qual você deve julgar” [7].    

5. Sobre um aspecto isolado da piedade

Crescimento na piedade não é apenas o aumento de um aspecto do fruto do Espírito, mas do fruto como um todo. O fruto é constituído de vários gomos e o crescimento dele diz respeito ao todo. É isso que os puritanos chamavam de santidade universal; isso não significa que você tenha que ser perfeito, mas que você deve estar ciente dos vários aspectos do fruto e da vida cristã. Alguns aspectos são aprimorados em silêncio e solidão, outros na família, na igreja e na comunidade, mas todos devem ser incluídos. Goodwin explica isso usando uma história doce e bem-humorada sobre um filho que quer brincar com a mãe o dia todo, mas deve ir à escola e passar o tempo em casa à noite: “embora a criança por amor à mãe e a doçura que ele tem em sua companhia poderia desejar em seu coração ficar o dia todo em casa para contempla-la, sua mãe se agrada mais em vê-lo ir à escola durante o dia e à noite voltar para casa a estar com ela, e então brinque com ela; e ela então o beija” [8].

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Crescimento em piedade é

1. Conhecimento e exercício de novas graças

Primeiro, o crescimento da piedade inclui o exercício de novos aspectos de graça, “como quando em nosso conhecimento somos levados a novas verdades, e temos afetos respondíveis correndo com essas descobertas para as coisas reveladas” [9]. Goodwin esclarece que, embora o crente aprenda muitas coisas quando convertido, “ainda assim ele os repassa aos poucos por toda a sua vida”. [10]

2. Aumento das graças atuais

O crescimento também é medido por um grau crescente de algo que você já pratica. Goodwin lista vários exemplos disso. Você sabe que está crescendo em piedade quando [11]:

  1. Seu amor se torna mais fervoroso;
  2. Sua fé te leva a lançar-se cada vez mais sobre Cristo, encontrar doçura em Cristo, ter nEle consciência;
  3. Você tem mais força para resistir à tentação e é “menos movido e abalado por elas”;
  4. Você odeia mais o pecado,
  5. Suas orações são mais frequentes;
  6. Você confessa pecados secretos não apenas fala sobre eles;
  7.  Você ora mais pela igreja.

3. Sendo enraizado mais plenamente em Cristo

Crescer em piedade não te faz mais confiante e reconhecido em sua própria moralidade, mas plenamente satisfeito e reconhecedor, em confiança, da justiça de Cristo. Goodwin resume, “quanto mais a graça for reconhecida em tudo, crida sobre tudo, quanto mais centradas no evangelho forem as nossas obras, mais para Deus e sobre Deus… maior será o nosso crescimento ” [12]

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4. Manifestar o fruto certo no momento certo

O crescimento também é medido quando manifestamos o fruto certo no momento certo, já que há um tempo e um lugar para cada um ser feito. Assim, Goodwin postula: “os jovens cristãos fazem mais, mas fora de estação, e o diabo os ofende, colocando-os em deveres [disciplinas espirituais], quando eles estariam em seus refrigérios [isto é, descansando]. Ele os engana com isso, com a proposta de que os deveres sagrados em si mesmos, sozinhos e isoladamente comparados, são melhores do que fazer qualquer outra coisa; enquanto a estação adiciona a bondade às nossas ações. Assim, recriar-se em algumas estações é melhor do que estar rezando” [13].

5. Ser coerente em seus deveres espirituais

Crescer em piedade significa consistentemente fazer coisas piedosas, não ter picos de piedade aqui e ali, mas ser contínuo. De acordo com Goodwin, a consistência “argumenta que nosso homem interior é mais renovado a cada dia, quando podemos caminhar juntos com Deus por um longo tempo juntos” [14].  

6. Continuando a dar frutos em épocas difíceis

Crescer em santidade também significa continuar a dar frutos em estações difíceis, quando se torna mais difícil fazê-lo do que era antes. Por exemplo, “orar e continuar orando, quando não ouvimos respostas, mas o contrário” [15].

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7. Aproveitar ao máximo as suas oportunidades/ habilidades

Por último, crescer em piedade é sabiamente lidar com o que Deus lhe deu para obter os melhores resultados. Goodwin usa a história de Jetro aconselhando Moisés a apenas presidir o julgamento de grandes questões, em vez de todas as pequenas, e a delegar as mesmas aos outros. Goodwin explica mais detalhadamente: “quando, portanto, um homem olha para ele, e estuda para melhorar a si mesmo para a máxima vantagem a Deus em seu lugar, para expor seu crédito, suas partes e tudo por Deus, como um fator fiel nas melhores mercadorias, embora ele lida com menos particularidades, ele pode produzir mais frutos. ” [16]

No geral, crescer em piedade leva tempo e é difícil discernir. Mas é bom estar preocupado com o seu crescimento, porque isso mostra que você se importa, e é bom ter tempo para se examinar, porque todos nós precisamos continuar crescendo. O importante a lembrar é que o crescimento “é um mistério a ser apreendido pela fé”, e é certo se você desistir da confiança em suas próprias obras e “voar sozinho para Cristo”, que é a “videira verdadeira” da qual todos galhos frutíferos crescem. [17]


NOTAS:

[1] Thomas Goodwin,  Os Trabalhos de Thomas Goodwin, DD  (Edimburgo: James Nichol, 1866), 3: 461. [2] Goodwin,  Works , 3: 461. [3] Ibid., 3: 465. [4] Ibid. [5] Ibid., 3: 466. [6] Ibid. [7] Ibid., 3: 467. [8] Ibid., 3: 469. [9] Ibid., 3: 470. [10] Ibid. [11] Ibid., 3: 471. [12] Ibid., 3: 472. [13] Ibid. [14] Ibid. [15] Ibid., 3: 473 [16] Ibid. [17] Ibid.,3: 462, 437.//

2019
© Traduzido por Amanda Martins, revisado por Elnatan Rodrigues. Áudio por Sérgio Cavazonni. Texto original em Historicaltheology.org.

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Jenny-Lyn de Klerk

Jenny-Lyn de Klerk

Jenny-Lyn é assistente do projeto puritano no Regent College em Vancouver (@puritanjenny) e escreve para o blog jennylynsandra.wordpress.com. Ela está doutorando em teologia histórica no Midwestern Baptist Theological Seminary (EUA).

Thomas Goodwin

Thomas Goodwin

Thomas Goodwin (1600-1680) conhecido como "o velho", era um teólogo e pregador puritano inglês e um importante líder dos separatistas. Foi autor de diversas obras teológicas.

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