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Consolo Aos que Choram Willy Robert
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Consolo Aos que Choram(21 min de Leitura)

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.

Mateus 5:4

O profeta que chora

O profeta Jeremias é chamado por muitos de O Profeta das Lágrimas. Ele recebe essa alcunha pelo contexto muito específico em que viveu em Israel. No começo de seu ministério ele chama o povo ao arrependimento, porém de maneira sequencial o povo se recusa a atender ao chamado do profeta, Deus então muda a mensagem de seu servo. A partir daqui Jeremias não mais pregaria sobre o arrependimento, mas sim anunciaria a iminente destruição da cidade pelos inimigos, e toda essa destruição viria como consequência pelos pecados que o povo constantemente cometia contra Deus.

Os babilônios conseguem invadir a cidade e destroem tudo. Algumas pessoas são levadas como escravos para Babilônia, homens são mortos, mulheres são estupradas, os velhos são assassinados, crianças são partidas ao meio pelos soldados, o templo é totalmente destruído, se cumpre tudo aquilo que o profeta havia anunciado.

Jeremias compõe o livro de Lamentações, onde numa série de elegias, ele expressa sua inconsolável tristeza por causa da agonia e da angústia da cidade. No primeiro lamento o autor descreve a queda da cidade de forma geral. No segundo ele especifica alguns detalhes desta queda, inclusive o fato de que tal atrocidade aconteceu como um juízo de Deus por causa dos pecados do povo. No terceiro ele elucida alguns fatores profundos desse julgamento divino. Algumas lições aprendidas por Jerusalém sobre esse julgamento são sublinhadas no quarto. E o último lamento é uma profunda oração, mostrando como os sofrimentos de Jerusalém a levaram a lançar-se nos braços da misericórdia divina e esperar o favor do Senhor para com o seu povo.

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Vemos em Jeremias um homem que tinha amor pelo Senhor, apreço pela palavra de Deus e amor pelo povo, ele chora constantemente pelo pecado do povo, peca desolação que vira, pelas perseguições que sofreu por alertar o povo quando ao seu destino iminente.

Bem-aventurados os que choram

Bem-aventurados os que choram porque serão consolados.

Mateus 5:4

No Sermão do Monte pregado por Jesus e relatado no evangelho de Mateus, o tema da primeira bem-aventurança é o reconhecimento da própria pobreza espiritual e de que o homem nada pode fazer para agradar a Deus, ele é pobre e miserável (Mt 5.3). Na Segunda bem-aventurança, a questão é o luto. Nove diferentes palavras gregas são usadas no Novo Testamento para falar de tristeza. Dos nove termos utilizados o que temos neste texto (πενθοῦντες) é o mais grave. Ele representa a mais profunda tristeza sentida no coração, e era geralmente reservado para expressar o luto pela morte de um ente querido.

O termo é usado na LXX para descrever a dor de Jacó quando foi informado que seu filho José havia sido morto por um animal selvagem (Gn 37.34). O termo também é usado para descrever o luto dos discípulos de Jesus antes que soubessem que Ele havia ressuscitado dos mortos (Mc 16.10). Perceba, o foco do termo é expressar a dor e a agonia interna que pode ou não ser expressada pelo choro.

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Chorar pelo quê?

O teólogo batista Jonh MacArthur faz o seguinte comentário sobre este texto: “Pecado e felicidade são totalmente incompatíveis. Quando um existe não pode existir o outro. Até o pecado ser perdoado a felicidade está bloqueada. Lamentação sobre o pecado traz o perdão do pecado, e o perdão do pecado traz uma liberdade e uma alegria que não pode ser experimentado de qualquer outra forma”.

O cristão é constantemente afrontado por sua pecaminosidade. Ao crescer na graça e no conhecimento o cristão cresce também na consciência do pecado e isso gera tristeza. Ao encarar sua realidade enquanto pecador ele chora. Mas perceba, o choro aqui está totalmente ligado ao arrependimento, não é um choro fingido, um choro externo e teatral, mas sim um choro verdadeiro, fruto de um coração arrependido que reconhece a santidade de Deus. Reconhece que seu pecado levou Jesus Cristo para a cruz.

O cristão não consegue pecar e fingir que nada aconteceu. Ele não consegue pecar e pousar a cabeça no travesseiro como se nada tivesse acontecido. Assim como o pecado é uma realidade diária em sua caminhada, o reconhecimento, tristeza e arrependimento dos pecados também devem acompanha-lo como parte do processo de santificação. O Espírito Santo que o guia e conduz, o convence do pecado, e isso inevitavelmente traz choro; tristeza e arrependimento. Não a tristeza segundo o mundo que produz a morte, mas a tristeza segundo Deus que produz arrependimento.

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A Bíblia nos dá alguns exemplos disso: Pedro trai Jesus, ao cantar do galo ele entende seu pecado e chora copiosamente. Mas Pedro se arrependeu, foi perdoado e restituído. Judas pecou de igual forma, porém não se arrependeu. Davi pecou, adulterou com Bate-Seba, assassinou Urias, porém se arrependeu e foi perdoado. Saul pecou e não se arrependeu, pelo contrário, se afundou mais ainda no pecado.

O cristão é chamado diariamente a uma vida de arrependimento. Arrependei-vos, esse é o chamado do evangelho, o arrependimento não ocorre uma única vez e pronto, o arrependimento é algo constante na vida do cristão assim como a confissão de pecados também deve ser.

Choro pelos pecados dos outros

William Hendriksen comentando esse texto expande um pouco mais os horizontes, veja:

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“Não é necessário, contudo, limitar esse choro ao que ocorre em virtude dos próprios pecados individuais de uma pessoa: aqueles pelos quais pessoalmente ofendeu a Deus. O regenerado aprende a amar a Deus de tal forma que começará a chorar diante de todas as obras ímpias que os ímpios têm cometido de uma forma muito ímpia. O seu pranto, pois, está centrado em Deus, não no homem”.

O mundo em que vivemos é mal, ele jaz no maligno. Ele é inimigo de Deus, e faz exatamente tudo aquilo que desagrada a Deus. E detalhe, o mundo faz tudo isso sorrindo e se regozijando.

O cenário do mundo à nossa volta é terrível. Os homens traem suas esposas, esposas traem seus maridos. Os filhos não respeitam seus pais, vivem numa espécie de emancipação moral onde não existe mais obediência, consideração, afeto, honra. Só existe o interesse no que o pai pode oferecer. Pais violentam filhas e filhos. Abortos acontecem frequentemente e uma parte da sociedade luta para que mais abortos aconteçam de forma legalizada. Todos os dias pessoas são assassinadas, só em nosso país no último ano foram cerca de 43 mil homicídios. A moral está baixíssima, homens se relacionam com outros homens e passeiam pelas ruas como se fosse a coisa mais natural, e a sociedade tende cada dia mais a normatizar este tipo de comportamento.

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Por outro lado, olhando para os cristãos não vemos uma situação confortadora. Pecamos frequentemente. Mesmo a Bíblia dizendo que morremos para o pecado, mesmo a Escritura nos ordenando que não deixemos reinar em nós o pecado pois já morremos pra ele e não somos mais seus escravos. Mesmo assim, pecamos. Não amamos a Deus como deveríamos amar, colocamos várias coisas na frente de Deus em nossas vidas. Não amamos nosso próximo como deveríamos amar. Notamos entre nós impurezas, lascívias, inimizades, invejas, discórdias. E conhecendo o contraste entre a gravidade desses pecados e a santidade de Deus, tal situação não nos tem feito chorar.

Estamos cercados de pecado, de misérias, de coisas que desagradam a Deus, e nós mesmos, constantemente, desagradamos ao Senhor com nossos atos, nossos pensamentos, nossa conduta de vida. E isso que deveria nos causar pesar, deveria nos fazer chorar, mas infelizmente não faz.

Quando digo “chorar” não me refiro somente ao ato de derramar lágrimas pelos olhos, mas sim ao que deveria preceder o ato, que é a tristeza, o arrependimento, o pesar. Paulo fala sobre a tristeza segundo Deus que produz arrependimento (2 Co 7:10).

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As pessoas estão indo para o inferno diariamente e os crentes fazem piada disso. O nome de Deus é zombado, achincalhado e os crentes não se sentem incomodados com isso. A depravação moral aumenta a cada dia e isso não faz os crentes moverem um fio de cabelo sequer. Os crentes pecam, pecam e pecam e sequer tem a preocupação de orar confessando seus pecados.

Enquanto o mundo caminha de mal a pior, se afundando a cada dia no pecado, a orientação bíblica é para que os crentes sintam pesar de tais acontecimentos.

Há uma grande necessidade da igreja chorar ao invés de rir.

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A frivolidade, tolice e insensatez que reina no cristianismo deve nos fazer chorar.

John MacArthur

O chamado bíblico para chorar

Isaías ao profetizar a respeito da ruína de Jerusalém diz o seguinte: “O Senhor, O Senhor dos Exércitos, vos convida naquele dia para chorar, prantear, rapar a cabeça e cingir o cilício. Porém é só gozo e alegria que se veem; matam-se bois, degolam-se ovelhas, come-se carne, bebe-se vinho e se diz: Comamos e bebamos, que amanhã morreremos”. (Is 22.12,13).

Em Ez 9, um capítulo inteiro é destinado a mostrar a visão que Deus dá ao profeta, e essa é uma visão de destruição, é uma visão que mostra que a destruição da cidade se dará pelas mãos do próprio Deus, e os Babilônios que chegarão 6 anos mais tarde virão como instrumentos de Deus. É muito significativo notar que nos versos 2 e 3 o Senhor ordena que o homem vestido de linho passe pelo meio da cidade e marque com um sinal a testa daqueles que suspiram e gemem por causa de todas as abominações que se cometem no meio da cidade. Os próximos versículos mostram que todos aqueles que não foram marcados na testa foram mortos e exterminados. Está claro aqui que essa postura de se lamentar pelas abominações cometidas pelos ímpios, gemer, suspirar e chorar por isso, é algo que Deus espera daqueles que são seus.

No livro de Esdras temos exemplo semelhante, após o retorno do cativeiro babilônico, o povo de Israel se envolveu em miscigenação, os homens casaram com mulheres estrangeiras, tiveram filhos com elas, deram seus filhos em casamentos às mulheres estrangeiras, algo que era terminantemente proibido na lei do Senhor.

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Quando Esdras se depara com essa situação de tamanha transgressão da lei de Deus, ele rasga suas vestes, (Ed 9.3,4), arranca os cabelos da cabeça e da barba, e fica sentado atônito durante horas, ele chora por causa do pecado do povo, nos versículos que se seguem, em sua oração ele argumenta com Deus que estava totalmente envergonhado a ponto de não poder levantar os olhos por causa do pecado do povo.

No cap 10.6 o texto nos informa que ele: “não comeu pão, nem bebeu água, porque pranteava por causa da transgressão dos que tinham voltado do exílio”. Ele chora, se recusa a se alimentar, se recusa a beber água, por causa de um pecado que ele não havia cometido, ele era versado na lei do Senhor, conhecia a santidade de Deus, e o pecado do povo fez com que ele se sentisse mal, fez com que ele chorasse.

No Salmo 119.136 o salmista expressa o mesmo princípio: “Torrentes de água nascem dos meus olhos, porque os homens não guardam a tua lei.”.

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Você se sente mal pelos diversos pecados que as pessoas cometem contra Deus? Você se sente mal pelos pecados que você comete contra Deus?

No cap 9 do livro de Daniel temos outro comovente relato de confissão de pecados, e de arrependimento por ter transgredido a lei de Deus (Dn 9.1-20). Daniel entende através da leitura do livro do profeta Jeremias que o tempo do castigo do povo estava se cumprindo, ele então parte pra uma oração onde reconhece a grandeza de Deus, (vs 4), reconhece e confessa os pecados e iniquidades do povo (vs 5), note que ele entende que os seus próprios pecados também são causa de todos esses males, pois ele se dirige a Deus na primeira pessoa do plural.

Você tem confessado seus pecados a Deus em suas orações?

Hendriksen diz que: “A poderosa onda de emoção que caracteriza a efusão do coração expressa em Sl 119 e Dn 9 se coaduna com o presente contexto, pois a palavra traduzida por chorar, na segunda bem aventurança, indica uma tristeza que emana do coração, toma posse da pessoa toda e se manifesta exteriormente.”

Temos vários indícios do mesmo princípio no Novo Testamento, além de Mt 5.4, temos também o livro de Tiago. Ao escrever sua carta Tiago diz que as guerras e contendas que haviam entre os crentes procedem dos prazeres que militam na carne. Ele segue e descreve um pouco da situação:

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“Cobiçais e nada tendes; matais, e invejais, e nada podeis obter; viveis a lutar e a fazer guerras. Nada tendes, porque não pedis; pedis e não recebeis porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres. Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. Ou supondes que em vão afirma a Escritura: É com ciúme que por nós anseia o Espírito, que fez habitar em nós? Antes, ele dá maior graça; pelo que diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros, Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração. Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza. humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará.” (Tg 4.1-10)

Há de se lembrar que o choro ao qual me refiro e que a Escritura menciona, não é o choro de desespero, não é uma atitude de alguém desolado que não consegue encontrar consolo. Também não é um choro fruto de auto piedade. Muito menos é um choro por causa dos homens, mas é um choro por causa de Deus. Esse choro é causado pela tristeza ao ver o nome de Deus sendo zombado, ao ver a honra de Deus ser afrontada. Assim como uma criança se incomoda e chora ao ver os pais sendo ofendidos, assim também nós devemos nos incomodar ao comtemplar um mundo onde Deus não é levado a sério.

O cristão não pode se alegrar?

Isso tudo não significa afirmar que o crente não possa ter alegrias, não possa ter momentos de divertimento, no entanto, tais momentos não podem estar relacionados ao pecado. E o pecado não pode estar sendo a causa de prazeres e alegrias nas pessoas. Nossa alegria vem de Cristo e de tudo aquilo que ele nos proporcionou e proporciona diariamente.

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Podemos sim nos alegrar em família, em nossas conquistas pessoais, devemos sim nos alegrar e nos divertirmos no dia a dia. Porém o que não podemos fazer é basear nossa alegria em coisas pecaminosas. Não podemos ser indiferentes aos pecados e misérias que nos cercam como se não fosse nada. Não podemos nos conformar com esse mundo. A regra do mundo não é a nossa. Temos a Palavra de Deus como guia e somente ela.

Os que choram serão consolados

Sei que existem muitos cristãos que se encaixam nas coisas que falei, sei também que muitos cristãos se encaixam na condição daqueles que choram, daqueles que sentem pesar, daqueles que não se atrevem a ficar impassíveis frente a uma situação onde o nome de Deus é zombado. Existem aqueles que são alegres em Cristo, mas choram quando pecam, se sentem mal; tristes. Entendem o pecado como algo maldito e se arrependem quando caem, confessam seus pecados. Choram ao ver as injustiças que acontecem mundo afora.

Aos que choram por amor a Deus, choram arrependidos de seus pecados, choram ao ver o estado do mundo em que vivemos, a palavra de Deus tem algo para vocês. “Bem-aventurados os que choram, pois, vocês serão consolados”. O resultado do choro piedoso, fruto do arrependimento e da renúncia ao pecado é o conforto. Não é o choro que abençoa, mas o conforto que Deus dá aqueles que choram.

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Conforto vem do grego parakaleo, a mesma palavra que designa a pessoa do Espírito Santo como o consolador. (Jo 14.16).

Quando nosso choro sobe até Deus, Seu conforto inigualável e incomparável desce até nós. Ele é o Deus de toda consolação (2Co 1.3), que está sempre pronto a atender a nossa necessidade O Pai é um pai consolador. Cristo é um Cristo consolador, o Espírito Santo é um Espírito Santo consolador. Leia (2Ts 2.16)

A Palavra de Deus nos consola – Rm 15.4: “Pois, tudo quanto outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança”.

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O Espírito Santo nos consola – Jo 14.16: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco”.

Devemos consolar uns aos outros – 2Co 13.11: “Quanto ao mais irmãos, adeus! Aperfeiçoai-vos, consolai-vos, sede do mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz estará convosco.”.

O consolo a que esse versículo (Mt 5.4) se refere, não é somente o consolo final, é um consolo imediato, é um consolo trazido pelo Espírito Santo. No entanto, há também, o consolo definitivo, onde não haveremos mais de chorar, de nossos olhos serão enxugadas todas as lágrimas, não mais sentiremos dor, não mais pecaremos, viveremos plenamente santos com nosso amado Senhor e Salvador Jesus Cristo. É isso que esperamos, é por isso que clamamos, maranata, ora vem Senhor Jesus!

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Willy Robert

Willy Robert é pastor batista, bacharel em Teologia pelo Seminário Martin Burcer, onde também está mestrando Teologia Histórica. Willly é criador do Resenha Teológica e é casado com Rosy Henriques.

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