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Eleição Incondicional em Clemente de Roma

Neste artigo John Gill demonstra que a doutrina da eleição incondicional não é algo “inventado” pelos reformadores, mas que é uma doutrina que sempre existiu na História da Igreja, inclusive, fora mencionada pelos pais dela.

Clemente de Roma [35-100], viveu nos tempos dos apóstolos e é, por Clemente de Alexandria [1], chamado de apóstolo. Ele é o mesmo Clemente do qual o apóstolo Paulo expõe em Filipenses 4:3 [2] como sendo um de seus companheiros de trabalho. Ele escreveu uma epístola em nome da igreja de Roma para a igreja em Corinto, em meados do ano 69 [3], que é o primeiro período da antiguidade ao lado dos escritos dos apóstolos existentes, sendo escrito quando alguns deles ainda estavam vivos, Clemente escreve antes do apóstolo João escrever suas Epístolas e o livro do Apocalipse, e enquanto o templo de Jerusalém ainda estava intacto. Nesta epístola existem várias coisas relacionadas a doutrina da eleição incondicional.

I. Em Concordância com a Doutrina Apostólica

Deus opera todas as coisas segundo o conselho de sua própria vontade (Efésios 1:11), que seus propósitos permanecerão, e que tudo o que ele determinou acontecerá, Clemente diz que “Quando Ele quiser, e como Ele quer, Ele faz todas as coisas, e que nenhuma das coisas que são decretadas por Ele, passará, ou não será cumprida: o que mostra o seu senso de dependência de todas as coisas sobre a vontade de Deus e da imutabilidade de seus decretos em geral” [4].

II. Número Determinado de Eleitos

Ele não somente faz referências a pessoas como sendo eleitas de Deus, mas também expõe a existência de um certo, especial e peculiar número de eleitos determinados por Deus. Falando sobre o cisma e a sedição na igreja em Corinto, ele apresenta os eleitos como sendo o que era “muito impróprio, e deveria estar longe de serem eleitos de Deus” [5].

E em outro lugar citando o Salmo 18:26, ele diz: “Juntemos, portanto, aos inocentes e justos que são os predestinados por Deus”. [6] E em outro lugar, ampliando o elogio da graça e do amor, ele diz: “O amor não conhece a confusão, não é sedicioso, o amor opera todas as coisas em harmonia, todos os eleitos de Deus são perfeitos no amor” [7], o que concorda com o que o apóstolo diz (que somos escolhidos para sermos santos e irrepreensíveis diante de Deus, Efésios 1:4).

Além disso, Clemente elogia os membros da igreja de Corinto escrevendo que “dia e noite, sustentáveis combate em favor da fraternidade, a fim de conservar íntegro, por meio da misericórdia e da consciência, o número dos eleitos de Deus”. [8] E em outro lugar ele diz, que “Deus escolheu o Senhor Jesus Cristo e nós incondicionalmente por meio dEle, para sermos um povo peculiar”. [8]

III. Mesmos Termos Paulinos

Considerando que o apóstolo Paulo, escrevendo aos Efésios, diz:

Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor.

Efésios 1:3-4

Concluímos, daí, que desde toda a eternidade houve uma preparação de bênçãos espirituais; e em concordância, Clemente, nosso escritor apostólico, tem essas mesmas belíssimas palavras: “Reflitamos, portanto, irmãos, sobre a matéria de que fomos feitos; como e quem éramos, quando entramos no mundo; de que túmulo e de que trevas, aquele que nos formou e criou nos introduziu no mundo que lhe pertence. Ele preparou seus benefícios antes que tivéssemos nascido.” [9]

IV. A Vontade Soberana de Deus

Este autor muito antigo diz claramente que as bênçãos especiais e espirituais da graça são peculiares aos eleitos de Deus; e que é a firme e inalterável vontade de Deus, que seus eleitos participem delas: particularmente o arrependimento e a remissão dos pecados: por ter mencionado essas palavras no Salmo 32:1-2:

Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa maldade, e em cujo espírito não há engano.

Salmos 32:1-2

Ele observa que esta benignidade é inerente aos predestinados, “os que são escolhidos por Deus por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor”. [11]

E em outro lugar tendo tomado conhecimento de algumas instâncias, declarações e exortações gerais, encorajando os homens ao arrependimento, ele sugere que o plano de Deus aqui foi trazer ao arrependimento aqueles a quem Ele ama; Suas palavras são estas:

Portanto, Ele (isto é, Deus), desejando que todos os seus amados devam participar do arrependimento, confirmado por sua vontade soberana.

Carta de Clemente aos Coríntios, p. 20.

Ou seja, Deus , não querendo , como o apóstolo Pedro diz, que qualquer um de seus amados pereça, mas que todos eles venham ao arrependimento (2 Pedro 3:9), ele argumenta que seria por meio de um decreto imutável, que eles deveriam chegar ao arrependimento; e, portanto, faz uso das declarações e exortações acima como meio para trazê-las para Ele.

V. A Escolha Soberana de Deus em Cristo

Como as Escrituras sempre atribuem o ato de eleição a Deus e não os homens, e representam isso como sendo feito em Cristo e através de Cristo (Efésios 1:4-5); que Ele foi escolhido pela primeira vez como cabeça, e os eleitos como membros do corpo dEle; então Clemente fala de Deus como aquele que escolheu o Senhor Jesus Cristo, e nós por ele: “(…) dos eleitos como escolhidos incondicionalmente através de Jesus Cristo, nosso Senhor” [12], e exorta os homens para vir a Deus em santidade, levando-lhe “mãos puras e imaculadas, amando o nosso amável e misericordioso Pai, o que é aquele que nos fez parte dos eleitos e de si mesmo” [13].


Notas:
[1] Stromat. 50: 4, p. 516.
[2] Euseb. Eccl. Hist. 50: 3, c. 15; Hieron. Catálogo. Roteiro. Eccl. s. 25.
[3] Fabricii Bibl. Graec. 50: 4, c. 5, p. 175.
[4] Epist. ad corinth. 1: p. 64.
[5] Epist. ad Corinth.ip 2.
[6] Ibid. p. 104.
[7] Epist. ad corinth. 1: p. 64.
[8] Ibid. p. 6.
[9] Ibid. p. 130.
[10] Epist. ad corinth. 1: p. 88.
[11] Ibid. p. 114.
[12] Episi. ad corinth. p. 130, 114.
[13] Ibid. p. 66

Retirado de ” The Cause Of God And Truth”, John Gill. Citações escriturísticas a partir da Almeida Corrigida Fiel (ACF). 2019 © Traduzido por Elnatan Rodrigues; revisado por Amanda Martins; áudio por Sérgio Cavazonni. Para o uso correto deste recurso visite nossa Página de Permissões.

John Gill

John Gill

John Gill (1697-1771) foi pregador e autor de diversas obras teológicas. Gill é conhecido por seu estudo aprofundado das Escrituras e grande dedicação na exposição bíblica.

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