Reformai
Publicidade:
Home | Guarde o Teu Coração

Guarde o Teu Coração(11 min de Leitura)

Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.

Provérbios 4:23

O coração do homem é a sua pior parte antes de sua regeneração, mas também a melhor de todas após a conversão: é a sede dos princípios e a fonte das ações. Onde os olhos de Deus estão, e onde os olhos do cristão devem estar, fixos nele.

O maior desafio na conversão é a rendição do coração a Deus; e a maior dificuldade após a conversão é manter o coração com Deus. Aqui reside o ponto de equilíbrio da fé; aqui está o que torna o caminho para a vida um caminho estreito e a porta do céu uma porta estreita. Instrução e ajuda neste grande trabalho são o escopo e a soma deste texto.

Coração não é aqui considerado apropriadamente por aquela parte nobre do corpo que os filósofos chamam de primum vivens, et ultimum moriens (o primeiro que vive e o último que morre); mas de coração, em uma metáfora, a Escritura às vezes entende como a faculdade nobre e particular da alma: Em Romanos 1:21 , é colocada na parte do entendimento, seu coração tolo, (isto é) seu entendimento tolo foi obscurecido. E Salmos 119:11, está colocado como a memória, a tua palavra tenho escondido no meu coração; e 1 João 3:20, é posto para a consciência, que o possui tanto à luz do entendimento, quanto aos reconhecimentos da memória: Se nosso coração nos condena, (isto é) nossa consciência, cujo curso natural é condenar. Mas aqui em Provérbios devemos considerá-lo de forma mais geral, abrangendo toda a alma ou homem interior; pois veja que, assim como o coração está para o corpo, a alma está para o homem; e o que a saúde é para o coração, a santidade é para a alma: Quod sanitas in corpore id sanctitas in corde. O estado de todo o corpo depende da integridade e vigor do coração, e o estado eterno do homem inteiro depende da boa ou má condição da alma.

Publicidade:

E por manter o coração, compreenda o diligente, constante uso e aperfeiçoamento de todos os meios e deveres sagrados, para preservar a alma do pecado e manter sua doce e livre comunhão com Deus. É como se o coração fosse uma cidade sitiada, rodeada por muitos inimigos e em temor de ter traição interna de seus cidadãos traiçoeiros – cujo perigo, os soldados, sob pena de morte, são ordenados a vigiar. Embora a expressão (guarde teu coração) pareça colocar sobre nós como algum mérito nosso, ainda assim, não implica em uma suficiência ou habilidade de nós mesmos.

Somos tão capazes de parar o sol em seu curso ou fazer os rios correrem para trás, quanto somos capazes em governar nossos corações: podemos muito bem ser nossos próprios salvadores, como nossos próprios guardiões; no entanto, Salomão fala com bastante propriedade quando diz: Guarda o teu coração. De fato, o dever é nosso; mas o poder para isso pertence a Deus. O homem natural não tem tal poder; o homem que tem a graça tem algum, embora não seja suficiente; e esse poder que ele possui depende da força existencial e assistencial de Cristo: Gratia gratiam postulat (graça requer graça), a graça em nós é contemplar a graça sem nós. ‘Sem mim nada podeis fazer’, João 15:5.

A maneira de como devemos cumprir este dever com toda diligência, o hebraico é muito enfático com o sentido de “guarde com todos os cuidados”. Como estivesse dizendo “dobre a sua guarda”. E nesta grande verdade o dever é exigido, implica claramente como é difícil manter nossos corações e quão perigoso é deixá-lo sem devido cuidado.

Publicidade:

A razão ou motivo deste dever é muito poderoso e pesado: pois dele procedem as fontes da vida. Ou seja, é a essência e a fonte de todas as ações – hinc fons buni et pecandi orige, disse Jerônimo, é o articulador do bem e do mal como a mecânica de um relógio que põe todos os ponteiros em movimento. O coração é o tesouro, mas a mão e a língua que usam tal tesouro: O que estes fazem provém daquele, isto é, a mão e a língua sempre começam onde termina o coração. O coração trama e os membros executam.

O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal, porque da abundância do seu coração fala a boca.

Lucas 6:45

Portanto, se o coração errar em sua obra, tudo o que o segue necessariamente falhará na sua; pois os erros do coração são como os erros da primeira mistura que não podem ser retificadas depois ou como o extravio e a inversão dos selos e letras na prensa, que deve necessariamente causar tantas erratas em todas as cópias que são impressas. Oh, então, quão importante é o dever que está contido na seguinte proposição!

Guardar e administrar corretamente o coração em todas as condições é a grande tarefa da vida do cristão

O que o filósofo diz das águas é totalmente aplicável aos corações: “suis terminis: dafficile continentur” (é difícil mantê-las dentro de qualquer limite). Deus estabeleceu limites para o coração, mas com que frequência ele ultrapassa tais limites, não apenas os limites da graça e da religião, mas também da razão e da honestidade comum? Este é um grande trabalho acompanhado pelo temor e tremor até o dia da morte. Não é a purificação das ações que torna uma pessoa cristã, pois muitos hipócritas podem ter ações belas; mas a santificação, vigilância e ordem correta do coração; isso é o que provoca tantas queixas tristes e custa tantos gemidos profundos e lágrimas em alguns homens. Foi o orgulho do coração de Ezequias que o fez jazer no pó, lamentando diante do Senhor (2 Crônicas 32:26). Foi o medo da hipocrisia invadindo o coração que fez Davi clamar: “Seja reto o meu coração nos teus estatutos, para que não seja confundido” (Sl 119:80).

Publicidade:

Guardar o coração supõe necessariamente uma obra anterior de santificação, que endireitou o coração, dando-lhe uma nova inclinação e desejo espiritual; pois, enquanto o coração não for regenerado pela graça, quanto à sua estrutura habitual, nenhum dever ou meio pode mantê-lo reto diante de Deus. O “eu” é a postura do coração não santificado que o inclina e o move em todos os seus projetos e ações; e, enquanto for assim, é impossível que qualquer meio externo o mantenha com Deus.

O homem, por criação, era de uma estrutura e teor de espírito constante e uniforme, mantinha um curso reto e regular; nenhum pensamento ou faculdade se turvou ou desordenou: sua mente tinha uma iluminação perfeita para entender e conhecer a vontade de Deus; sua vontade era um cumprimento perfeito; seu apetite sensível e outros poderes inferiores mantinham-se na mais obediente subordinação.

O homem, por degeneração, torna-se a criatura mais desordenada e rebelde, contestando e se opondo ao seu Criador. Sua prioridade se tornou sua independência; o seu maior bem se tornou o amor próprio; seu Senhor supremo, se tornou sua própria vontade; e o seu último fim, seu próprio egoísmo. E assim, notamos é sua rebelião e todos os seus atos pecaminosos. Seu entendimento iluminado agora foi nublado pela ignorância; sua vontade complacente, cheia de rebelião e teimosia; seus poderes subordinados rejeitando o domínio e governo das faculdades celestiais.

Publicidade:

Mas, pela regeneração, essa alma desordenada é redimida ao seu estado natural; a santificação sendo a retificação e devida moldura ou como a Escritura diz, a renovação da alma segundo a imagem de Deus (Ef 4:24), na qual, a independência é removida pela fé; e o amor próprio, pelo amor de Deus; a vontade própria, pela sujeição e obediência à vontade de Deus; e o egoísmo por abnegação. O entendimento obscurecido é novamente iluminado (Ef 1:18), e a vontade rebelde docemente subjugada (Sl 110:3), o desejo iníquo é conquistado pelo desejo santo (Rm 6:6-7). E assim a alma, que o pecado tinha universalmente depravado, é novamente restaurada e retificada pela graça.

Tendo explicado isso, não será difícil entender o que é guardar o coração, que nada mais é do que o constante cuidado, esforço e diligência de tal homem regenerado para preservar sua alma na moldura sagrada que a graça a colocou.

Pois, embora a graça tenha, em grande medida, redimido a alma, e dado a ela um anseio celestial; ainda assim, o pecado muitas vezes a descompõe novamente; de modo que mesmo um coração gracioso é como um instrumento musical, que, embora seja esteja bem afinado, um pequeno descuido pode coloca-lo fora de sintonia novamente; sim, pendure-o de lado apenas um pouco e ele precisará ser afinado novamente, antes que você possa cantar outra canção com ele. Assim são os corações graciosos; que podem estar habituados a um dever, mas sujeitos a estarem ociosos, mortos e desordenados em outro! E, portanto, todo dever requer uma preparação particular do coração.

Publicidade:

Trecho retirado da obra “Verdadeiramente Santos – A Grande Obra do Cristão em Santificar seu Coração nas mais Diversas Condições da Vida” de John Flavel que será publicado em breve no Reformai. Citações escrituristicas a partir da Almeida Corrigida Fiel (ACF). 2020 © Traduzido por Elnatan Rodrigues Para o uso correto deste recurso visite nossa Página de Permissões.

John Flavel

John Flavel

John Flavel (1630-1691) foi ministro presbiteriano inglês de linhagem puritana, autor de diversas obras teológicas.

Publicidade:
Publicidade:
  • Como Funciona
        • Classificações

        • Principais Assuntos

        • Encontre

        • Recomendamos

        • Lista de Assuntos

        • Arquivos

        • Busque

          Digite uma palavra-chave…

  • Loja
  • Assine
  • Artigos
  • Assuntos
  • Autores
  • Downloads
  • Podcast
  • Séries
AdBlock Detectado

Parece que você está usando uma extensão de navegador de bloqueio de anúncios. Fazemos uso de publicidade em nossa plataforma para nos ajudar com os custos da plataforma e da nossa equipe. Por favor, insira nosso site na lista de permissão em sua extensão. Você pode assinar um dos nossos planos e ter acesso sem publicidade e muitos outros benefícios.

Seja PremiumMuitos conteúdos exclusivos para você!

Aprofunde-se na Teologia Reformada com conteúdos edificantes e bíblicos! No plano anual você paga menos de R$ 10,00 por mês (33% OFF). Aproveite!

Conteúdo protegido por direito autorais.