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O Deus Revelado na Redenção

QUEM É DEUS

A palavra em inglês “God” (Deus) deriva de uma raiz que significa “chamar” e aponta para Ele como o digno de adoração, aquele de quem os homens carecem e a quem invocam. A palavra traduzida do grego que é utilizada no Novo Testamento, no entanto, descreve esse objeto de adoração como Espírito; e a palavra hebraica do Antigo Testamento representa, como principal significado, a ideia de poder. Nos lábios cristãos, portanto, a palavra “Deus” designa fundamentalmente o Todo-Poderoso Espírito que é adorado e cuja ajuda é invocada pelos homens. 

Como Ele pode ser Conhecido e Testificado

Essa ideia primária de Deus, na qual se resume o que é conhecido como teísmo, é o produto dessa revelação geral que Deus faz de si mesmo a todos os homens, no plano da natureza. As verdades envolvidas nela são continuamente reiteradas, enriquecidas e aprofundadas nas Escrituras. A natureza revela o Todo Poderoso, uma vez que foi Ele quem a criou, mas nenhuma simples criação pode ser tão reveladora como a própria Escritura, pois nela nós conhecemos a grande revelação da graça de Deus aos pecadores. 

No plano da natureza, os homens podem aprender apenas o que Deus é, em virtude de Seus atributos essenciais. Mas uma comunicação especial dEle é necessária para garantir-nos o que, em Seu infinito amor, Ele fará pela recuperação dos pecadores de sua culpa e miséria até a felicidade da comunhão com Ele. E para a completa revelação disso, Sua graça na redenção dos pecadores, houve uma revelação ainda mais profunda do modo de Sua existência, em virtude da qual é o mesmo Deus de quem, por quem e para quem são todas as coisas, que é ao mesmo tempo o Pai que providencia, o Filho que realiza e o Espírito que aplica, a redenção. Somente na descoberta desse mistério supremo da Trindade é que a revelação do que Deus é completado.

O fato de a Trindade não ser explícita na revelação geral feita no plano da natureza, apesar de haver indícios dela, se deve ao fato de a natureza não ter o papel específico de dizer sobre a redenção, no processo em que somente as profundezas da natureza divina são conhecidas, isto é, por meio das Escrituras. Nas Escrituras temos a revelação explícita da redenção sendo trabalhada desde o Antigo Testamento e sendo realizada claramente no Novo Testamento, onde podemos destacar o trabalho da Trindade – Pai, Filho e Espírito. Um mistério tão inefável foi colocado diante da mente obscurecida do homem e isso acontece por conda das necessidades do próprio plano de redenção, que está enraizado na distinção trinitária da Divindade, e só pode ser apreendido com base na Trindade em Unidade.

A natureza de Deus foi divulgada aos homens, portanto, em três estágios, correspondentes aos três planos de revelação, e naturalmente conheceremos a Ele, primeiro, como o Espírito infinito ou o Deus da natureza; então, como o Redentor dos pecadores, ou o Deus da graça; e finalmente como Pai, Filho e Espírito Santo, ou Deus Trino.

DEUS, O ESPÍRITO INFINITO

A convicção da existência de Deus traz as marcas de uma verdade intuitiva, na medida em que é a crença universal e inevitável dos homens, e sempre foi diretamente vinculada a ideia de si, que é conhecida ao mesmo tempo como dependente e responsável e, portanto, implica um Deus Criador e de quem todos dependem. Essa percepção imediata de Deus é confirmada por uma série de argumentos conhecidos como “provas teístas”. Elas são derivadas da necessidade que temos de acreditar na existência real do Ser infinitamente perfeito, de um causa suficiente para o universo contingente, de um Autor inteligente da ordem e dos múltiplos artifícios observáveis ​​na natureza, e de um legislador e juiz de seres morais dependentes, dotado do senso de dever e de um sentimento de responsabilidade inerrável; conscientes das contradições morais do mundo e almejando uma solução para eles, e vivendo sob uma percepção intuitiva do direito que eles não vêem realizado. A necessidade óbvia dos Homens crerem neste Ser denota a dependência da Humanidade e da criação, bem como o Deus que fez todo Homem para Si mesmo. Dele, por Ele e para Ele.

A força de prova desses sinais é reconhecida nas Escrituras, enquanto elas acrescentam aos sinais naturais as manifestações sobrenaturais de Deus em um processo redentor, acompanhado em cada estágio de atestado milagroso. 

A partir das provas teístas, contudo, aprendemos não apenas que um Deus existe, mas também necessariamente sobre a Sua Natureza. A Natureza de Deus pode ser testificada através de todos os que provam dEle. Assim, chegamos a conhecer a Deus como um espírito pessoal, infinito, eterno e ilimitado em Seu ser e na inteligência, sensibilidade e vontade que pertencem a Ele como espírito pessoal. Os atributos que são assim atribuídos a Ele, incluindo auto-existência, independência, unidade, singularidade, imutabilidade, onipresença, conhecimento e sabedoria infinitos, liberdade e poder infinitos, verdade infinita, justiça, santidade e bondade, não são apenas reconhecidos, mas ricamente revelados nas Escrituras, que assim colocam o selo de sua revelação especial sobre todos os detalhes da ideia natural de Deus.

DEUS, O REDENTOR DOS PECADORES

Ao reiterar o ensino da natureza sobre a existência e o caráter do Criador pessoal e Senhor de todos, as Escrituras enfatizam a graça ou o amor imerecido de Deus, como exibido em Seu trato com Suas criaturas pecaminosas e que merecem a ira. Mas, ao mesmo tempo em que as Escrituras revelam o amor e a graça de Deus, elas não diminuem ou menosprezam a Sua Justiça e Santidade, pelo contrário, elas deixam bastante evidente todos os atributos de Deus através do plano da redenção, mostrando como todos os atributos de Deus agem em unidade e igualdade. Logo, pelas Escrituras temos a revelação excelente de Deus, em toda a Sua Natureza.

Deus não é representado nas Escrituras como perdão do pecado, porque isso é tão pouco para descrevê-lo, não é todo o Seu atributo. Nem ainda é representado como sendo apenas o Deus do amor, porque ainda tem muitos outros atributos que não se encolhem em desuso na presença de Sua benevolência ilimitada. Ele é conhecido como o Deus que liberta o homem pecador de sua culpa e poluição, porque dessa forma a Sua graça é vista em resgatar o miserável, tanto quanto a Sua Justiça e a Sua Santidade, o repúdio pelo pecado e a Sua ira sobre o mesmo. Ele resgata o pecador porque ama, e o tira do pecado porque o pecado é abominável, e o pecado é abominável porque Ele é Santo. Não é possível separar os atributos de Deus.

A apresentação bíblica do Deus da graça inclui, assim, o desenvolvimento mais rico de todos os Seus atributos morais, e o Deus da Bíblia é consequentemente estabelecido, na plenitude dessa ideia, como acima de tudo “o Deus ético”. E isso é o mesmo que dizer que lhe é atribuído um sentido moral tão sensível e verdadeiro que estima com precisão infalível o caráter moral exato de cada pessoa ou ação apresentada para sua contemplação e responde a ela no grau precisamente apropriado. de satisfação ou reprovação. A infinidade de Seu amor é exibida precisamente porque, enquanto ainda éramos pecadores, Ele nos amou, embora com toda a força de Sua natureza infinita Ele tenha reagido contra nosso pecado com aversão e indignação ilimitadas. O mistério da graça reside justamente no impulso de um Deus que odeia o pecado de mostrar misericórdia a esses miseráveis ​​pecadores; e a suprema revelação de Deus como Deus do santo amor é feita na revelação do modo de Seu procedimento de redenção, pelo qual somente Ele poderia permanecer justificando os ímpios. Pois nesse procedimento estava envolvido o poderoso paradoxo do próprio juiz infinitamente justo se tornar o substituto do pecador diante de sua própria lei e o Deus infinitamente abençoado recebendo em sua própria pessoa a penalidade do pecado.

DEUS PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO

Os elementos do plano de salvação estão enraizados na natureza misteriosa da Deidade, na qual coexiste uma distinção trina de pessoas com absoluta unidade de essência; e a revelação da Trindade era consequentemente incidental à execução deste plano de salvação, no qual o Pai enviou o Filho para propiciar o pecado, e o Filho, quando retornou à glória que tinha com o Pai antes do nascimento. mundo foi enviado ao Espírito para aplicar Sua redenção aos homens. 

A revelação da natureza divina, portanto, está em toda a Escritura, mais explicitamente na obra da redenção que nos foi prometida. Este trabalho, esta Natureza, a própria Trindade, foi revelada antes de tudo, não em palavras, mas pela própria aparição real de Deus, o Filho, Jesus Cristo, na Terra, e pelas subsequentes manifestações do Espírito, que foi enviado para atuar como Seu representante em Sua ausência. 

No início do ministério de Cristo, as três Pessoas são dramaticamente exibidas à nossa vista no ato de Seu batismo. E embora não haja uma única passagem nas Escrituras em que todos os detalhes desse grande mistério sejam reunidos e expostos, não faltam passagens nas quais as três pessoas sejam reunidas de uma maneira que exiba ao mesmo tempo sua unidade e distinção. O mais proeminente deles é talvez a fórmula do batismo no nome trino, colocada na boca de Seus seguidores pelo Senhor ressuscitado (Mt 28:19), e a bênção apostólica na qual uma benção divina é invocada de cada pessoa por sua vez (II Co 13:14). Os elementos essenciais que entram e formam a grande revelação do Deus Triúno são, no entanto, mais comumente insistidos separadamente. O principal destes são os três fatos constitutivos:

  • Que existe apenas um Deus (Dt 6:4; Tg 2:19; I Co 8:4);
  • Que o Pai é Deus (Mt 11:25; Jo 6:27; 8:41; Rm 15:6; I Co 8:6; Gl 1.1-4; Ef 4:6; 6:23; I Ts 1:1; Tg I. 27; 3:9; I Pe 1:2; Jd 1); o Filho é Deus (Jo 1:18; 20:28; At 20:28; Rm 4:5; Hb 1:8; Cl 2:9; Fl 2:6; II Pe 1:1); e o Espírito é Deus (At 5:3,4; I Co 2:10,11; Ef 2:22);
  • Que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são pessoalmente distintos um do outro, distinguidos por pronomes pessoais, capazes de enviar e ser enviados um pelo outro, para amar e honrar um ao outro e similares (Jo 15:26; 16:13,14; 17:8,18,23; 16:14; 17:1).

A doutrina da Trindade é apenas a síntese desses fatos e, acrescentando nada a eles, simplesmente reconhece na unidade da Divindade uma Trindade de Pessoas que está envolvida na elaboração do plano de redenção. No processo deste trabalho, está implicada uma certa subordinação relativa nos modos de operação das várias Pessoas, pelas quais é o Pai que envia o Filho e o Filho que envia o Espírito; mas as três Pessoas são uniformemente representadas nas Escrituras como em Sua Natureza essencial, cada uma semelhante a Deus sobre todos, abençoada para sempre (Rm 9:5); e, portanto, devemos considerar a subordinação como algo referente à função de cada um na obra da redenção e não como algo referente à essência e Natureza de cada um.


© Traduzido por Amanda Martins. Para o uso correto deste recurso visite nossa Página de Permissões.

Benjamin Warfield

Benjamin Warfield

Benjamin B. Warfield (1851-1921) foi professor de teologia no Seminário Teológico de Princeton. Foi um dos grandes defensores da ortodoxia calvinista.

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