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O Santo Dever de Cultivar a Alegria no Senhor(13 min de Leitura)

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Alegrai-vos sempre no Senhor; e digo outra vez: Alegrai-vos!

Filipenses 4:4

O dicionário Aurélio define alegria como: “Qualidade ou estado de quem tem prazer de viver, de quem denota jovialidade. Contentamento, satisfação.” Dicionário Aurélio.

No texto grego do Novo Testamento, a palavra usada é Χαρα que é traduzida como: alegria, gozo, regozijo, júbilo.

Podemos dizer então que a alegria é um estado, ou uma condição de satisfação, de contentamento, prazer e júbilo. Essa sensação ou estado, sempre tem uma causa, uma razão. Em outras palavras, quando se está alegre se está alegre por causa de alguém, – mesmo que esse alguém seja você mesmo – ou de alguma coisa.

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Motivos de Alegria

Motivos de alegria mudam de pessoa pra pessoa, e são diferentes de acordo com a faixa etária.

Um bebê por exemplo, se alegra (simplesmente) pela presença da mãe. Uma criança já se sente alegre por ter um brinquedo.

Na adolescência o ser humano vai descobrindo novas sensações, e com isso, novos motivos que lhe fazem se sentir alegre: um novo amor; ir à uma festa; conseguir algo que se deseja muito.

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Um adulto por sua vez, já fica bem satisfeito com um bom emprego, estabilidade financeira, segurança, etc..

Outra coisa que nos chama muito a atenção é que, motivos que trazem alegria também mudam bastante de lugar pra lugar.

Uma mãe americana, por exemplo, sente muita alegria em saber que o filho está indo bem na faculdade. Uma mãe síria já se sente muito alegre em saber que o filho está vivo e não foi morto por algum ataque à bomba. E assim vai, eu poderia dar diversos exemplos de vários motivos que causam alegria nas pessoas.

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A Exortação do Apóstolo

No texto de Paulo aos Filipenses, o termo usado é Χαίρετε, que é o imperativo de Χαρα. O imperativo no grego, além de indicar uma ordem como no português, também indica exortação ou súplica. Indica a intenção de quem fala, ou seja, Paulo exorta, suplica, ordena que aqueles irmãos Filipenses “se alegrem sempre no Senhor”, e ele ainda repete: “Alegrai-vos!”.

Isso é interessantíssimo, nós vimos que os motivos das alegrias comuns são vários, e variam muito de pessoa pra pessoa e de circunstância pra circunstância. No texto nós temos Paulo exortando, suplicando, ordenando que aqueles irmãos se alegrem, mas ele não os deixa a mercê de seus próprios motivos ou circunstâncias, ele dá o motivo. “Alegrai-vos sempre no Senhor”. O motivo, a base, o fundamento da alegria deles deveria ser Cristo

É significativo observar isso aqui porque, quem os está ordenando a se alegrar não é alguém que, humanamente falando, tem tudo do bom e do melhor, não é alguém que está confortável na poltrona de sua casa no ar condicionado, não é alguém que está de férias numa ilha do caribe. Nada disso, quem os exorta a se alegrarem é alguém que está preso – Filipenses é uma das quatro cartas da prisão.

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Paulo não está preso por ser um assassino, um criminoso, muito pelo contrário, ele é um arauto de Cristo, portador das boas novas, pregoeiro da mensagem que dá vida. Ele está preso pelo seu amor a Cristo, está preso pelo seu amor ao evangelho. E mesmo preso, com todas as privações dessa prisão, ele não escreve como alguém que está se lamentando e reclamando da própria sorte. Ele escreve como alguém que está jubiloso, alegre, prazeroso no Senhor.

Alguns teólogos chamam essa carta, de carta da alegria, dada as várias ênfases que Paulo dá a esse conceito. Mas não é saudável reduzir a carta somente a esse aspecto, ainda que a alegria seja algo forte aqui.

O teólogo batista Carlos Osvaldo Pinto comentando sobre esta carta diz o seguinte:

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“O propósito da carta é promover a vitalidade contínua do evangelho entre os filipenses para que este, (O evangelho) pudesse continuar a progredir por intermédio deles.”

Foco no Desenvolvimento do Novo Testamento. Pg 361

A progressão do evangelho está atrelada ao alegrar-se constantemente em Deus, mesmo com todos os problemas enfrentados.

É importante perceber isso, Paulo está preso, recebe a visita de Epafrodito, Epafrodito leva consigo uma oferta financeira à Paulo enviada pela igreja de Filipos, e muito provavelmente ele também faz relatos de progresso e problemas ocorridos na igreja. Paulo escreve então para esses irmãos agradecendo a generosidade da igreja, os encorajando à perseverar nas áreas positivas e oferecendo correção nas áreas que a igreja se achava deficiente. É nesse contexto que ele, repetidas vezes, menciona o conceito da alegria.

O teólogo Batista John MacArthur diz o seguinte sobre esse texto:

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“Paulo usa a palavra “alegria” e suas variações inúmeras vezes nessa carta (por ex: Fp1.4,18,25;2.2;3.1;4.1,4). Nos primeiros capítulos, esses dois termos são usados basicamente para descrever a experiência de vida de Paulo em Cristo. O começo do cap 3, porém, é um ponto de transição, mudando para uma seção de orientação espiritual.”

Manual Bíblico MacArthur. Pg 467

Paulo é esse preso alegre que exorta a igreja a se alegrar também.

Alegrar-se no Senhor

Devemos notar que, diferente dos vários motivos mundanos, Paulo exorta aos irmãos que se alegrem no Senhor, mas o que significa se alegrar no Senhor?

O contexto nos mostra que para Paulo, alegrar-se no Senhor, significa estar plenamente prazeroso, satisfeito, contente com o fato de pertencer a Cristo. Cristo deve ser a fonte de nossa alegria. Diferente dos motivos passageiros da vida, a alegria no Senhor é duradoura, pois o Senhor é eterno, não muda (Ml 3.6). Alegrar-se no Senhor, é ter plena satisfação em Cristo independentemente da situação. Por isso entendemos que um prisioneiro maltrapilho está alegre no Senhor, por isso compreendemos o motivo de Paulo dizer com satisfação que sabe “estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez. Tudo posso naquele que me fortalece.” (Fp 4.11-13)

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Uma pessoa que não está plenamente satisfeita em Cristo não consegue passar por todas essas situações com júbilo e prazer. Os prazeres desse mundo são efêmeros, mas Cristo é eterno. Todas as coisas passam, mas Cristo permanece. Por isso vemos que várias pessoas que serviram a Deus caminharam para a fogueira, para a forca, para o fuzilamento, afogamento, decapitação, crucificação, exultantes e jubilosos, pois sua satisfação estava em Cristo, e sabiam que a morte os estava levando para mais perto de Cristo ainda.

Policarpo de Esmirna

Policarpo de Esmirna por exemplo, deu um grande exemplo de fé e contentamento em Cristo na ocasião de seu martírio. Ele foi perseguido pelo império Romano e quando ia ser capturado ofereceu comida aos soldados que foram buscá-lo. Pediu a oportunidade de ficar duas horas a sós com Deus. Quando o levaram para a fogueira, o algoz ainda lhe deu a última oportunidade de negar a Cristo ao que Policarpo respondeu: “Tenho servido a Cristo toda a minha vida e ele nunca me fez mal algum, porque o negaria agora?” Com tal resposta, Policarpo foi conduzido a fogueira, o vento soprava forte o que aumentava ainda mais sua agonia, então um soldado usou sua espada e deu fim à vida de Policarpo, que perseverou até o fim. Uma postura dessa, cheia de abnegação e paz, só é possível se a pessoa realmente está contente com o Senhor ao ponto de renunciar a própria vida.

Recordemos também dos apóstolos do Senhor, todo foram martirizados por causa de sua fé, e todos aparentaram uma alegria e regozijo por estarem sendo entregues à morte por causa de seu amado salvador.

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Por estar plenamente satisfeito em Cristo é que muitos vivem em situações mais precárias, passando privações, mas estão exultantes e alegres pois estão em Cristo.

Jonathan Edwards

Jonathan Edwards em seu livro: Afeições Religiosas discute como as afeições podem mostrar que alguém é realmente um salvo em Cristo ou não. Primeiro ele elenca várias afeições externas que ao mesmo tempo que podem ser demonstrações de uma alma verdadeiramente convertida, podem não ser, pois, estão na esfera comum de atuação humana. Ele coloca por exemplo: Manifestações corporais; falar com eloquência; grande capacidade de decorar e citar textos bíblicos; aparência de amor ao próximo; predispor muito tempo para questões religiosas. No entanto, para ele, a manifestação da verdadeira religião está em dois conceitos: Verdadeiro amor por Deus e pela sua obra e verdadeira alegria em Cristo.

Nunca iremos nos entristecer?

Isso tudo não significa dizer que nunca iremos nos entristecer, chorar e nos lamentar com as coisas que acontecem a nossa volta. Pedro diz o seguinte:

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Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo. Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória, obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma.

1 Pedro 1:3-9

William Hendriksen diz o seguinte:

“Um cristão pode alegrar-se interiormente quando fora tudo é sombrio e escuro. Ele se alegra no Senhor, isto é, por causa de sua união com Cristo, fruto de cujo Espírito é alegria (Gl 5.22). Isto é racional, porque em e por meio de Cristo Jesus todas as coisas – inclusive aquelas que parecem as mais contrárias – cooperam juntamente para o bem (Rm 8.28).”

William Hendriksen

A alegria em Cristo é algo que deve ser cultivado em nós, e fazemos isso, meditando nas Sagradas Escrituras. Nos apropriando pela fé das garantias que o Senhor nos dá de nunca sermos desamparados, nunca sermos esquecidos, sempre estarmos com Cristo apesar das circunstâncias.

Medite nessas coisas, que você possa se alegrar sempre no Senhor. Que a Palavra de Cristo habite ricamente em sua vida, e que seja transbordante a alegria de fazer parte do corpo de Cristo, de estar assentado nos lugares celestiais em Cristo Jesus, de ter sido regenerado, justificado, santificado e perseverante até o momento em que o Senhor chamar.

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2020 © Willy Robert. Para o uso correto deste recurso visite a nossa Página de Permissões.

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Willy Robert

Willy Robert

Willy Robert é pastor batista e bacharel em Teologia pelo Seminário Martin Burcer e criador do Resenha Teológica. Willy é casado com Rosy Henriques.

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