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O Ser e a Sanha Diabólica do Aborto(9 min de Leitura)

“O ser é e o não ser não é”. Esta famosa frase do filósofo pré-socrático Parmênides tem mais a ver com a famigerada prática do aborto do que poderíamos imaginar. Seu diálogo obviamente não se dá sobre esse assunto, mas ele discute o paradoxo de existência do ser.

A condição mais básica do ser é a existência. Não poderíamos haver sem existir. Qualquer outra condição que defina o ser, é posterior a esta primeira. Dessa forma, estar aqui, agora, lendo este texto, literalmente é possível somente porque você é, independentemente de suas capacidades de interação com o mundo através dos seus sentidos serem “perfeitas” ou não. Por exemplo, se a condição do ser fosse interagir com o mundo através dos sentidos, dentre eles a fala, o deficiente fonoauditivo seria um “não-ser”? Ou se a definição de existência estivesse conectada ao andar, o deficiente físico ou alguém com mobilidade reduzida não seria humano? As respostas para essas perguntas são axiomaticamente negativas, pois sabemos que, embora sejam portadoras de algum tipo de deficiência, essas pessoas existem e são seres humanos.

Estabelecido isso, o próximo passo da nossa análise é discutir o momento em que o ser passa a existir, e como percebemos com o raciocínio anterior, a condição de existência não está ligada a interação com o mundo, apesar de sabermos que esta interação é um importante fator para a vida, ou seja, para os seres, em especial, o ser humano.

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Se é certo que o ser existe em detrimento da forma como interage com o mundo através de seus sentidos, a única condição plausível capaz de demarcar a existência é a concepção. Quando um óvulo é fecundado por um espermatozoide, e esta união gera um embrião, temos então um ser, pois todas os requisitos biológicos necessários para a existência do ser foram atendidos. É no útero materno que a existência do ser humano ocorre.

Dessa forma, o embrião localizado no útero materno reclama a possessão da existência da mesma forma que um ser humano em seu estágio adulto a possuí, sem qualquer diferença, exceto que, durante o período gestacional, aquele passará por um processo de desenvolvimento até que atinja o estágio ideal determinado para que possa interagir com o ambiente externo ao útero.

Se estas colocações são verdadeiras, se refletem a realidade tal como ocorre, quem está apto a jurisdicionar ou decidir o que pode ou não ser feito com um ser humano que está no ventre de uma mulher, visto que ambos – tanto nós aqui fora, quanto ele lá dentro – usufruímos de uma condição exatamente igual em relação a existência? Novamente, só resta uma alternativa tangível que responda a essa pergunta: se realmente pressupomos que nossa condição existencial é superior à de um embrião, então poderemos discutir o que fazer com este.

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É exatamente esse o pressuposto básico de todos aqueles que defendem a demoníaca prática do aborto, ainda que em menor intensidade, ou de forma inconsciente, mas a arrogância de superioridade existencial está lá, envolta num clamor por liberdade ou defesa da mulher.

Não é de nosso interesse discutir os meios através dos quais uma mulher concebe, basta que deixemos claro que, somos diametral e veementemente contra qualquer prática que resulte numa gravidez na qual a mulher seja submetida a violência ou a violação de sua vontade. Nossa ênfase é a exposição da maldita e pestilenta sanha abortista, quando arroga para si o direito de interromper o fluxo vital de alguém que não possui ainda os meios para apresentar a própria defesa, garantindo o direito de “vir ao mundo”. Tal crueldade não acontece nem mesmo com os mais vis e sanguinários criminosos que já pisaram a face da terra, pois até mesmo para eles é ofertado uma defesa, e ainda que condenados à morte, tem resguardado o direito de pronunciar suas últimas palavras.

A Escritura Sagrada sacramenta que a vida, ou seja, a existência, realmente se dá na concepção. Quando lemos o Salmo 139.16, nos deparamos com a seguinte frase:

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Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.

Neste texto, vemos claramente o salmista afirmando que Deus ‘o viu’, isto é, no texto hebraico no qual foi escrito o salmo, aparece a particular que define o pronome pessoal na primeira pessoa do singular (i. e. גָּלְמִ֤י = hb. lit “galemi “minha substância”, “meu ser”). A conclusão lógica, é que o autor está apontando para a “substância informe” como sendo ele mesmo. É perfeitamente tangível pensar que ele está se referindo ao que hoje sabemos e conhecemos como ‘embrião’.

Se Deus é, e sabemos que é, o autor da vida, as obras do maligno certamente buscarão lograr êxito, militando contra a vida, objetivando destruí-la. Somente ao Criador está reservado o direito de dar e tirar vidas, como lemos em 1Samuel 2.6: ” O Senhor é o que tira a vida e a dá […]”. O interessante neste texto é que esse versículo faz parte de um cântico de uma mulher que não podia conceber, mas, pela graça do SENHOR, se acha grávida, e se alegra em Deus por ter recebido esta bênção.

Deus está numa condição superior, e assim, somente Ele pode decidir se alguém vive ou morre. Usurpar o lugar de Deus é algo encarado pelas Escrituras como sendo uma obra do Anticristo: “o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto” (2Tessalonicenses 2:4). E o que é a promoção do aborto senão a manifestação da mentalidade anticristã da qual João já havia falado que estava presente no mundo?: “Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também, agora, muitos anticristos têm surgido; pelo que conhecemos que é a última hora” (1João 2:18). Pertinentemente, João nessa passagem aponta que estes “anticristos” estavam no meio dos crentes, tal qual hoje, muito que se dizem cristãos, militam em favor desta causa infernal que é o aborto.

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O raciocínio lógico só nos leva a concluir que estamos lidando com uma noção completamente forjada para se opor ao Reino de Deus, pois se assim o SENHOR estabeleceu a ordem de todas as coisas, como pois poderemos nós, inferiores, questionar ou mesmo nos rebelar contra ele, promovendo tamanho descalabro e afronta à Coroa do universo.

É preocupante ver muitos cristãos alheios a essa tão importante discussão, muitas vezes porque não compreendem a gravidade do que está acontecendo no mundo moderno em relação a esta pauta. É necessário que haja no meio cristão um despertamento quanto a isso, pois somos o único bastião de defesa contra este ato imoral, pois os ímpios por mais que queria lutar contra o aborto, e muitos o fazem, estão agindo dessa forma por causa da graça comum de Deus, mas nós fomos lavados e remidos pelo sangue do Cordeiro, e tivemos nossos olhos desvendados para enxergar as obras das trevas. Somos chamados a uma luta, não contra a carne e o sangue como afirma o apóstolo Paulo em Efésios 6, mas contra as hostes da maldade.

A sanha diabólica progride em sua marcha rumo a destruição da vida. Não podemos, e não devemos nos posicionar de forma neutra, devemos lutar e defender a vida. No fim, é nisso que se resume a discussão sobre o aborto: a gana demoníaca que busca ceifar vidas ainda no ventre materno. A causa do aborto é mais uma manifestação antagônica ao Reino de Deus, que será desbaratada pelo poder do próprio Criador, agora ou no dia final.

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Cristo triunfa!

Paulo Rodrigues

Paulo Rodrigues

Paulo Rodrigues é marido, pai, pastor, escritor, estudante de teologia e amante das artes clássicas. Pós-graduando em teologia exegética pelo Seminário Presbiteriano do Norte, e bacharel em teologia pela mesma instituição.

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