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Os Decretos de Deus(12 min de Leitura)

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O decreto de Deus é o Seu propósito ou determinação referente às coisas futuras. Usamos tão somente as Escrituras e nela descobrimos um único ato de decreto (Rm 8:28; Ef 3:11), porque houve apenas um ato de Sua mente infinita sobre as coisas futuras. Mas falamos como se houvessem muitos, pois nossas mentes só são capazes de pensar em sucessivas mudanças, pensamos em Seus decretos conforme O conhecemos e em referência aos vários objetos de Seu decreto, que em muitos casos nos sugerem um propósito distinto. Mas o entendimento infinito [de Deus] não prossegue por etapas, de um estágio para outro [nem mesmo apresenta distinções de propósitos]:

“Conhecido por Deus são todas Suas obras desde o princípio do mundo”
(Atos 15:18)

As Escrituras mencionam os decretos de Deus em muitas passagens e sob uma variedade de termos. A palavra “decreto” é encontrada no Salmo 2:7. Já em Efésios 3:11 lemos sobre Seu “propósito eterno”. Em Atos 2:23 a Escritura fala de Seu “determinado conselho e presciência”. Em Efésios 1:9 do mistério de Sua “vontade”. Em Romanos 8:29, Ele também “predestinou”. Efésios 1:9 fala de Seu “bom prazer”. Os decretos de Deus são chamados de Seu “conselho” para significar que são consumadamente sábios. Eles são chamados de “vontade” de Deus para mostrar que Ele não estava sob controle de outrem, mas agiu de acordo com o Seu próprio prazer. Quando a vontade de um Homem é a regra de sua conduta, ela geralmente é vaidosa e irracional; mas a sabedoria está sempre associada com “vontade” no processo Divino, e, consequentemente, os decretos de Deus são ditos como “o conselho da Sua vontade” (Ef 1:11).

Os decretos de Deus falam de todas as coisas futuras, sem exceção: Tudo o que é feito foi preordenado antes do tempo começar. O propósito de Deus estava preocupado com tudo, seja grande ou pequeno, seja bom ou mau, embora com referência a este último, devemos ter o cuidado de afirmar que, embora Deus seja o Ordenador e Controlador do pecado, Ele não é o autor dele da mesma maneira que ele é o Autor do bem. O pecado não poderia proceder de um Deus santo por criação positiva e direta, mas apenas por permissão decretiva e ação negativa. O decreto de Deus é tão abrangente quanto ao Seu governo, estendendo-se a todas as criaturas e todos os eventos. Ele estava preocupado com a nossa vida e morte; sobre o nosso estado no tempo e nosso estado na eternidade. Como Deus opera todas as coisas segundo o conselho de sua própria vontade, aprendemos com Suas obras qual é o Seu conselho, ao julgarmos o plano de um arquiteto inspecionando o edifício que foi construído sob as suas direções.

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Deus não apenas decretou fazer o homem, colocá-lo sobre a terra, e depois deixá-lo à sua própria orientação descontrolada; em vez disso, Ele fixou todas as circunstâncias no lote de indivíduos, e todos os detalhes que compreenderão a História da raça humana desde o começo até o fim. Ele não apenas decretou que leis gerais deveriam ser estabelecidas para o governo do mundo, mas também resolveu a aplicação dessas leis a todos os casos particulares. Nossos dias estão contados, assim como os cabelos de nossas cabeças. Podemos aprender qual é a extensão dos decretos divinos das dispensações da providência, nas quais eles são executados. O cuidado da Providência alcança as criaturas mais insignificantes e os eventos mais minuciosos – a morte de um pardal e a queda de um cabelo.

Vamos agora considerar algumas das propriedades dos decretos Divinos

  1. Os decretos são eternos. Supor que qualquer um deles seja feito no tempo [e/ou com finalidade temporal] é supor que alguma nova ocasião tenha ocorrido; algum evento imprevisto ou combinação de circunstâncias surgiu, o que induziu o Altíssimo a formar uma nova resolução. Isso argumentaria que o conhecimento da Divindade é limitado e que Ele está se tornando mais sábio no progresso do tempo – o que seria horrível [e uma] blasfêmia. Nenhum homem que acredita que o entendimento Divino é infinito, compreendendo o passado, o presente e o futuro, jamais concordará com a doutrina errônea dos decretos temporais. Deus não é desconhecedor ou pego de surpresa por eventos futuros que serão executados por volições humanas; Ele os predisse em inumeráveis instâncias, e a profecia é apenas a manifestação de Sua presciência eterna. As Escrituras afirmam que os crentes foram escolhidos em Cristo antes do mundo começar (Ef 1: 4), sim, que a graça lhes foi “dada” (II Tim 1: 9).
  2. Os decretos de Deus são sábios. A sabedoria é revelada na seleção dos melhores fins possíveis e dos meios mais adequados para alcançá-los. Todo objeto ou personagem pertence aos decretos de Deus e é traduzido pelo que sabemos dos decretos. Os decretos são revelados a nós por sua execução, e toda a sabedoria nas obras de Deus é uma prova da sabedoria do plano, em conformidade com a qual eles são executados. Como o salmista declarou: “Ó Senhor, quão múltiplas são as tuas obras! Em sabedoria fizeste todas elas, cheia está a terra das tuas riquezas” (Sl 104: 24). Na verdade, pouco é o que realmente conseguimos conhecer sobre as obras de Deus dentre tudo o que foi feito [devido a nossa limitação], mas devemos proceder aqui, como fazemos em outros casos, e julgar o todo pelo modelo instituído, do que é desconhecido pelo que é conhecido. Aquele que percebe o funcionamento admirável nas partes de uma máquina que tem a oportunidade de examinar, é naturalmente levado a acreditar que as outras partes são igualmente admiráveis. Da mesma forma devemos satisfazer nossas mentes quanto às obras de Deus quando as dúvidas nos intrigam, e repelir quaisquer objeções com nossas noções do que é bom e sábio. Quando alcançamos os limites do finito e olhamos para o reino misterioso do infinito, vamos exclamar: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Rm 11:33).
  3. Os decretos de Deus são livres. “Quem guiou o Espírito do Senhor, ou como seu conselheiro o ensinou? Com quem tomou ele conselho, que lhe desse entendimento, e lhe ensinasse o caminho do juízo, e lhe ensinasse conhecimento, e lhe mostrasse o caminho do entendimento?” (Is 40: 13-14). Deus estava só quando Ele fez Seus decretos, e Suas determinações não foram influenciadas por qualquer causa externa. Ele era livre para decretar ou não decretar, decretar uma coisa e não outra. Esta liberdade devemos atribuir àquele que é supremo, independente e soberano em todas as suas ações.
  4. Os decretos são absolutos e incondicionais. A execução deles não é suspensa diante de qualquer condição que possa ou não ser executada. Em todos os casos em que Deus decretou um fim, Ele também decretou todos os meios para esse fim. Aquele que decretou a salvação de seus eleitos também decretou a fé neles (II Ts 2:13). “O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade.” (Is 46:10b). Isso não poderia ser verdade, se o seu conselho dependesse de uma condição que poderia não ser executada. Mas Deus “opera todas as coisas segundo o conselho da sua vontade” (Ef 1:11).

Lado a lado com a imutabilidade e invencibilidade dos decretos de Deus, as Escrituras ensinam claramente que o homem é uma criatura consciente e responsável por suas ações. E se nossos pensamentos são formados a partir da palavra de Deus, a manutenção de um não levará à negação do outro. Que existe uma dificuldade real em definir onde um termina e o outro começa livremente. Este é sempre o caso onde há uma conjunção do Divino e do humano. A verdadeira oração é indicada pelo Espírito, mas também é o clamor de um coração humano. As Escrituras são a Palavra inspirada de Deus, mas foram escritas por homens que eram algo mais do que máquinas na mão do Espírito. Cristo é tanto Deus como homem. Ele é onisciente e ainda “aumentou em sabedoria” (Lucas 2:52). Ele era Todo-Poderoso, mas foi “crucificado através da fraqueza” (II Cor 13: 4). Ele era o Príncipe da vida, mas morreu. Altos mistérios são estes, mas a fé os recebe inquestionavelmente.

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Tem sido frequentemente apontado no passado que toda objeção feita contra os decretos eternos de Deus se aplica com igual força contra a Sua eterna presciência:

“Se Deus decretou todas as coisas que venham a acontecer ou não, [mas] tudo o que é próprio de um Deus, é apropriado que Ele conheça todas as coisas de antemão. Agora, é evidente que, se Ele conhece todas as coisas de antemão, Ele também as aprova ou não; isto é, Ele ou está querendo que elas se realizem ou não está querendo. Mas o querer que elas se realizem já é decretá-las.”
(Jonathan Edwards)

Negar os decretos divinos seria proclamar um mundo e todas as suas preocupações reguladas por um acaso ou destino cego. Então, que paz, que segurança, que conforto haveria para nossos pobres corações e mentes? Que refúgio teríamos na hora de necessidade e julgamento? Nenhum mesmo. Não haveria nada melhor do que a escuridão negra e o horror abjeto do ateísmo. Ó meu leitor, quão gratos devemos ser que tudo é determinado pela infinita sabedoria e bondade! Que louvor e gratidão são devidos a Deus por Seus divinos decretos. É por causa deles que “sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8:28). Bem podemos exclamar:

“Porque dele, e por meio dele e para ele, são todas as coisas: a quem seja glória para sempre. Amém.”
(Rm 11:36)


Este artigo foi retirado da obra em inglês de A. W. Pink, The Atribute of God. Esta obra também está publicada em Português pela PES por título “Os Atributos de Deus”.

2019 © Traduzido por Amanda Martins, revisado por Elnatan Rodrigues.

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Arthur Pink

Arthur Pink

Arthur W. Pink (1886-1952) escreveu inúmeras obras de punho reformado, foi um dos que contribuíram para crescimento do interesse pela Teologia Reformada no século XX.

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